Gleisi lista conquistas e rebate derrotismo da oposição

Em seu retorno à tribuna do Plenário, a ex-ministra da Casa Civil desmontou argumentos vazios da oposição

:: Da redação11 de fevereiro de 2014 20:36

Gleisi lista conquistas e rebate derrotismo da oposição

:: Da redação11 de fevereiro de 2014

O primeiro discurso da ex-ministra Gleisi Hoffmann na tribuna, na sua volta como representante do Paraná, é o recordista de 2014, com duração de mais de uma hora, com inúmeros apartes de senadores do PT e de outros partidos. A senadora usou parte de seu pronunciamento para que traçar um panorama detalhado dos programas mais bem-sucedidos do Governo Dilma, colhendo, em retorno, acréscimos de seus colegas parlamentares – da base ou da oposição – reconhecendo sua boa gestão como ministra-chefe do Gabinete Civil, cargo que ocupou por quase três anos.

Vigorosa defensora do governo e do PT, Gleisi não dispensou alfinetadas na oposição. Novamente sem citar nomes – como fez na semana passada quando reagiu em nome do Governo aos ataques desferidos pelo antes aliado governador de Pernambuco Eduardo Campos, candidato à presidência pelo PSB – lembrou que projetos bem-sucedidos dos governos petistas, antes tratados como “microprogramas de distribuição de renda”, agora são enaltecidos e têm sua paternidade disputada.

A senadora tampouco poupou críticos que pululam na grande imprensa com o persistente discurso derrotista, que prega a falsa impressão de que a economia brasileira está à beira do abismo. “Críticas fazem parte da democracia, temos de conviver com elas, de aceitá-las e debatê-las, assim com as propostas alternativas. O que não se pode é fazer críticas baseadas no vazio”, protestou. “O que não se pode é fazer críticas oportunistas. O que não se pode é criticar o passado que beneficiou quem faz a crítica”.

Para comprovar a veracidade de sua defesa – diante do discurso oco que a oposição leva para o Senado, repetindo o que a grande mídia divulga – Gleisi Hoffmann relacionou alguns dos resultados positivos de programas implantados pelos governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Veja alguns destaques do pronunciamento:

Saudades do Governo: “Sim, eu já carrego uma ponta de saudades, mas isso não impede que eu sinta uma grande alegria com a missão que tenho pela frente. Volto revigorada e muito entusiasmada, pronta para ter de novo contato direto com o povo paranaense e  a me pronunciar da tribuna desta Casa, participando do grande debate sobre os temas nacionais”.

Edificação do novo Brasil: “Nosso projeto social é vitorioso por várias razões, e uma delas é o apoio dos nossos aliados aqui no Legislativo e o diálogo com todos os setores da sociedade. Nós devemos manter a união construída com base nesse diálogo, no espírito aberto e renovada por um objetivo fundamental: melhorar cada vez mais as condições de vida do povo brasileiro para edificar um novo Brasil, um Brasil que encontra força nos valores democráticos e que reconhece a importante contribuição da iniciativa privada para o seu desenvolvimento”

Progresso social, alguns números : “A boa notícia é que o processo de ascensão social dos mais pobres, iniciado com o nosso querido presidente Lula, está acelerado, fazendo do Brasil uma nação dominantemente de classe média. Alguns números ilustram essa realidade. Os 36 milhões de homens e mulheres que foram tirados da extrema pobreza recentemente; os 42 milhões que ascenderam à classe média, que passou de 37% da população para 55% da população apenas entre os anos de 2003 até hoje. A renda per capita das famílias brasileiras cresceu 78% nesse mesmo período e nos últimos três anos, geramos 4,5 milhões de novos empregos, criamos um grande mercado interno de consumo de massas e somos hoje um dos maiores mercados para automóveis, computadores, celulares, refrigeradores, fármacos e cosméticos. Criamos um imenso contingente de cidadãos com melhores condições de vida, maior acesso à informação e mais consciência de seus direitos”.

Menos críticas, mais propostas viáveis:  “Não somos imunes às críticas, e é desejável que se debata e apresentem propostas alternativas viáveis”

Garantia de uma vida melhor: “Geramos muitos empregos nesses 11 anos de governo e queremos gerar outros. Mais do que isso, queremos gerar mais e melhores empregos, empregos capazes não apenas de garantir a sobrevivência, mas de garantir vida melhor”.

Educação : “Só através da educação garantiremos a consolidação das mudanças e o avanço das pessoas.

Outras prioridades: “Quem quer governar um país como o Brasil não pode deixar de lado também outros temas complexos e questões essenciais ao País, como a política para o agronegócio e os projetos de infraestrutura, dentre outros tantos”,

Combate ao flagelo do crack: “Estruturamos programas e projetos que vão garantir resultados à população. Foi o caso do Viver sem Limite, voltado à pessoa com deficiência; do programa ‘Crack, é possível vencer’; que está estruturando uma política integrada para o combate às drogas; do Sistema de Prevenção a Desastres Naturais; do Programa de Enfrentamento à Seca, que impediu que a maior estiagem dos últimos 50 anos trouxesse novamente as cenas dos retirantes ao cenário brasileiro”.

Parceria com a iniciativa privada: “Numa grande iniciativa de parceria com o setor privado, já entregamos concessões de cinco trechos rodoviários, mostrando que é possível equilibrar o retorno de investimentos, modicidade tarifária e obras em prazos mais curtos. Concedemos cinco grandes aeroportos, três deles com obras de grande vulto e todas as concessões com expressiva contribuição financeira para o Estado brasileiro. Com apoio do Congresso, aprovamos a nova Lei dos Portos, fazendo abertura a novos investimentos e oportunizando a competitividade à produção brasileira. Tanto que já foram mais de 80 consultas públicas realizadas para terminais de uso privado. Oito novos portos foram autorizados, com investimentos de cerca de R$6 bilhões. Os arrendamentos de terminais nos portos de Santos e do Pará, que terão modernização, avanço tecnológico e redução de custos para transportes de carga, aguardam manifestação do Tribunal de Contas da União para serem realizados. Nesta primeira etapa, 29 terminais serão licitados, nos portos de Santos e do Pará. Não podemos esquecer que, nos últimos 11 anos, as companhias portuárias licitaram apenas dez terminais.Para ferrovias, construímos um novo modelo, com base no sistema dos Estados Unidos e países da Europa, com a finalidade de edificar um sistema ferroviário aberto que possa garantir o escoamento eficiente da produção”.

Trechos de alguns dos principais apartes:

Aníbal Diniz (AC): “Temos hoje os programas voltados para a juventude, que permitem a um número infinitamente maior de jovens acessar a universidade e, hoje também, participar do ‘Ciências sem Fronteiras’.No ano passado, foram 22 mil estudantes para fora do Brasil, buscar conhecimento, que vai certamente trazer contribuições importantes para o próximo passo que o Brasil vai dar. Para o ano de 2014 – ano que nós estamos vivendo –, a previsão é de que a gente chegue a 60 mil jovens estudando no exterior. Isso tudo sem falar dos 39 milhões que saíram da linha de extrema pobreza, dos 40 milhões que ascenderam à condição de classe média e, como bem disse V. Exª, a percepção de que nós tivemos um crescimento da renda per capita no Brasil, ao longo desses onze anos, que chega a 70%. Isso tudo faz com que a gente tenha muita segurança de que o Brasil está no caminho certo”

Humberto Costa (PE): “O mais importante, Senadora, é que V. Exª vem aqui munida dessa experiência, munida do conhecimento que tem sobre o Governo, para reforçar a defesa que nós temos feito aqui deste projeto, deste Governo, ressaltar as grandes realizações que o nosso Governo tem e, acima de tudo, o confronto político tão salutar, tão importante, que deve ser feito não em termos de mistificação, como muitas vezes o faz a oposição, mas em cima de dados concretos, principalmente na questão econômica, em que se tenta criar no Brasil um clima de insegurança, um clima de desconfiança em relação às atitudes e à firmeza do Governo em continuar tocando um projeto que tem sido vitorioso até agora. E eu tenho certeza de que a vinda de V. Exª será um reforço importantíssimo para esse debate que é fundamental para o nosso País e para o Senado”.

Paulo Paim (RS): “É uma alegria enorme vê-la retornar à Casa e ao convívio de todos nós, mas sei que também, se a Presidenta Dilma, em parte, perdeu, o Congresso poderá também perdê-la, porque V. Exª será governadora de seu Estado, para alegria de todos nós”.

 Ana Rita ( ES): “Sabemos o quanto a vida das pessoas tem mudado para melhor, principalmente as pessoas que vivem em situação de maior dificuldade no nosso País e que a sua vida realmente está mudando

José Pimentel (CE) – “Eu lembro muito bem o grande debate que nós tivemos sobre a alfabetização na idade certa, em que V. Exª nos dizia que nós precisávamos criar uma estrutura para que todas as nossas crianças pudessem, aos seis anos de idade, saber ler, escrever e fazer conta. Registrava que, em algumas regiões do Brasil, isso já acontecia, mas que, com relação às Regiões Norte e Nordeste, havia uma distância muito grande. Naquele debate, na medida provisória, no seu encaminhamento, V. Exª sempre sugeriu, ao lado do Ministro Aloizio Mercadante, que estava no Ministério da Educação na época, todo um debate sobre isso. Também no programa Brasil Carinhoso, para que pudéssemos ter uma rede de creches em que a criança de um dia até três anos de idade tivesse toda a acolhida por parte do Pacto Federativo, dos Municípios, com o papel do Estado e principalmente da União, e, ao mesmo tempo, que essas creches estivessem nos bairros, nos locais de moradia, para que as mães pudessem ali tratar dessa questão”

Wellington Dias (PI) : “Apesar de haver aqueles que mantêm a tese do pessimismo, eu lamento muito. A gente vive, por parte de alguns, essa linha do pessimismo ou da potencialização do medo. Veja a situação do apagão: houve 38 minutos de falta de energia para 3% da população por um problema provavelmente natural, e se tenta colocar o medo. Ainda bem que, ontem, eu lembrava da ideia do “sem medo de ser feliz” que nos motiva a todos dessa frente de partidos, não só do PT, na direção desse acreditar. Diziam que a economia, com aquele resultado que tivemos em 2012, ia bicar, ia crescer negativo em 2013. E, ali, com toda essa capacidade, V. Exª sendo parte da coordenação do Governo, a gente já fechou o ano de 2013 numa linha de crescimento, gerando emprego”

Giselle Chassot

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