8 de Março

Greve de Mulheres denuncia violência e perda de direitos

Articulação internacional já reúne organizações e ativistas de 35 países; no Brasil, a Greve Mundial de Mulheres já tem núcleos organizadores em diversas cidades
:: Cyntia Campos20 de Fevereiro de 2017 16:34

Greve de Mulheres denuncia violência e perda de direitos

:: Cyntia Campos20 de Fevereiro de 2017

Dia 8 de março as mulheres vão parar. Em 2017, a data dedicada mundialmente a celebrar a metade da população da terra será marcada por paralisações, greves e manifestações. Em diversos pontos do planeta, elas estarão mobilizadas para dizer basta à violência sexista e ao cerceamento dos direitos civis, humanos, sexuais e reprodutivos das mulheres. Para dizer chega de feminicídios.

“Se nossas vidas não importam, que produzam sem nós”, diz uma das peças convocatórias da Greve Internacional de Mulheres, articulação que já reúne ativistas e organizações de 35 países e que começou a se constituir a partir da bem sucedida greve das mulheres da Polônia, em outubro passado, que contribuiu para a derrubada de um projeto de lei que pretendia criminalizar até mesmo os abortos espontâneos — e bania a possibilidade de aborto em casos de gravidez resultante de estupros.

No Brasil, a Greve Mundial de Mulheres já tem núcleos organizadores em diversas cidades.

As mulheres que defendem seus direitos não recebem apoio em seus lares e comunidades e não raro enfrentam insultos, ameaças e a subestimação

Articulação internacional
Em 3 de outubro de 2016, as mulheres da Polônia realizaram uma greve de um dia contra o projeto de lei que pretendia introduzir a penalização do aborto. A iniciativa foi inicialmente desqualificada pelo governo polonês—para quem as mulheres tinham ido às ruas “para passear”. Ainda assim, naquela mesma semana a lei antiaborto foi rejeitada pelo Parlamento.

Na mesma época, em reação a uma onda de feminicídios que fez sete vítimas em uma semana—e logo após a intensa repressão à marcha realizada pelo Encontro Nacional de Mulheres— as argentinas organizaram uma paralisação de uma hora e mobilizações massivas em todo o país, apoiadas manifestações e passeatas na maioria dos países da América Latina e do Caribe.

Esses dois exemplos deixaram clara a necessidade de uma articulação internacional das pautas femininas e feministas. Os contatos iniciados pelas redes sociais ganharam corpo até chegar à convocação da Greve Internacional de Mulheres para o 8 de março de 2017.

35 países
A mobilização já conta com a adesão de ativistas e organizações da Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Bolívia, Brasil, Chile, Coreia do Sul, Costa Rica, República Tcheca, Equador, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, França, Guatemala, Honduras, Islândia, Irlanda do Norte, República da Irlanda, Israel, Itália, México, Nicarágua, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, República Dominicana, Rússia, Salvador, Escócia, Suécia, Togo, Turquia e Uruguai. A primeira greve de mulheres foi realizada em 1975, pelas islandesas.

“O que vincula a maioria de nossos países é a misoginia, o descuido das instituições democráticas na proteção da segurança e do direito à justiça para as mulheres e a negligência dos meios de comunicação. As mulheres que defendem seus direitos não recebem apoio em seus lares e comunidades e não raro enfrentam insultos, ameaças e a subestimação”, ressalta o texto de apresentação da Greve Internacional de Mulheres.

Angela Davis
No último 21 de janeiro, a Marcha das Mulheres a Washington, os Estado Unidos, voltou a chamar a atenção mundial para a pauta feminina e feminista. O movimento, contra as ameaças aos direitos humanos e civis expressas nas promessas de campanha do novo presidente americano, Donald Trump, teve como ponto alto o chamamento da feminista norte-americana Angela Davis, legendária militante pelos direitos civis dos negros em seu país.

Diante das 500 mil participantes da marcha, Davis apontou o papel do feminismo “inclusivo e interseccional” na “resistência contra o racismo, a islamofobia, ao anti-semitismo, a misoginia e a exploração capitalista” e convocando à participação na Greve Internacional de mulheres.

Como apoiar e participar
Há diversas maneiras de demonstrar apoio e de se juntar à mobilização internacional das mulheres. Veja algumas delas:

No dia 8 de Março

– Parada total, no trabalho, ou nas tarefas domésticas ou nos papeis sociais como cuidadoras, durante a jornada completa.

– Parada de tempo parcial da produção/trabalho por uma ou duas horas

– Apitaço no horário do almoço (convide as colegas para as 12:30h ou no horário possível do seu local de trabalho para realizar um apitaço).

– Caso não possa parar em seu trabalho: use elementos roxos na vestimenta, como fitas ou qualquer elemento que decida usar e explique o motivo dessa demonstração.

– Coloquem panos roxos nas janelas dos carros e nas casas

– Não compre nada neste dia

– Bloqueie caminho e ruas

– Participem e organizem manifestações, piquetes e marchas nas suas cidades

– Instale mensagem automática de “fora do escritório” no email e explique o porquê

– Participe do twitaço as 12:30 do dia 8 de março #8m #8mbrasil #paradabrasileirademulheres #euparo

– Grave vídeos de toda a intervenção que fizerem no 8 de março com a hastangs #8M, #8MBrasil, #ParadaBrasileiradeMulheres #euparo

Na preparação

– Boicote locais misóginos – e informe os motivos

– Convide outras mulheres e organizem formas criativas de adesão à Greve Brasileira de Mulheres

– Mude sua foto de perfil nas redes sociais  https://twibbon.com/support/parada-de-mulheres-8m-br

Para ficar informada, curta a página  https://www.facebook.com/paradabrasileirademulheres/?fref=ts

Com informações de Paro internacional de Mujeres

Reprodução autorizada mediante citação do site PT no Senado

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