Jorge Viana: “não há como conservar florestas sem manejo”

Na Rio+20, Jorge Viana defende preservação ambiental aliada à geração de renda para as comunidades locais. 

:: Da redação19 de junho de 2012 19:30

Jorge Viana: “não há como conservar florestas sem manejo”

:: Da redação19 de junho de 2012

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Não há possibilidade de conservar as florestas tropicais sem manejá-las. E não dá para falar em preservação se não houver renda e, se dentro desta alternativa econômica, as populações tradicionais não estiverem inseridas. Esse foi o tom da palestra organizada no Pavilhão Japão: Aproveitando as florestas como transição para uma economia verde, com a participação do senador Jorge Viana. (PT-AC).

O Japão, que participa da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, com o slogan Japão, verde e inovador, tomou a iniciativa de apoiar e financiar iniciativas de proteção e conservação das florestas tropicais no mundo e o Acre foi um dos primeiros projetos que contou com o auxílio japonês através da Organização Internacional de Madeiras Tropicais (ITTO).

“Usando a floresta com inteligência é possível gerar renda para as pessoas e conservar o meio ambiente. Aquilo que o Chico Mendes defendeu há mais de vinte anos está acontecendo hoje. Estamos aqui discutindo algo que foi levantado há duas décadas e que tem se mostrado viável. Não existe sustentabilidade sem conservação e uso inteligente das florestas. O manejo de florestas tropicais na Amazônia tem que estar diretamente ligado à agenda social”, disse o senador Jorge Viana.

Manoel Sobral, presidente do ITTO na década de 1990, apresentou o senador Jorge Viana como uma peça fundamental, que levou o Acre a ter hoje reconhecimento internacional em relação à política ambiental. “Muito antes de se tornar governador do Acre ele foi associado ao ITTO como coordenador de um dos primeiros projetos de proteção da floresta. O Acre tem sido reconhecido não só no ponto de vista governamental, mas também da sociedade civil, tendo uma economia verde, uma prova que é viável, que é possível e que dá certo essa aposta. Não existe desmatamento ilegal no Acre. O manejo florestal é perfeitamente sustentável como o Acre tem provado”, disse.

“A ITTO completou 25 anos e estamos aqui vinte anos depois da Rio 92 e isso tem um significado muito grande porque estamos falando das florestas tropicais na agenda do mundo e houve uma evolução extraordinária nesta agenda. Não existe possibilidade do desenvolvimento sustentável sem que o manejo e a conservação de florestas estejam no centro. Tem todo um movimento se fortalecendo no Brasil pra fazer das florestas um ativo econômico tão forte quando o agronegócio”, explicou Viana, que disse ter seu mandato diretamente envolvido nesta agenda.

O senador defendeu mudanças de paradigmas: “Acho que a grande conquista é fazer com que a floresta deixe de ser um problema no Brasil e passe a ser solução. O sistema de crédito no Brasil precisa passar por uma mudança, estimulando um produtor que tem 35 hectares de floresta a manejar esta área e dando condições para isto. E dentro deste propósito o Acre começou esta agenda junto com o nascimento da ITTO, quando ninguém discutia manejo de floresta, ninguém discutia desenvolvimento sustentável. Hoje o Acre é sem duvida o estado que mais avançou pra ter uma economia baseada no desenvolvimento florestal”, completou Viana.

Sobre a ITTO

A ITTO é uma Organização Internacional de Madeiras Tropicais, com sede no Japão, responsável por promover a conservação e uso sustentável dos recursos florestais. Conta com 60 países membros que juntos representam 80% das florestas tropicais do mundo e cerca de 90% do comércio de madeiras tropicais.

A ITTO atua de forma intergovernamental sob os auspícios da ONU voltada para a comercialização e industrialização de um produto básico, a madeira, proveniente de florestas tropicais, com base no desenvolvimento sustentado e em práticas de manejo que aliam a preservação ambiental, igualdade social e envolvimento da mão-de-obra local nos projetos que aprova.

Para isso a ITTO formula políticas que são adotadas pelos países produtores e consumidores de madeiras tropicais, formula e implementa projetos de manejo sustentável com o uso de mão-de-obra e especialistas locais e realiza reuniões semestrais do Conselho Internacional das Madeiras Tropicais.

 Assessoria de Imprensa de senador Jorge Viana

 

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