em meio a pandemia

Maioria dos países garante salário para trabalhador durante a epidemia

As pessoas estão assustadas, e não vão correr para lotar aviões, restaurantes, cinemas, alerta economista 
:: Da redação30 de março de 2020 13:08

Maioria dos países garante salário para trabalhador durante a epidemia

:: Da redação30 de março de 2020

Nesta segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro deu nova demonstração de seu alheamento total da realidade. Paralisado, voltou a insistir com o retorno ao trabalho, como se isso fosse possível. A economia global está paralisando. As informações tanto nacionais quanto internacionais apontam para a radicalização da epidemia. Em consequência, a crise econômica se aprofundará ainda mais, apontam os economistas.

“A crise está aí, as pessoas estão assustadas, elas não vão correr para lotar aviões, restaurantes, cinemas”, afirma o economista Gabriel Ulysses, em entrevista ao Valor Econômico, nesta segunda-feira. Professor associado da Universidade de Oxford, com PhD pela Universidade de Chicago, o economista adverte que as medidas adotadas pelo governo mostram “desconhecimento profundo” do que está ocorrendo.

Diante disso, a reação de Bolsonaro no terreno econômico reflete a posição do governo, que age na contramão das iniciativas adotadas por outros países no mundo. A maioria das nações está adotando políticas de transferência de renda diretamente às pessoas, para que possam enfrentar a crise em quarentena. No Brasil, o PT apresentou nesta segunda-feira proposta para atender imediatamente as necessidades da população, com a criação de um seguro-quarentena que levará o governo a garantir renda para quem ganha até 3 salários-mínimos.

Nos Estados Unidos, a Casa Branca e Congresso encaminharam um pacote que, entre outras medidas globais, prevê um cheque de US$ 1.200 para o trabalhador ficar em casa. Na Europa, o Reino Unido está garantindo 80% do salário, até o limite de 2.500 libras por mês (ou R$ 14,8 mil). Na Suécia e no Canadá, por sua vez, também haverá subsídios para o pagamento dos salários dos trabalhadores. Na maioria dos países, a demissão está proibida durante a crise.

“O Reino Unido talvez esteja com uma das políticas mais agressivas de manutenção de renda, com pagamento de 80% do salário, até um limite”, destacou o economista Gabriel Ulysses. Para ele, além de assegurar renda, é fundamental garantir os empregos, que o governo tentou atacar na Medida Provisória 927. “Desfazer isso é perder também capital intangível, porque a relação criada entre empresa e trabalhador tem valor produtivo”, diz o especialista.

 

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