Desafio petista

Gleisi: PT mais unido e presente nas lutas sociais

Nova presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores defende mais espaço para mulheres, negros, jovens e LGBTs na estrutura partidária, para fortalecer a presença petista no movimento social
:: Cyntia Campos5 de junho de 2017 15:55

Gleisi: PT mais unido e presente nas lutas sociais

:: Cyntia Campos5 de junho de 2017

Um PT unido, solidário e profundamente ligado ao movimento social. Essa é a postura necessária para que o partido esteja à altura dos grandes desafios que vêm pela frente, avalia a senadora Gleisi Hoffmann (PR), nova presidenta nacional da legenda. “O PT é o resultado das lutas sociais, foi assim que nós nos construímos. É lá que temos que estar mais presentes”, defendeu.

Ela lembra que onde falta a política, cresce a burocracia. A vitalidade de uma organização política é construída com a presença efetiva e cotidiana nas lutas da população. Gleisi, que presidirá o PT pelos próximos dois anos, quer caracterizar seu mandato também pela promoção da horizontalidade nas relações internas, do espírito coletivo nas decisões e na generosidade durante as disputas.

Os desafios que se apresentam ao PT aparecem grandes e complexos, mas a nova presidenta ressalta a força que resulta da unidade demonstrada pelo partido no 6º Congresso, encerrado no último sábado. “Há muito tempo o PT não saía de uma reunião como essa tão unido”, celebrou Gleisi.

Um exemplo disso é o consenso em torno das definições táticas aprovadas nesse 6º Congresso: impedir as reformas propostas pelo atual governo, garantir a convocação imediata de eleições diretas para substituir o governo ilegítimo de Michel Temer, lutar por uma Assembleia Constituinte que faça a necessária reforma política e do Estado.

Além de definir sues eixos centrais de luta, o PT também definiu uma série de mudanças em sua estrutura interna. A Comissão Executiva Nacional (CEN), instância que dirige o partido no dia a dia, passa a ter 26 integrantes (até então era 18 membros), além dos líderes das bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado e mais a presidenta da legenda.

Além de observar a paridade entre homens e mulheres em sua composição (como determina o estatuto do PT para todas as instâncias, desde 2011), a CEN também vai garantir a presença de pelo menos 20% de negros e negras e 20% de jovens entre seus integrantes.

Outra  novidade é a criação de um Conselho Político, órgão consultivo que vai acompanhar a conjuntura e formular propostas para contribuir com as tomadas de decisão da CEN. O conselho será composto pelos ex-presidentes do PT e ex-dirigentes.

Mas conforme defendeu Gleisi durante o 6º Congresso, o fundamental a ser aperfeiçoado na estrutura interna deve estar voltado para dotar o PT de mais condições de participação qualificada no movimento social. A nova presidenta já manifestou o compromisso de garantir a criação da Secretaria Nacional LGBT, reivindicação que não chegou a ser votada no Congresso, e também expressou apoio ao fortalecimento da Juventude do PT.

Nas relações internas, Gleisi cobra uma postura mais alerta e um enfrentamento mais decidido às práticas sexistas e aos códigos machistas presentes na sociedade. “Quando nós, mulheres, radicalizamos nas propostas, vocês nos criticam”, disse ela aos homens presentes ao 6º Congresso. “Mas vocês precisam saber que não é fácil para nós. Nos ajudem”.

Outro compromisso na nova presidenta é fortalecer o combate ao racismo na sociedade. “Nós precisamos enegrecer o PT”, defendeu Gleisi.

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