Na Europa, Mantega diz que economia crescerá com a inflação sob controle

O ministro da Fazenda alerta: a crise do euro tende a influenciar negativamente a economia européia e prevê até três anos para retorno ao equilíbrio. "Em 2020 o Brasil será o 5º maior mercado consumidor do mundo".

:: Da redação20 de setembro de 2012 12:43

Na Europa, Mantega diz que economia crescerá com a inflação sob controle

:: Da redação20 de setembro de 2012

Em reunião nesta quarta-feira (19/09) com presidentes e diretores de 14 grandes empresas transnacionais francesas, em Paris, o ministro da Fazenda Guido Mantega elencou três fundamentos que tornam o Brasil uma das nações mais atraentes para os investimentos estrangeiros: a inflação continuará dentro da meta; a economia manterá o ritmo de crescimento e, em 2020, o País será detentor de um dos maiores mercados de consumo global. “Em 2020 o Brasil será o quinto maior mercado consumidor do mundo”, afirmou Mantega em entrevista coletiva.

O processo inflacionário no País não é “preocupante”, disse Mantega, ao se referir sobre o comportamento das commodities agrícolas que exerceram pressão sobre os índices de preço em 2011 e no ano em curso. “A tendência é que [a inflação] seja mais benigna e não se eleve. Não será preocupante no próximo ano”, completou. Em agosto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,41% e, no acumulado dos últimos doze meses, em 5,24% –percentual um ponto abaixo do limite superior da meta do governo de 6,5%. Para o ministro, o atual cenário econômico nacional manterá o processo inflacionário sob controle. Além disso, há sete anos a inflação não foge do centro da meta de 4,5% ao ano, podendo subir ou cair 2%.

Mantega afirmou que o País conta com elementos que contribuem para a estabilidade do cenário econômico otimista. Como exemplo, citou a redução da taxa de juro (Taxa Selic) que iniciou um movimento de queda há um ano, saindo de 12,5% para os atuais 7,5% ao ano, o patamar mais baixo da história. Mantega também citou as tarifas de energia que vão cair cerca de 16% para os consumidores residenciais e até 28% para os consumidores industriais, sem contar que a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os veículos novos e para eletrodomésticos e móveis contribuem para a inflação ficar sob controle, reativar a economia e garantir o nível de emprego.

O ministro observou que no aspecto monetário, o crédito para o consumo continuará crescendo. Sua expectativa é encerrar este ano com as linhas de crédito com expansão entre 14% e 15% em 2012. Mantega reiterou aos jornalistas europeus que a economia brasileira crescerá 4% em 2013. Isto, porque o Brasil “reúne as condições para continuar a crescer com bases sólidas, apesar da crise financeira mundial”.

Mercado consumidor

Mantega sinalizou aos executivos das grandes empresas transnacionais francesas que mais de 30 milhões de brasileiros ascenderão das classes D e E para a C no próximo ano. Hoje, a classe média já representa 53% da população brasileira, o equivalente a 104 milhões de pessoas. Com essa inclusão à classe C, disse o ministro, o Brasil será em 2020 o quinto maior mercado consumidor do mundo. E isso se deve às medidas econômicas destinadas a reaquecer a economia, sem que o governo tenha de abrir mão de manter suas políticas sociais inclusivas implantadas pelas gestões do PT a partir de 2003 com o presidente Lula e que continuam no governo da presidenta Dilma.

“Haverá também aumento das classes A e B e diminuição do contingente que integra as classes D e E. O Brasil será, em 2020, o quinto maior mercado de consumo do mundo, alimentado por emprego, mobilidade social e crédito”, disse o ministro, acrescentando que o Brasil tem “um mercado interno que não pára de crescer, com uma classe média que cresce e que continuará crescendo”.

O ministro reconheceu que os presidentes das multinacionais francesas lhe perguntaram sobre os custos trabalhistas. Mantega explicou que detalhou aos empresários que o Brasil tem conseguido reduzir os custos da mão-de-obra ao promover desoneração de impostos incidentes sobre o trabalho e que os salários estão em crescimento justamente pelo potencial do mercado interno. A situação brasileira é favorável de tal forma que apesar de a economia ter apresentado um crescimento modesto, não houve demissões e a massa salarial subiu, impulsionada pela melhoria da qualidade dos empregos.

Europa

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Mantega alertou que a tendência é que a Europa ainda se mantenha, nos próximos três anos, sob os efeitos da crise econômica internacional.  “Pode-se pensar em dois ou três anos para sair do problema”, disse. “O mercado europeu vai continuar estagnado nos próximos anos”, acrescentou, ao citar questões pendentes e atrasos em ativar em alguns mecanismos de superação da crise.

Diante desta perspectiva, Mantega disse que os chamados países emergentes terão que se preparar para enfrentar a situação. “Não podemos contar com a recuperação do mercado europeu no curto prazo. Esse mercado vai ficar estagnado nos próximos anos”.

Após se reunir com o ministro de Finanças da França, Pierre Moscovici, Mantega cobrou rapidez na resolução da crise na zona do euro. “Vejo que as decisões demoram em serem tomadas e os instrumentos demoram para entrar em funcionamento. Isso é um problema”, observou, referindo-se especificamente ao mecanismo europeu de estabilidade, um fundo de resgate para os países mais problemáticos. Já o ministro francês afirmou que a Europa vê “uma luz no fim do túnel”. “Há várias notícias que nos permitem pensar que o retorno à estabilidade e, em seguida, ao crescimento econômico, é possível”, disse Moscovici.

FED

Para Mantega, a decisão do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, de comprar títulos de sua própria dívida mobiliária prejudica os países emergentes, como o Brasil, já que provoca um impacto sobre o câmbio entre o dólar e o real.

Quando o BC norte-americano compra os títulos que estão no mercado, acaba injetando uma quantidade excessiva de dólares na economia. E esses dólares seguem para investimentos, muitos deles são direcionados para os países emergentes como o Brasil. O efeito prático é que, quando o dólar entra no Brasil, o real se valoriza ante o dólar.

Mantega acredita que depois das eleições norte-americanas, o governo dos Estados Unidos vai pôr em marcha uma política fiscal para estimular a atividade e o consumo.

Mantega segue amanhã (20/09) para Londres, no Reino Unido, onde participará de uma conferência promovida pela revista britânica “The Economist” sobre os mercados que crescem mais rápido no mundo – o Brasil entre eles.

Com Agências de Notícias

Confira a apresentação do ministro Guido Mantega

Foto interna: noticiasrss

Foto home: AFP 

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