Humberto Costa

Ataques à liberdade de imprensa precisam ser enfrentados com coragem

Líder da Bancada Petista alerta que "práticas macabras" do governo Bolsonaro são incompatíveis com Estado de direito
Ataques à liberdade de imprensa precisam ser enfrentados com coragem

Foto: Alessandro Dantas/ PT no Senado

A violência de Jair Bolsonaro contra a imprensa — como ocorreu nesta quinta-feira (26), no Japão — é mais um sintoma de sua incompatibilidade com qualquer uma das liberdades e garantias asseguradas pelo Estado de direito. Para o senador Humberto Costa (PT-PE), líder da Bancada Petista, a situação já passou do limite.

Um exemplo são as ameaças aos jornalistas de The Intercept Brasil, responsáveis pela divulgação do conluio entre acusação (procuradores) e julgador (o hoje ministro da Justiça Sergio Moro) no âmbito da operação Lava Jato.

Práticas macabras
“Isso tem de ter fim! É inaceitável que um país que diz ter liberdade e garantias individuais em pleno funcionamento possa experimentar práticas tão macabras como às que estamos assistindo agora”, protesta Humberto.

O senador ressalta que a Constituição está sendo rasgada dia a dia. Para reverter o quadro, “é preciso que as instituições não se acovardem diante de falsos mitos e cumpram seu papel”.

Desmanche
Desde a posse, Bolsonaro já deixou claro seu desapreço pelo Estado de Direito. Mas quanto mais se aprofunda o desmanche dos pilares que sustentaram sua eleição —  o desmascaramento do ex-juiz Sergio Moro, por exemplo — mais violento se torna o tratamento dispensado pelo chefe do Executivo e suas hostes à imprensa.

Um exemplo foi a constrangedora “entrevista coletiva” de Bolsonaro ao desembarcar no Japão, nesta quinta-feira (27), quando o presidente distribuiu grosserias aos repórteres e encerrou a conversa assim que foi perguntado sobre o flagrante de tráfico de drogas a bordo de um dos aviões da Presidência.

Receita do guru
Bolsonaro parecia estar seguindo à risca as orientações de seu guru, o astrólogo e autoproclamado “filósofo” Olavo de Carvalho, que, horas antes do piti presidencial em solo japonês, havia prescrito ao discípulo, via Facebook, que tratasse “todo desinformante comunopetista infiltrado na mídia” aos pontapés.

“Você não é jornalista, é um agente da desinformação comunista. Fora daqui!”, ditou o astrólogo. “Só assim o Brasil só começará a entrar nos eixos”.

Perseguição a jornalistas
Até mesmo jornalistas absolutamente críticos do PT e da esquerda estão sendo enquadrados nessa categoria e sofrendo perseguições que só se viu na época da ditadura, como aponta o senador Humberto Costa (PT-PE), líder da Bancada petista.

São jornalistas que sempre criticaram duramente a esquerda, mas se “insurgiram contra a gravidade da situação e estão tendo a sua liberdade tolhida por essa patrulha política instaurada em torno da Lava Jato, agora reforçada pela rede marginal que trabalha em favor do Presidente da República”, resume o senador.

Intolerância indiscriminada
Exemplos não faltam. O jornalista Reinaldo Azevedo, por exemplo, foi afastado da RedeTV por pressão das hostes bolsonaristas. O historiador Marco Antonio Villa, comentarista da Rádio Jovem Pan, foi afastado sem justificativas e, finalmente demitido.

“Agora, o dono da Havan, essa figura tosca, essa figura folclórica, esse bobo da corte, financiador, fiador desse governo fascista, pede publicamente ao SBT a cabeça da jornalista Raquel Sheherazade”, cita Humberto.

A intolerância bolsonarista não faz distinção entre esses três profissionais — que sempre defenderam posições francamente direitistas — e o jornalista Paulo Henrique Amorim, identificado com o campo progressista, que foi afastado da Record “em razão das suas análises extremamente contundentes contra os abusos da Lava Jato”, lembra Humberto.

 

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