Humberto defende indenização para filhos de hansenianos

“Serei padrinho dessa causa”, disse o senador aos filhos separados à força da família por causa da doença.

:: Da redação30 de maio de 2012 21:12

Humberto defende indenização para filhos de hansenianos

:: Da redação30 de maio de 2012

“Serei padrinho dessa causa”. A afirmação foi do senador Humberto Costa (PT-PE), durante encontro com filhos de hansenianos, separados à força da família por causa da doença. O senador se comprometeu em atuar, em parceria com o Governo Federal, para a implantação de um grupo de trabalho, que vai identificar e reconhecer os danos provocados às famílias, durante o período em que os portadores de hanseníase ficaram reclusos em colônias rurais.

“Considero justa a indenização dos filhos de hansenianos, que foram compulsoriamente separados dos pais. Eles sofreram com a separação das famílias, com a discriminação social e acumularam incalculáveis perdas emocionais”, afirmou o senador, durante reunião com representantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas por Hanseníase (Morhan), no Senado Federal.

Cerca de 10 mil hansenianos já foram indenizados e hoje recebem pensões. “Nosso trabalho agora vai ser convencer o governo e trabalhar para que, o mais rapidamente possível, nós possamos fazer essa reparação aos filhos dos hansenianos”, afirmou Humberto Costa.

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A separação das pessoas portadoras de hanseníase começou no início do século passado. Porém, durante o governo do presidente Getúlio Vargas, foram criadas 36 colônias rurais, conhecidas como leprosários, para manter os hansenianos distantes da sociedade. Anos depois, há eram 101 hospitais colônia. Nesse período, foram criados também diversos orfanatos para abrigar os filhos dos portadores da doença.

Essas crianças, apesar de não apresentar vestígios da hanseníase, eram mantidas reclusas e sob “tratamento médico”.  Foi num desses educandários que viveu Jairo Navarro de Queirós, em Minas Gerais. “Assim que eu nasci, fui arrancado da minha mãe. Na vida toda, não pude ter qualquer contato com ela. Tudo o que a gente ganhava na instituição, tinha de ficar 20 dias coberto de naftalina, para desinfetar. Para sair na porta, eu tinha de ter um bilhete de autorização do diretor da entidade. Nós sofremos demais, sem direito a nada. Só pude ver minha mãe aos 20 anos de idade”, contou.

Segundo estimativas do Movimento, cerca de 25 mil crianças foram separadas dos pais entre as décadas de 1940 e 1960. “Muitas dessas crianças se perderam das famílias porque foram dadas para adoção irregular. Quando as mães iam procurar seus filhos nos orfanatos, diziam que as crianças tinham morrido. Foi um crime cometido pelo Estado, e queremos que o governo reconheça isso e indenize essas pessoas”, afirmou Artur Custódio de Souza, coordenador nacional do Morhan. A perda dos irmãos faz parte do drama vivido por Jairo Navarro. Dos nove filhos, a mãe dele só conseguiu reencontrar três. Os demais, foram dados em adoção irregular.

Prêmio
Nesta quarta-feira (30/05), a presidenta Dilma Rousseff entregou o Prêmio Objetivos do Milênio (ODM) ao Morhan, pela colaboração que tem dado para a erradicação da doença no País. A instituição se destacou com o projeto Carretinha da Saúde, desenvolvido no estado do Rio de Janeiro. O Movimento montou consultórios médicos numa carreta, que viaja pelo estado, informando a população sobre a hanseníase e fazendo exames e diagnósticos.

O Brasil é recordista em casos de hanseníase, uma doença infecciosa, de evolução crônica e longa, causada pelo microorganismo Mycobacterium leprae. Esse microorganismo acomete, principalmente, a pele e os nervos das extremidades do corpo. A doença pode ser tratada e tem cura.

A transmissão é feita de pessoa a pessoa, por germes eliminados em gotículas de saliva, expelidas durante a fala, e que são inaladas por outras pessoas. Outra possibilidade é o contato direto com a pele, através de feridas de doentes. No entanto, é necessário um contato íntimo e prolongado para a contaminação, como a convivência de familiares na mesma residência. O processo de cura leva, em média, um ano.

Eunice Pinheiro

Ouça a entrevista de Artur Custódio Souza
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Ouça entrevista de Jairo Navarro
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Saiba mais sobre a hanseníase

 

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