Gleisi rechaça ideia de criminalizar acampados em Quedas do Iguaçu (PR)

:: Marcello Antunes28 de setembro de 2016 19:14

Gleisi rechaça ideia de criminalizar acampados em Quedas do Iguaçu (PR)

:: Marcello Antunes28 de setembro de 2016

Gleisi rechaça ideia de criminalizar homens e mulheres acampados em Quedas do Iguaçu (PR) Não teve sorte o senador Álvaro Dias, ex-tucano e agora do Partido Verde do Paraná, em defender a empresa de papel e celulose chamada Araupel, que está em litígio contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) que ocupa uma área do município Quedas do Iguaçu (PR). A empresa responde a 108 processos na Justiça e Álvaro Dias, no plenário do Senado nesta quarta-feira (29), defendia a empresa quando a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) saiu em defesa das 3.500 famílias acampadas e de doze mil famílias que estão aguardando.

 

 

“É bom que o senador tenha tocado nesse assunto. As áreas onde a Araupel está fazendo reflorestamento estão tendo a propriedade questionada na Justiça Federal, porque são áreas públicas, inclusive o terreno onde está o assentamento a que o senhor se referiu”, rebateu Gleisi

 

Ela lembrou os dois trabalhadores sem-terra mortos no local, em abril, em uma emboscada feita por jagunços e policiais militares do Paraná, a mando da Casa Civil do governo de Beto Richa. Na ocasião, a senadora esteve na região e acompanhou de perto a tensão e a tristeza das famílias. Reuniu-se diversas vezes com o Incra e constatou que o Tribunal de Justiça deu a sentença para fazer a desocupação, mas a área ainda está em litígio.

 

“Na primeira instância da Justiça Federal já havia o reconhecimento de que a área era de propriedade da União. E era uma área reivindicada para a reforma agrária. Até porque, lá a área que se tem e que faz reflorestamento de pinus é uma área propícia para produção de alimentos, para produção de outras coisas que não só o pinus”, disse.

 

São 3.500 famílias acampadas e doze mil estão à espera e a área sempre esteve em disputa. “Queria deixar claro para não dizerem que a empresa única e exclusivamente é o polo frágil ou sofredor desse processo. Certamente não é. Não vou dizer que é a polícia militar, porque essa ação que matou dois sem terra foi coordenada pela Casa Civil. Os sem terras foram emboscados, todos os tiros foram dados pelas costas. Não tinham oferecido resistência”, afirmou Gleisi.

 

Ao contrário do que disse Álvaro Dias, de que a Araupel é uma empresa que contribui para os investimentos locais, Gleisi pontuou que as mais de mil famílias devem ser lembradas, porque são elas que contribuem para a economia local, deixando seus recursos na região, no comércio e nos serviços. “E isso tem acontecido em quase todos os municípios onde temos acompanhamentos e assentamentos da reforma agrária. Para que não pese sobre os sem terras e sobre o movimento social a pecha de criminosos e bandidos porque não o são, eu fiz questão de dizer aqui que são áreas em litígio e que, com certeza, vai ter manifestação final da Justiça como teve na primeira área”, disse ela. Pelo que se deduz da manifestação de Álvaro Dias defendendo a Araupel nota-se que só mudou de partido e esqueceu de vestir a bandeira ambientalista do PV.

Marcello Antunes

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