Lula: avanço da África pode ser porta de saída para a crise

Investimentos em infraestrutura e inclusão no continente podem impulsionar economia mundial.

:: Da redação22 de abril de 2013 15:03

Lula: avanço da África pode ser porta de saída para a crise

:: Da redação22 de abril de 2013

 

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“A África não pode ser encarada como um
problema; tem que ser vista como parte da
solução de um mundo mais justo, solidário
e sem fome”

O ex-presidente Lula disse no último sábado (20), em Washington, nos Estados Unidos, ter certeza que o desenvolvimento e o combate à pobreza na África, os investimentos em infraestrutura e inclusão social no continente africano podem impulsionar a economia mundial. Lula crê que essas ações conjuntas possam se transformar na porta de saída da crise mundial. “A África não pode ser encarada como um problema; tem que ser vista como parte da solução de um mundo mais justo, solidário e sem fome”, afirmou. Lula foi um dos palestrantes do jantar anual “Bispo John T. Walker”, organizado pela Africare que é a maior organização afro-americana focada no desenvolvimento e assistência social ao continente africano.

Premiado em 2011, Lula foi o vencedor do prêmio de liderança (African Leadership Aeard) em reconhecimento por suas “incontáveis contribuições ao comércio, investimento e relações diplomáticas entre o Brasil e a África”. Em seus dois mandatos, o governo mudou a prioridade da política externa e trabalhou para ampliar as relações entre o Brasil e os países africanos. Lula realizou 33 viagens presidenciais àquele continente e lá criou 19 novas embaixadas.

No jantar do ano passado, não esteve presente porque ainda se recuperava do tratamento contra o câncer, mas na noite de sábado, ao discursar, Lula destacou a certeza que tem no desenvolvimento do continente africano, ao lembrar que o ritmo do crescimento econômico de 6% ao ano há pelos menos uma década ajudou a melhorar os indicadores sociais, mas ainda há enormes desafios. Do total de um bilhão de pessoas que vivem no continente, cerca de 300 milhões de pessoas encontram-se em situação de insegurança alimentar. “Acredito que deve ser obrigação transferir tecnologia e valorizar a mão-de-obra local, contribuindo de todas as formas possíveis para o desenvolvimento dos países africanos”, defendeu.

Lula disse que não concebe a ideia de que desenvolvimento econômico não resulte na diminuição das desigualdades. “Um caminho promissor para os governos é o de usar parte das receitas produzidas dentro de seus países e de seus orçamentos anuais para implementar vigorosos programas sociais que ajudem a melhorar a renda e as condições de vida do seu povo. Essa é uma decisão essencial, que só os governantes africanos podem tomar”, afirmou.

O ex-presidente citou como exemplo o Programa de Desenvolvimento de Infraestruturas na África (Pida – www.pidafrica.org), onde os africanos mapearam as principais demandas de infraestrutura e buscam parceiros para fazer as obras. Nos últimos 10 anos, desde a eleição de Lula presidente, o Brasil se tornou um parceiro importante do continente africano e várias empresas brasileiras estão presentes em diversas obras de infraestrutura na África.

Os homenageados da noite de sábado foram o presidente americano Barack Obama e o empreendedor africano Mo Ibrahim. Obama foi reconhecido por ter doado à Africare parte da premiação que recebeu com o Nobel da Paz em 2010. A organização usou o dinheiro na criação de um programa de saneamento básico em Gana. Já Ibrahin, empresário do Sudão, foi reconhecido por popularizar o uso de telefones celulares na África. O evento teve a participação de mil pessoas, segundo os organizadores.

Africare
A Africare é a maior e mais antiga organização afro-americana focada em desenvolvimento e assistência humanitária à África. Desde sua fundação, em 1970, já destinou mais de US$ 1 bilhão em recursos para ações de assistência social, beneficiando milhões de pessoas no continente africano. O Instituto Lula, por sua vez, realizou em seu curto período de existência uma série de eventos no Brasil voltados para a África, reunindo acadêmicos, políticos, empresários e entidades da sociedade civil.

Um dos resultados dessas iniciativas é a apresentação do Programa de Desenvolvimento em Infraestruturas na África (PIDA). Nos dias 30 de junho e 1º de julho deste ano, o Instituto Lula, a FAO e a União Africana realizam em conjunto um seminário em Adis Abeba sobre combate à fome na África.

Com informações do www.institutolula.org

Conheça a organização afro-americana focada no desenvolvimento e assistência social ao continente africano – www.africare.org

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