Soberania

Lula não admite intervenção e diz que EUA precisam aprender com processo eleitoral brasileiro

Presidente fez balanço da reunião do G7 e afirmou que Brasil pediu reforma no sistema de governança global e reafirmou postura de neutralidade entre EUA e China

Ricardo Stuckert / PR

Lula não admite intervenção e diz que EUA precisam aprender com processo eleitoral brasileiro

Presidente Lula durante entrevista coletiva à imprensa sobre encerramento da cúpula do G7

No encerramento da Cúpula do G7, o presidente Lula fez um balanço da participação brasileira no encontro das sete maiores economias mundiais e os avanços em matérias comerciais, ambientais e de cooperação internacional em segurança pública. Lula falou sobre tentativas de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. Ele comentou declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro por envolvimento na tentativa de golpe no Brasil.

“Trump conhece pouco o Brasil, se baseia seu conhecimento na relação com a família Bolsonaro. Os Estados Unidos é que tem que aprender com as eleições civilizadas brasileiras, nas quais em duas horas já se conhece o presidente da República, governadores, deputados”, salientou.

Ainda sobre a relação com o presidente norte-americano, Lula classificou as recentes barreiras tarifárias impostas ao mercado brasileiro como desaforadas e criticou a postura de Trump de agir como um imperador. Avaliando que o líder norte-americano “fala muito e ouve pouco”, Lula revelou ter preferido formalizar as demandas do Brasil por escrito, entregando em mãos quatro documentos.

Os textos detalham a capacidade operacional da PF, propostas de cooperação em minerais críticos e fornecem dados provando que armas contrabandeadas para o Brasil partem de Miami, enquanto o estado de Delaware serve de abrigo para a lavagem de dinheiro de criminosos brasileiros. “Fiz questão de entregar por escrito o que queremos no combate ao crime organizado, sobre terras raras e comércio”, disse Lula.

O presidente Lula cobrou reformas na governança global, criticou a dinâmica excludente do fórum de nações ricas e defendeu a autonomia política e comercial do Brasil frente à disputa entre Estados Unidos e China.

“Nós não queremos uma nova Guerra Fria, porque sabemos o resultado da disputa entre Estados Unidos e União Soviética [1945-1989], que limitou o mundo. Defendemos que quanto mais negociação, melhor para todo mundo”, disse.

Lula ponderou que a China se consolidou como um parceiro comercial privilegiado do Brasil, gerando um superávit de US$ 165 bilhões. Em contrapartida, a balança com os Estados Unidos registra déficit para o lado brasileiro. O presidente destacou que norte-americanos e europeus perderam espaço na África e na América Latina por terem se esquecido dessas regiões após a queda do muro de Berlim (1989), gerando um vazio estratégico e de investimentos que acabou ocupado pela forte presença chinesa em infraestrutura, concorrência industrial e inovação tecnológica.

Sobre o acordo comercial entre Mercosul e a União Europeia, o Brasil tem trabalhado para reduzir as resistências políticas na Europa. O governo brasileiro apresentou dados consolidados de redução do desmatamento na Amazônia Legal, que apresentou queda de até 61,5% no comparativo anual, e no Cerrado, além de uma diminuição de 32,6% nas áreas queimadas ao longo de 2025.

Antes de Lula, falou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que detalhou a estruturação da Coalizão Sul, uma força-tarefa com sede em Buenos Aires que integrará 12 nações sul-americanos no enfrentamento ao tráfico de drogas, de armas e crimes ambientais.

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