Henrique Raynal

Ao menos 24 estados brasileiros confirmaram a intenção de aderir ao plano apresentado pelo Governo Lula para conter as oscilações no preço do diesel e proteger os trabalhadores do país. Até governadores aliados da família Bolsonaro concordaram com a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda de conceder um auxílio extra para pagar os importadores de diesel. O governo federal sugere arcar com 50% da subvenção ao diesel, que é de R$ 1,20 por litro: R$ 0,60 seriam pagos pela União e os outros R$ 0,60 pelos estados.
A causa do aumento dos combustíveis é a Guerra no Irã, que se escalou pelo Oriente Médio, promovida pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. A invasão militar, que conta com o apoio da extrema direita e da família Bolsonaro, é o principal fator de insegurança global e elevação dos preços dos combustíveis em todo o mundo.
Na primeira reunião ministerial de 2026, na manhã desta terça, 31, na presença de Lula, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, antecipou que o plano teria a adesão de todos os estados e que o Governo estava “muito próximo” de um acordo unânime. Durigan assumiu a pasta no lugar de Fernando Haddad, que vai disputar as eleições de outubro ao governo de São Paulo.
“Os estados todos entendendo que é uma demanda deles cuidar de abastecimento, no momento que tem que escoar safra, no momento que tem que manter o transporte público funcionando. Os estados nos pedindo e dizendo: ‘Se é para fazer junto, diferente do que fez o governo anterior, que tirou o ICMS sem falar conosco, nós vamos’”, disse Durigan.
A guerra é do Trump, não do povo brasileiro, afirma Lula
Durante evento de comemoração do ProUni e da Lei de Cotas, nesta terça-feira, 31, em São Paulo, o presidente Lula voltou a condenar as ambições imperialistas de Trump e a privatização da BR Distribuidora pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. “Nós tomamos todas as medidas possíveis para não aumentar o óleo diesel, todas as medidas. Mas no governo passado, eles venderam a distribuidora, então quando a gente não sobe o preço, mesmo que a Petrobras baixe o preço, ele não chega na ponta, porque os atravessadores não deixam”, lamentou.
“Nós estamos jogando com o que a gente puder, com a Polícia Federal, com o Ministério Público, com tudo que é órgão de fiscalização. Nós só vamos sossegar quando o preço do óleo diesel não subir, porque a guerra é do Trump, não é do povo brasileiro”, criticou Lula, em seguida.
A guerra desencadeada por Trump e pelo premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, ultrapassou um mês e segue sem data para terminar. Milhares de soldados da elite da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA começaram a chegar ao Oriente Médio nos últimos dias, conforme informações da agência Reuters. Especialistas aventam a possibilidade uma invasão por terra ao Irã.
Divergências à parte
Apesar de ser aliado de primeira hora do clã Bolsonaro, além de admirador de Trump, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aderiu ao plano do Governo Lula. Na segunda, 30, o bolsonarista classificou a proposta como “razoável”. “Essa ideia nos parece razoável, e a gente precisa ver como ela vai ser costurada, como vai ser estruturada. Mas, em princípio, a ideia do estado de São Paulo é fazer adesão.”
Santa Catarina também está sob administração de um bolsonarista. O governador Jorginho Mello, entretanto, não pôde recusar a proposta do Governo Federal. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele disse aprovar a divisão da subvenção ao diesel, mas impôs duas condições: a medida deve ser temporária e o desconto precisa chegar aos consumidores. Mello se esqueceu apenas de mencionar a venda da BR Distribuidora por Bolsonaro.
Outro bolsonarista, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também aceitou o plano contra a alta do diesel. Em nota, o governo mineiro se comprometeu em zerar o ICMS sobre o combustível. “Minas Gerais optou por aderir ao programa federal, reforçando o compromisso do estado com a preservação da atividade econômica, a continuidade dos serviços essenciais e a proteção do consumidor, em especial em um contexto de forte dependência do transporte rodoviário para o abastecimento e a circulação de mercadorias”, esclarece.
Já entre os aliados de Lula, o governador da Bahia foi um dos primeiros a aderir ao esforço fiscal do Governo. Jerônimo Rodrigues se disse alinhado com o presidente. “Determinei que a Bahia participe desse esforço, assumindo metade do custo da subvenção, em alinhamento com o governo do presidente Lula e com o compromisso de proteger a economia da nossa população”, afirmou o petista.
No Piauí, o governador Rafael Fonteles concordou igualmente com a proposta da Fazenda. Fonteles foi às redes para explicar a adesão de seu estado. “O governo do Piauí aceita reduzir o ICMS do diesel importado por período determinado, com compensação parcial do Governo Federal”, publicou.
“Ao mesmo tempo, estamos reforçando, junto a Secretaria de Segurança Pública, a fiscalização dos postos de combustíveis do estado do Piauí, para evitar eventuais abusos por parte de alguns”, concluiu Fonteles.



