Cortina de fumaça

Intervenção militar é para esconder falência do golpe

"O Temer – e essa política – é responsável pelo agravamento da situação da segurança pública", disse o líder da bancada petista
:: Fernando Rosa19 de fevereiro de 2018 18:19

Intervenção militar é para esconder falência do golpe

:: Fernando Rosa19 de fevereiro de 2018

A intervenção militar no Rio de Janeiro, adotada pelo governo Temer, “é um factóide político para tentar esconder a falência da agenda neoliberal impopular”, denunciou o senador e líder da bancada do PT Lindbergh Farias (RJ). Para Lindbergh, a situação da Segurança Pública “é grave em todo o país, resultado da política de austeridade suicida que está retirando dinheiro da assistência social, da saúde, da educação e da segurança pública”.

“O Temer – e essa política – é responsável pelo agravamento da situação da segurança pública”, disse o senador. “Qual é a moral do Temer, que pegou um orçamento, em 2016, de R$ 6,1 bilhões para a Segurança Pública? Sabe para quanto ele reduziu em 2018? Para R$ 3,9 bilhões. Só que contingenciaram R$1 bilhão”, destacou Lindbergh. “O repasse para os Estados em dois anos na rubrica segurança pública foi reduzido em 50%”, denuncia.

Lindbergh advertiu, ainda,  que a medida foi anunciada sem planejamento algum, sem prestação de contas das ações implementadas anteriormente no município. “O general Braga Netto soube na quinta-feira pela manhã desse plano de intervenção. Até quarta, ele estava de férias”, lembrou o senador. Na manhã desta segunda-feira, durante a reunião do Conselho da República, apenas notícias de jornal foram apresentadas como argumentos.

Também no plenário do Senado, o senador Jorge Viana (PT-AC) questionou se não seria “muita maldade deste Governo, depois de vivermos uma crise institucional dessa magnitude, tentar manipular, usar as Forças Armadas para dar sobrevida a um Governo moribundo?” Viana citou artigo do articulista Jânio de Freitas, na Folha de S. Paulo, afirmando que a intervenção terminaria sendo uma ação contra o Exército brasileiro, já que não é contra os líderes do crime organizado.

Lindbergh também alertou para a irresponsabilidade de jogar as Forças Armadas nessa situação. “Jovens de 18 a 19 anos, que são soldados que fazem treinamento na selva, que têm pouca ou nenhuma experiência em combate, colocados em territórios que eles desconhecem”. “É uma desumanidade”, disse, lembrando afirmação do comandante do Exército, general Villas Boas, para quem o uso das FFAA nessas situações é “desgastante, perigoso e inócuo”.

O líder da bancada do PT, por fim, defendeu a revisão da atual política de combate ao crime. “Os senhores acreditam que a resolução de homicídios no Brasil é de menos de 1%? Ou seja, de 100 assassinatos, menos de 1% é resolvido. Sabe quantos são investigados? Seis por cento. O resto nem é investigado”, disse ele. Segundo Lindbergh, o maior contingente policial, que é o policial militar, “não investiga, porque é proibido pela Constituição, o que é um grave equívoco”.

Conselho da República

“Para se tomar uma medida como essa, o Governo teria que ter apresentado à sociedade, ao Conselho da República, as estatísticas que demonstram que a área da segurança pública saiu absolutamente do controle do Governo Federal”, advertiu o senador Humberto Costa (PT-PE), membro do Conselho, que participou da reunião nesta segunda-feira.

“Em quanto cresceu o número de assassinatos, de roubos, de assaltos, de sequestros, de furtos? – questiona Humberto . “O Governo não traz essa informação. Ou seja: toma-se uma decisão, que é intervir em um Estado, sem ter um diagnóstico adequado ou sem, pelo menos, divulgar esse diagnóstico – se é que ele existe”, diz Humberto.

“Uma das razões, um dos pretextos para a intervenção foi exatamente o que aconteceu no Carnaval. Mas, quando nós vamos para a estatística, na verdade, o Carnaval deste ano, no Rio de Janeiro, foi menos violento do que em anos anteriores”, lembrou o líder da Oposição no Senado Federal

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