Lula na OIT: Inclusão é a chave para por fim ao trabalho infantil

Lula ainda criticou o desdém da imprensa em relação ao evento da OIT. Segundo ele, a mídia dá muito mais espaço a assuntos muito menos importantes. 

:: Da redação11 de outubro de 2013 14:00

Lula na OIT: Inclusão é a chave para por fim ao trabalho infantil

:: Da redação11 de outubro de 2013

“A miséria e a fome são determinantes para a existência do trabalho infantil”

“Quando a gente dá dinheiro para rico, é
investimento. Quando é para pobre, é gasto”
(Crédito:Instituto Lula)

 “Acabar com o trabalho infantil não é só um compromisso político, é quase uma profissão de fé”. Esse foi o tom do discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encerramento da III Conferência Global sobre o Trabalho Infantil, promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Ele vinculou a redução da miséria e da pobreza aos programas sociais desenvolvidos e consolidados pelos governos democráticos e populares e enfatizou que o combate ao trabalho infantil deve ser uma Política de Estado. “Não existe nada impossível desde que tenhamos determinação”, afirmou, lembrando a importância de os governos petistas terem retirado das condições de pobreza extrema nada menos que 36 milhões de brasileiro.

“Por isso, a primeira tarefa para acelerar o combate ao trabalho infantil, nas suas piores formas, é coordenar cada vez mais as ações de distribuição de renda nas regiões mais pobres do planeta. E não é menos importante coordenar ações de promoção da saúde, educação, cultura e esporte, criar redes de assistência e promoção social”.

O ex-presidente Lula ainda criticou o desdém da imprensa em relação ao evento da OIT, que dá muito mais espaço a assuntos banais. “Tinha a impressão que este evento estava proibido para a imprensa porque um assunto desta magnitude mereceu menos atenção do que qualquer assunto mais banal do noticiário. É uma pena que muitas vezes as coisas sérias não são tratadas com seriedade e assuntos secundários e banais sejam tratados de forma quase que sensacionalista.”

Na oportunidade, ele ainda reclamou do preconceito em relação ao Bolsa Família. “Se tivessem roubado banco, era assaltante roubando banco. Mas como é assaltante roubando o Bolsa Família, é o Bolsa Família que tem problema. Estamos acostumamos a tomar bordoada e eles sabem que temos casco de tartaruga, somos teimosos e estamos no caminho certo”, disse.

O ex-presidente afirmou, ainda, que há preconceito contra os programas que beneficiam os mais pobres. “Quando a gente dá dinheiro para rico, é investimento. Quando é para pobre, é gasto”, afirmou.

Lula chamou ainda a atenção para programas como o Bolsa Família e elogiou a atuação da ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campelo. E Lula repudiou todo preconceito contra os programas de transferência de renda. “Devemos apoiar todos os programas capazes de levar o desenvolvimento e a geração de empregos às regiões mais pobres do planeta”. E afirmou que o Bolsa Família permitiu que milhares de crianças abandonassem o trabalho para ir para a sala de aula.

Também destacou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e recordou os 168 milhões de crianças e adolescentes que ainda dependem de seu próprio trabalho para garantir sua sobrevivência e a de suas famílias. “O trabalho precoce foi uma experiência pela qual passei, então compreendo essa realidade e não foi por acaso que meu primeiro compromisso quando cheguei à presidência foi acabar com a fome”, disse.

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“Acabar com o trabalho infantil não é só um compromisso político, é quase uma
profissão de fé” (Crédito:Instituto Lula)

 

O encontro acontece em Brasília entre os dias 8 e 10 de outubro. A abertura da conferência foi feita pela presidenta Dilma Rousseff e também conta com a presença do diretor geral da OIT, Guy Ryder, além de ministros e de delegações internacionais de mais de 150 países para compartilhar políticas e experiência sobre a luta mundial contra o trabalho infantil.

O Brasil tem obtido bons resultados no combate ao trabalho infantil, tendo reduzido, em 20 anos, 88% do número de crianças de 5 a 9 anos submetidas ao trabalho. Além disso, entre 2000 e 2012, dados da OIT mostram uma redução de 36% do trabalho infantil no planeta entre crianças de 5 e 14 anos. Nesse mesmo período e faixa etária, o Brasil teve recuo de 67%.

“Reitero a convicção de que, para tanto, é fundamental fortalecermos a Democracia, o desenvolvimento e a luta pela redução da desigualdade entre os países e dentro de cada país. Vamos seguir juntos, por um mundo livre do trabalho infantil”.

Veja a íntegra da declaração de Brasília sobre trabalho infantil

 

Giselle Chassot, com informações do Instituto Lula

Leia a íntegra do discurso do presidente Lula

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