Governo interino é a marca desrespeito às mulheres, afirma Humberto

Governo interino é a marca desrespeito às mulheres, afirma Humberto

Humberto: retrocessos promovidos pelos golpistas justificam a luta para derrubar a gestão interina e restituir a presidenta Dilma ao cargo“A cara de quem nos chefia”, de acordo com o senador Humberto Costa (PT-PE), já foi caracterizada nas escolhas de Michel Temer para o governo interino, formado por homens brancos, ricos e retrógrados. Em discurso ao plenário, nesta quarta-feira (1º), o parlamentar disse que a gestão atual é a marca do “atraso, do anacronismo, do retrocesso e do total desrespeito às mulheres”. 

“Nós saímos de um cenário em que a Presidência da República era ocupada por uma mulher, a primeira da nossa história levada ao cargo pela vontade soberana da maioria dos brasileiros, para um em que as mulheres simplesmente não existem, foram apagadas, esquecidas, escorraçadas dos níveis mais elevados de governo”, disse Humberto, destacando a ausência de mulheres à frente das principais pastas do Executivo. 

Não bastasse o retrocesso na formação dos ministérios, há ainda a clara visão machista no governo interino. Humberto lembrou, por exemplo, da primeira entrevista do ministro da Saúde, Ricardo Barros, que disse que a questão do aborto é similar à do crack, que “ambas devem ser tratadas sobre o mesmo prisma”. 

“Ou seja, tendo em conta que os donos dessa mentalidade retrógrada tratam os dependentes químicos como criminosos, o aborto – na visão deles – também deve ser encarado como caso de polícia e as mulheres tratadas como fora-da-lei”, criticou o petista. 

Ele lembrou que Ricardo Barros ainda propôs que qualquer direcionamento de política no Ministério da Saúde vai levar o tema do aborto para a discussão com as igrejas. “Que prioridade é essa que se dá para se tratar um tema de saúde pública dessa gravidade – que mata milhares de mulheres por ano – primeiro com as igrejas, e não com as dezenas de instâncias e entidades notadamente competentes e especializadas no assunto? Onde ficam as mulheres num debate que é eminentemente delas e sobre elas?”, questionou. 

Humberto ainda criticou a escolha da ex-deputada federal Fátima Pelaes (PMDB) como secretária Nacional de Políticas para as Mulheres. Pelaes é evangélica e já se manifestou contra o aborto até em casos de estupro. O petista lembrou que a ex-deputada acabou voltando atrás nesse posicionamento após uma enxurrada de críticas. “Me pergunto se não há o mínimo de pudor por parte de Michel Temer. O descaramento para cumprir os acordos políticos espúrios que o levaram ao Palácio do Planalto é tamanho, que ele não tem o mínimo de vergonha na cara de lotear os cargos da administração à revelia de todos os avanços sociais a que chegamos com muita luta”.

“Aí, tentando sair das cordas, esse governo fraco vem, ontem, lançar um plano nacional para enfrentar a violência contra a mulher. Um negócio inventado de última hora, pautado, lamentavelmente, no oportunismo porque se aproveita da barbárie do estupro coletivo ocorrido contra uma menina de 16 anos, no Rio de Janeiro”, disse o senador, lembrando que o tal plano sequer tem prazo para entrar em vigor, além de não ter custo estimado e o seu programa ser recheado de medidas requentadas de outros programas. 

Para Humberto, os retrocessos promovidos pelo governo golpista só confirmam os protestos para derrubar a gestão interina e restituir a presidenta Dilma ao cargo. 

“Particularmente, defendo que, vencido o golpe e de volta à Presidência da República, Dilma busque recompor a necessária legitimidade do cargo, ouvindo a população sobre a continuidade do seu mandato até a data do término, que é 31 de dezembro de 2018, ou, se for da vontade popular, chamando novas eleições presidenciais para que os brasileiros escolham alguém que julguem melhor representá-los”, afirmou. 

Durante o discurso, o parlamentar ainda elogiou a aprovação, no Senado, de um projeto (PLS 618/ 2015), de autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que endurece as penas para o crime de estupro, quando ele for cometido por duas ou mais pessoas. “Este Senado tem oferecido uma contribuição importantíssima à sociedade para aumentar a rede de proteção às mulheres brasileiras, garantir sua dignidade com ações afirmativas que assegurem o seu empoderamento político e social e para punir severamente os seus agressores”.

 

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