Meteorologia prevê que estiagem no Nordeste tende a se agravar

:: Da redação25 de abril de 2012 20:35

Meteorologia prevê que estiagem no Nordeste tende a se agravar

:: Da redação25 de abril de 2012

Na última terça-feira (24/04), os meteorologistas Mozar de Araújo Salvador e Marcia dos Santos Seabra, ambos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão ligado ao Ministério da Agricultura, enviaram – a pedido do site PT no Senado – uma nota técnica sobre a “Estiagem do Nordeste (Sertão) do Brasil no início de 2012”. Em seis páginas, os dois pesquisadores utilizam dados colhidos nas estações do instituto até o início desta semana. Em resumo o documento confirma que a severidade da atual estiagem deve-se à insuficiência de chuvas nos períodos em que, historicamente, ocorrem as preciptações que abastecem as represas, barragens e cisternas utilizadas pelas populações, tanto para agricultura quanto para o abastecimento de água para as cidades.

“Em algumas localidades no Norte da Bahia, como Irecê e Paulo Afonso, por exemplo, simplesmente não houve registro de chuvas em nenhum dia do mês de março”, dizem, ao apontar que as médias históricas de chuvas no mês para as duas cidades é de 90,5mm para Irecê e 97,1mm para Paulo Afonso.

A Bahia é o estado mais assolado pela seca – mais de 200 dos 417 municípios do estado estão sob emergência –, mas o quadro também é grave em outros estados, segundo os dados de março e abril que constam da nota técnica.

O mapa abaixo, que mostra as chuvas acumuladas entre os dias 5 e 24 de abril, expõe a extensão do drama. A grande mancha branca, com menos de 3 mm a zero mm de chuva, ocupa praticamente todo o interior da Bahia, estendendo-se, ao Norte, para a região Sul-Sudoeste de Pernambuco e Sul-Sudeste do Piauí. Ao Sul do mapa, a área branca invade uma pequena faixa do Norte de Minas Gerais e um polígono ao Nor-Noroeste do estado.

Considerando-se as faixas em vermelho e vermelho-escuro, com menos de 20mm e menos de 10 mm de chuvas no mês, a área da estiagem avança sobre assume proporção ainda maior, tomando praticamente toda a região central da Bahia, todo o estado de Sergipe, o Sul-Sudeste de Alagoas, além de uma mancha que cruza os estados do Rio Grande do Norte e de Pernambuco.

“Outros estados da região também sofrem com a falta de chuvas”, afirma a nota técnica do Inmet. Em Petrolina (PE) houve apenas um dia de chuva, sendo este com um volume menor que 1,0 mm. Em São Gonçalo (PB), apesar da ocorrência de vários dias de chuva em março, o acumulado do mês, com 27,0 mm, ficou muito abaixo da média histórica que é de 237,0 mm, enquanto no mês abril, o acumulado até o dia 24 de abril acumulou 130,0 mm (60% da média climatológica). Destaque também para os baixos volumes de chuva no Rio Grande do Norte. Em Florânia, por exemplo, as chuvas ficaram abaixo da média climatológica em fevereiro e março e, até esta data (dia 24), não acumulou 5% da média histórica de abril. Em março, o total mensal de precipitação em Florânia foi de 38,6 mm, o que representa apenas 17% da média mensal (225,6 mm).”

Os efeitos da estiagem são graves para os mais de 3 milhões de pessoas que vivem nas regiões assinaladas – e a projeção não é otimista. O problema não se resume às poucas chuvas, mas ao longo período em que vem chovendo muito abaixo das médias históricas. Para este ano, a expectativa do governo federal é de que a estiagem afete 90% da região semiárida do País – que engloba mais de 1.100 municípios dos nove estados nordestinos e do norte do estado de Minas Gerais.  Na última segunda-feira (23/04), em visita ao estado de Sergipe, onde anunciou a liberação de recursos para as medidas emergenciais que precisam ser adotadas, a presidenta Dilma Rousseff foi incisiva em seu encontro com os governadores da região, ao anunciar que seu governo não pretende “deixar que a seca devaste tudo” o que foi conquistado nos últimos anos pelos nordestinos, como a ascensão social, o maior poder de compra e os programas de produção e assistência técnica levados aos agricultores e pequenos produtores.

Os “prognósticos climáticos” dos pesquisadores do Inmet confirmam a severidade dos próximos meses ao prever que, para o trimestre abril-maio-junho de 2012 (veja quadros abaixos) o que se espera é “maior probabilidade de chuvas na categoria normal a abaixo da normal climatológica (75%) para o centro-norte do Nordeste do Brasil”.

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No Leste da região Nordeste, onde o principal período chuvoso inicia no mês de abril, prossegue a nota, “a previsão aponta para uma maior probabilidade (45%) de ocorrência de chuvas na categoria normal”.

“Na grande área central, que inclui o semiárido, fica mantido o padrão climatológico, ou seja, igual probabilidade de chuva para as três categorias (abaixo, normal e acima da normal climatológica)”. Essa região, porém, adverte o documento, “tem um volume médio de chuva baixo, pois em maio inicia-se o período seco”.

Seguidos pronunciamentos de senadores nordestinos, de vários partidos, têm insistido na adoção imediata de medidas emergenciais, para que os agricultores e a população em geral enfrentem os meses difíceis que estão por vir. O senador Walter Pinheiro, líder da bancada do PT, tem sido um dos cobradores mais insistentes de vários ministérios – desde janeiro passado, quando, durante o recesso parlamentar, viajou para Brasília para expor o drama dos efeitos da estiagem na região central da Bahia – a mais atingida. Outro senador do PT, Wellington Dias, também tem se pronunciado na tribuna, reivindicando socorro para a dura travessia dos próximos seis meses. A perspectiva otimista é de que somente a partir do mês de outubro, as chuvas voltem a cair. 

Leia a nota técnica completa do Inmet

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