Leréia defende jogo e sua amizade com Cachoeira

Ele negou ter avisado o contraventor sobre possível operação policial para flagrar pontos de jogos.

:: Da redação9 de outubro de 2012 21:36

Leréia defende jogo e sua amizade com Cachoeira

:: Da redação9 de outubro de 2012

 

Um contador de “causos”. Assim pode ser definido o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). Chamado a depor à Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira por conta de sua amizade de longa data com o contraventor, o parlamentar goiano não se intimidou: reiterou sua amizade, disse que não abriria mão dela e ainda defendeu a legalização do jogo no Brasil. Também colocou à disposição dos parlamentares seus sigilos bancário, telefônico e fiscal. Sobre as denúncias, contou longas histórias para cada uma e arranjou “justificativas” para todas elas. A maioria, bem prosaica.

 

Para se ter uma ideia, Leréia diz que não tinha um celular doado pelo contraventor para facilitar a comunicação entre eles. Afirmou que o aparelho fora apenas emprestado para ser utilizado numa viagem que o parlamentar fez aos Estados Unidos.

 

O uso de um cartão de crédito do amigo Cachoeira também tem explicação aos olhos do deputado goiano. Ele foi usado porque o contraventor, com muito mais conhecimento sobre o mundo da tecnologia, tentou comprar, para o amigo – o próprio deputado – pouco versado nesse mundo, um aplicativo da Apple. “Era para baixar um desses joguinhos de criança para meu filho, mas também não deu certo”, explicou.

 

Sobre repasse de recursos do grupo Cachoeira, Leréia explicou que precisava pagar uma dívida de financiamento rural, mas seus recursos haviam sido bloqueados por determinação judicial. Recorreu então ao amigo, que lhe entregou o dinheiro, em espécie, na garagem de um restaurante em Goiânia onde os dois haviam feito uma refeição. “Eu estou devendo ao Carlinhos até hoje. Quando ele sair da prisão, vou ter que pagar” assegurou, acrescentando que o total de sua dívida com o contraventor não seria, como divulgado pela mídia, de R$ 400 mil reais, conforme apontam as gravações. O deputado também diz ter pago os R$ 200 mil que devia a Michel Aidar – empréstimo intermediado por Cachoeira.

 

Defesa do jogo

O deputado defendeu a legalização do jogo no Brasil. Disse que os brasileiros saem do País para jogar nos cassinos da América do Sul, Estados Unidos e Europa e que o Brasil poderia estar arrecadando recursos ao invés de perdê-los para os vizinhos que não proíbem a jogatina.

 

“O jogo dá tanto dinheiro que ninguém mexe com drogas. A maquininha, você pode fazer a concessão como se faz em TV a cabo. Temos de ter uma maquininha em cada esquina organizadamente, alguma coisa tem de ser feita. A tendência é aumentar ainda mais o número de brasileiros que têm dinheiro e vai jogar fora, e o Brasil não ganha nada”, justificou.

 

Amizades
Logo no início de seu depoimento, Leréia antecipou que sabia que sua amizade com Cachoeira faria com que ele precisasse dar explicações. “Quando as gravações do Carlinhos Cachoeira apareceram, eu tinha certeza que meu nome apareceria, porque não é novidade que ele é meu amigo”, disse o deputado. E acrescentou que seu relacionamento com o contraventor era clara. “Não tinha nenhuma reunião com Carlinhos no porão. Eu encontrava com ele em restaurantes, em lugares públicos, em Goiânia, em Brasília, sem nenhum problema. Sou amigo dele desde 1980”, disse.

Admitiu que chegou a se reunir com Cachoeira na sacada de um escritório pertencente à Delta. “Ele tinha uma mesa lá. Numa sacada. Um dia eu perguntei a relação dele com a Delta. Ele não quis me falar e eu não insisti. Mas ele nunca me pediu nada de negócio de Delta”, disse. O deputado também negou qualquer sociedade com Cachoeira.

Leréia negou ter avisado o amigo contraventor sobre uma possível operação policial orquestrada em Águas Lindas (GO), no entorno de Brasília, para flagrar pontos de jogos de azar. “Eu tenho que ver a gravação como um todo. Eu posso lhe afirmar que o delegado, eu conheço há muitos anos e que o Cachoeira é meu amigo”, esquivou-se, para surpresa do relator, deputado Odair Cunha (PT-MG). “Causa estranheza o senhor ligar para Cachoeira para avisar que um delegado estava saindo”, comentou.

Giselle Chassot

 

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