Marta Suplicy volta a criticar transporte público de SP

Para ela, greve do metrô é resultado do descaso do governo local. “É um desastre anunciado”, disse.

:: Da redação23 de maio de 2012 20:53

Marta Suplicy volta a criticar transporte público de SP

:: Da redação23 de maio de 2012

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) atribui ao descaso do governo tucano o engarrafamento recorde de 249 quilômetros que paralisou a capital paulistana nesta quarta-feira (22/05). A greve no metrô e na CPTM deu um nó no já complicado trânsito paulistano.  Segundo a senadora, a responsabilidade pelo que chamou de “desastre anunciado” é “dos governos do PSDB, há tanto tempo no comando da cidade e que tão pouco fizeram pela questão do transporte, seja para aumentar o número de quilômetros, seja para manter o que já existe”. A responsabilidade pela manutenção do sistema de transportes metroviários é do governo do Estado.

“Não é uma coisa repentina que aconteceu, é falta de vontade de investir mesmo, de dar como prioridade”, denunciou a senadora. Em discurso no plenário do Senado, Marta atribuiu ao desconhecimento da realidade do usuário de transporte público o descaso com o sistema. “Eles não viajam no metrô, não têm que andar duas horas e meia para chegar ao trabalho e nem fazem planejamento para as pessoas trabalharem onde moram, trabalharem na Zona Leste, que abriga cinco milhões de pessoas que têm que ir para o centro trabalhar”, protestou.

Marta, que já foi prefeita de São Paulo, relatou que, em 2011, dos R$4,5 bilhões previstos para expansão do metrô, o Governo do Estado de São Paulo executou somente R$1,2 bilhão e que houve redução significativa nos investimentos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos para compra de novos trens – de 684 milhões, em 2010, para 260 milhões, em 2011.  “Ou seja, em um ano, foram cortados 56% do dinheiro que era para trem”, denunciou.

A confusão na capital paulistana, que só terminou no final desta tarde com o anúncio do fim da paralisação, virou o trânsito, especialmente da Zona Leste, numa tensa zona de guerra. Calcula-se que ao menos 5 milhões de paulistanos vivam na região. A maioria depende do transporte coletivo para chegar ao centro da cidade.

Sem metrô, o destino natural foram os coletivos. Que não deram vazão à demanda. “A consequência é que hoje, com o sistema de ônibus sobrecarregado, os veículos também não estão andando, parte da cidade já ficou parada, parte das pessoas não está indo trabalhar”, relatou a senadora.

Ela falou da explosão dos usuários e da truculência da Guarda Civil Metropolitana: “revoltados com a situação, passageiros fecharam a Radial Leste, que é um das principais vias da Zona Leste, entre Itaquera e Arthur Alvim; a Estação da Linha 3 não abriu; os pneus de alguns ônibus foram furados para impedir o tráfego na via; a polícia usa bombas de efeito moral nos manifestantes, e há pessoas ficando detidas; em outro protesto, na frente da Estação Jabaquara, que é da Linha Azul, que amanheceu fechada, passageiros juntam uma pilha de papelão e jornais e colocam fogo no material”

Para Marta,o que aconteceu na manhã de hoje em São Paulo podia ser evitado. “Os manifestantes não deveriam se manifestar do jeito que estão se manifestando, que é depredando, quebrando tudo”, reconheceu. Mas demonstrou compreender a revolta e o desespero da população que se cansou do descaso com o sistema de transporte coletivo na cidade.

Ela lembrou que há problemas sérios com a manutenção dos trens urbanos, o que tem provocado panes e, em consequência, a revolta dos usuários. “Foram cem panes recentemente”, enumerou, recordando que a capital paulistana tem características muito próprias. Por ser muito grande ,a cidade exige um transporte público eficiente e a população conta com o metrô para se deslocar. Afinal, para percorrer distâncias imensas entre o centro e a periferia, há quem chegue a perder mais de três horas no trânsito. “De metrô, é possível ir mais rápido. Mas, se você não pode pegar metrô, não tem nem alternativa de ônibus, porque não cabem mais nas avenidas os ônibus”, avaliou.

“O metrô é obrigação do Estado de São Paulo. O Governo Federal pode ajudar, se tiver condições; a prefeitura, também. E é do interesse de todos ajudar, e acho que têm que ajudar mesmo. Agora, ajudar muito mais do que o prefeito que está lá está ajudando, que tem R$8 bilhões no banco, e esse dinheiro já poderia ter sido usado para dar mais rapidez, com a construção de mais metrô, inclusive para sobrar mais dinheiro talvez para fazer a manutenção do que está lá”, disparou, visivelmente indignada.

Veja a íntegra do pronunciamento

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