Lindbergh e Boulos pedem fim à escalada repressiva que ameaça manifestações

:: Da redação8 de setembro de 2016 14:29

Lindbergh e Boulos pedem fim à escalada repressiva que ameaça manifestações

:: Da redação8 de setembro de 2016

Lindbergh e Boulos pedem fim à escalada repressiva que ameaça manifestaçõesOs protestos pelo Brasil contra o governo ilegítimo, especialmente os realizados em São Paulo, estão ameaçados. A truculência policial em manifestações pacíficas mostra a verdadeira face dos que apoiaram o golpe de Estado no Brasil, que usam de todos os artifícios para impedir a mobilização popular em defesa da democracia. 

O senador Lindbergh Farias e o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, denunciam o novo ataque do governo golpista sobre mais um direito dos brasileiros. 

“Já atacaram a soberania do voto popular e derrubaram uma presidenta da República que não cometeu crime. Pretendem ainda aplicar um programa de ataque aos direitos sociais, que jamais seria eleito pelo povo brasileiro. Agora, como se não bastasse, querem impedir as pessoas de se manifestarem. Esse é o perigoso caminho que tomam as ditaduras”, alertam Lindbergh e Boulos em artigo no jornal Folha de S. Paulo, nesta quinta-feira (8). 

Leia o artigo na íntegra:

 

É preciso barrar a escalada repressiva – Guilherme Boulos e Lindbergh Farias – Folha de S. Paulo 

No último domingo (4), mais de 100 mil pessoas, convocadas pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, tomaram as ruas de São Paulo contra o governo ilegítimo de Michel Temer. A manifestação, concentrada na av. Paulista, defendia ainda as Diretas Já e os direitos sociais e trabalhistas, ameaçados pelo novo governo. 

Como reação à manifestação pacífica, a PM paulista protagonizou cenas de selvageria após o encerramento do ato. Policiais provocaram e atacaram os manifestantes de forma gratuita, quando estes já se dispersavam. Ficou evidente a premeditação e determinação política da ação policial. 

Antes disso, a polícia já havia prendido 26 jovens sob a absurda acusação de que “pretendiam praticar atos de violência”. Como ironizou o jornalista Leonardo Sakamoto, será o caso, se usarmos essa lógica, de prender o governador Geraldo Alckmin antes da próxima manifestação, para evitar a violência policial. 

Durante a semana, manifestações diárias contra Temer também foram tratadas com repressão em São Paulo e outras capitais, o que ocasionou, inclusive, a perfuração do olho de uma jovem estudante, Deborah Fabri, por conta de uma bomba atirada pela polícia. 

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo chegou ao ponto de ameaçar “proibir” a manifestação do último domingo. Ora, não cabe ao Estado ou à polícia autorizar ou não um protesto. A Constituição já nos assegura esse direito. 

Há, evidentemente, uma escalada repressiva que ameaça o direito de se manifestar. 

Já atacaram a soberania do voto popular e derrubaram uma presidenta da República que não cometeu crime. Pretendem ainda aplicar um programa de ataque aos direitos sociais, que jamais seria eleito pelo povo brasileiro. Agora, como se não bastasse, querem impedir as pessoas de se manifestarem. Esse é o perigoso caminho que tomam as ditaduras. 

Não podemos deixar de mencionar o papel deplorável de parte da imprensa, insuflando a violência policial e buscando criminalizar os protestos, como fez esta Folha em editorial do dia 2 de setembro, falando em “fascismo” nas manifestações e cobrando ação da polícia. 

Se há algo próximo ao fascismo em nosso país são as práticas da polícia, não as de manifestantes. A Folha parece não ter aprendido com os protestos de junho de 2013, quando escreveu editorial muito semelhante e, logo em seguida, uma de suas repórteres foi brutalmente atingida pela ação policial. 

A violência da PM, evidentemente, não é algo novo. As polícias protagonizam em todo o Brasil, há muito tempo, um verdadeiro genocídio contra a juventude pobre e negra das periferias. Lá a bala não é de borracha. O modelo militar de polícia não oferece preparo para lidar com os cidadãos, nem no dia a dia nem em manifestações. 

Por isso defendemos a desmilitarização das polícias, com a aprovação da PEC 51/2013, de autoria do senador Lindbergh Farias. 

Na situação atual, a escalada repressiva em São Paulo expressa uma parceria entre os governos de Alckmin e Temer, conduzida pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo. Moraes, conhecido pelo perfil autoritário, continua, visivelmente, a dar as cartas na polícia paulista. 

Se a violência sistemática visa intimidar e esvaziar as próximas manifestações, a tática está dando errado. Domingo passado vivenciamos o maior protesto dos últimos meses. A repressão, na verdade, joga mais gasolina na fogueira da insatisfação social.

É preciso dar um basta. A sociedade brasileira não admitirá esse avanço autoritário.

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