Alessandro Dantas

O presidente do INSS, Gilberto Weller, em depoimento à CPMI
O presidente do INSS, Gilberto Waller, falou à CPMI do INSS nesta quinta-feira (5) e explicou as ações da autarquia para coibir fraudes em descontos associativos e em empréstimos consignados. Foco das investigações da comissão, o banco Master tinha um acordo de cooperação técnica, assinado em 2020, no governo Bolsonaro, que foi suspenso durante o governo Lula. O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
“Verificando a quantidade de reclamação dos nossos segurados, entendemos por bem não renovar o acordo de cooperação técnica. Isso foi em 18 de setembro, muito antes de liquidação, muito antes de qualquer órgão de controle falar sobre Master, muito antes de sair na imprensa o nome Master”, explicou Waller. Ele disse que “passar um pente fino” nos acordos firmados pelo INSS foi uma determinação do presidente Lula. “A gente verificou que tinha algo errado com o Master. A gente entendeu que não tinha como eles continuarem prestando serviço aos nossos aposentados e pensionistas com esse nível de reclamação”, acrescentou.
Em resposta ao relator da CPMI, Gilberto Weller explicou que a farra dos descontos associativos, artifício pelo qual entidades de fachada efetuavam descontos em benefícios, sem qualquer contrapartida em serviços, começou em 2019, primeiro ano do mandato bolsonarista.
“Em 2019, houve um afrouxamento na celebração de acordos de cooperação técnica. Instituições que não tinham o mínimo de condições de assinarem acordo de cooperação técnica assinaram. Descobrimos uma fragilidade na fiscalização, era uma forma muito simples de conseguir dinheiro, e isso foi aumentando com o decorrer do tempo”. O presidente do INSS salientou que acordos de cooperação técnica não podem ser vistos simplesmente por requisitos básicos, documentais. “Tem que se verificar se aquelas instituições possuem capacidade técnica de prestar aquilo. É o que a gente fez agora com as instituições financeiras: não é porque é uma instituição financeira que vai se sentar na mesa do INSS para assinar um acordo de cooperação técnica”, afirmou.
A situação do INSS
Gilberto Weller iniciou a participação na sessão apresentando o trabalho de recuperação institucional do INSS, promovido pelo governo Lula, diante do sucateamento do órgão encontrado em 2019. Ele informou que nos 4 anos de gestão bolsonarista o INSS perdeu 40% do seu quadro funcional. Para repor, estão sendo convocados excedentes de concursos anteriores e aprovados em seleções recentes.
Em decorrência, o INSS chegou a ter uma fila de 1,79 milhões de requerimentos pendentes de deliberação – um terço referente à necessidade de perícia médica. O tempo médio de concessão, que já superou os 90 dias em períodos críticos, tem como meta do governo ser reduzido para o prazo legal de 45 dias por meio do Programa de Enfrentamento à Fila.
Ainda segundo Weller, as ações de revisão de benefícios e o uso de novas ferramentas de inteligência de dados pelo INSS têm o potencial de gerar uma economia estimada em R$ 9,8 bilhões para os cofres públicos.



