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Fernando Haddad defendeu economia sustentável como base de políticas sociais
O Partido dos Trabalhadores (PT) está reunido em Salvador para comemorar os 46 anos de fundação em um evento que une a militância em torno das conquistas do governo do presidente Lula. Os bons indicadores econômicos, apresentados em detalhes pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, impulsionaram o clima de otimismo no evento.
Haddad fez um discurso com rigor técnico, sem deixar de apontar os caminhos políticos para 2026. Ao lembrar as manobras fiscais adotadas por Paulo Guedes e Bolsonaro para ludibriar o eleitor em 2022, Haddad deu o testemunho do trabalho de recuperação econômica feito pelo governo Lula. Segundo o ministro, foi preciso “coragem e técnica” para estancar a sangria orçamentária e recuperar a credibilidade do Estado brasileiro frente aos investidores e à própria sociedade.
“Não devemos temer falar sobre economia na campanha. E quando o debate for para as conquistas sociais, aí o presidente Lula nada de braçada”, disse.
Fernando Haddad disse ainda que as contas públicas foram liquidadas em 2022 para reverter um processo eleitoral que se mostrava ruim para Bolsonaro. Isso deixou consequências nefastas para o país. “A reconstrução da economia era uma necessidade”, salientou, defendendo a sustentabilidade como base para a adoção de compromissos como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, que começou a valer em janeiro.
Haddad destacou que a saúde das contas públicas permitiu o fortalecimento de programas vitais como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e o Farmácia Popular, que haviam sido fragilizados ou desvirtuados. “Não fazemos ajuste para agradar mercado, fazemos ajuste para ter orçamento para o povo”, disse.
“Encontramos uma casa não apenas desarrumada, mas com os alicerces comprometidos por populismo eleitoral”, afirmou o ministro, ao defender que a atual estabilidade foi conquistada “a duras penas” através do novo Arcabouço Fiscal.
Haddad reafirmou o compromisso com o fim da escala 6×1, “que não tem impacto social”. Sobre a tarifa zero de transporte público, o ministro diz que o governo trabalha por um programa de financiamento que seja sustentável e que possa ser apresentado com clareza pelo presidente Lula.
“Quando o programa é bem feito, a direita tem mais dificuldade de destruir. É só pegar o exemplo da isenção do Imposto de Renda”, frisou.
Números da economia
A participação de Haddad ocorre em um momento em que os dados sustentam a narrativa de recuperação do governo Lula em comparação com o período 2019-2022. A análise dos principais indicadores aponta uma trajetória de melhora consistente.
Enquanto o governo anterior entregou períodos de inflação em dois dígitos (chegando a 12% em 2022), o Brasil encerrou o último ciclo com a inflação sob controle, situada em 4,26%, dentro da meta. O crescimento do PIB tem surpreendido positivamente o mercado, superando as projeções iniciais e mantendo uma média de 3% ao ano, contrastando com a estagnação vista em anos anteriores.
O mercado de trabalho vive seu melhor momento em uma década. A taxa de desemprego recuou para níveis historicamente baixos (em torno de 6,4%), enquanto a renda média real do trabalhador registrou um crescimento de quase 5% acima da inflação, impulsionada pela política de valorização real do salário mínimo e pelo aquecimento do setor de serviços.



