Impeachment serve de cobertura para os sem-voto se elegerem de forma indireta

:: Carlos Mota3 de maio de 2016 21:00

Impeachment serve de cobertura para os sem-voto se elegerem de forma indireta

:: Carlos Mota3 de maio de 2016

Dilma sobre luta contra o golpe: estamos fazendo história porque, sem sombra de dúvidas, a democracia é o lado certo da históriaDurante o lançamento do Plano Safra 2016/17, que disponibilizará R$ 30 bilhões em crédito aos agricultores familiares, a presidenta Dilma afirmou que está sendo vítima de uma fraude, que é um impeachment sem causa. Para ela, o processo que pede o seu impedimento e tramita atualmente no Senado não é apenas um golpe, mas uma cobertura para aqueles sem voto se elegerem de uma forma indireta.

A presidenta afirmou, nesta terça-feira (3), que o pior são as propostas apresentadas pelos que querem tomar o poder – notadamente os peemedebistas Michel Temer, que assume a presidência interinamente caso Dilma seja afastada, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que assume o Executivo na ausência de Temer. Dilma disse que as propostas apresentadas são todas contrárias às da chapa vencedora do pleito de 2014 com 54 milhões de votos.

“Eu fui eleita com um programa. O meu programa dizia o seguinte: nós temos um compromisso com os programas sociais. Daí, enfrentamos imensas dificuldades e uma paralisia política. […] Mesmo diante disso, mesmo diante das pautas bombas, da teoria do quanto pior melhor, nós temos lutado para garantir o dinheiro para o social. Não estamos deixando o Brasil parar. Quem está parando o Brasil são eles”, disse.

A presidenta lembrou que as razões do impeachment são outras e, por isso, quase não se usa contra ela os argumentos do golpe: os seis decretos presidenciais, por não terem sido autorizados pelo Congresso, mesmo sendo essenciais para destinar crédito à órgãos como o Supremo Tribunal Federal, e os supostos empréstimos do Banco do Brasil à União por meio do Plano Safra.

Como não tinham do que acusá-la, os golpistas pediram insistentemente para que ela renunciasse ao cargo. Desta forma, “esconderiam para debaixo do tapete esse golpe”. “É extremamente confortável para os golpistas que a injustiça desapareça. Pois quero dizer para vocês: a injustiça continuará visível”.

Quanto à luta contra o golpe, Dilma disse que “estamos fazendo história” porque, sem sombra de dúvidas, a “democracia é o lado certo da história”.

Antes da fala da presidenta no lançamento do Plano Safra, representantes das entidades ligadas à agricultura familiar reafirmaram o compromisso de lutar em favor da democracia. Segundo eles, as manifestações contra o golpe continuarão.

“Golpistas, não os deixaremos governar um só dia. Lutaremos sem trégua até que seja reestabelecida a normalidade democrática”, afirmou Anderson Amaro, representante da Via Campesina. Elisângela dos Santos Araújo, da Fetraf, reiterou a fala de Amaro e afirmou que não os movimentos sociais não darão trégua aos golpistas. “Não queremos o retrocesso de conquistas”, disse.

Carlos Mota

 

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