Na mídia: Emir Sader diz que a imprensa tratou o PT de forma equivocada

:: Da redação13 de maio de 2013 15:24

Na mídia: Emir Sader diz que a imprensa tratou o PT de forma equivocada

:: Da redação13 de maio de 2013

Sader avalia que os governos petistas deram
certo por conta basicamente dos investimentos
em políticas sociais

Um dos sociólogos mais respeitados do Brasil, Emir Sader lança, nesta segunda-feira (13), uma cuidadosa e alentada avaliação dos governos petistas. Para ele, um governo que deu certo e que foi tratado de forma totalmente equivocada pela grande imprensa. Ele insiste na tese de que o modelo de privatizações defendido e consolidado pelo ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso foi o maior escândalo de corrupção do País.

Em entrevista exclusiva ao Portal 247, Sader diz que este é um “bom momento” para se fazer um balanço da gestão Lula e dos dois primeiros anos da presidente Dilma Rousseff. Ele avalia que os governos petistas deram certo por conta basicamente dos investimentos em políticas sociais. “É um processo que transformou tanto o Brasil e provavelmente vai continuar transformando”. Para o sociólogo, o julgamento do chamado “mensalão” não passou “de um espetáculo midiático”.

O lançamento do livro “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil” contará com a presença de Lula, de Emir Sader, da filósofa Marilena Chauí e do economista Marcio Pochmann. Os dois últimos têm textos publicados na coletânea de análises sobre o período, que traz também uma entrevista inédita com o ex-presidente. A presidenta Dilma Rousseff também participará do evento.

 

Leia abaixo, os principais trechos da conversa com Emir Sader:

Como foi feita a seleção de textos que estão no livro?

Emir Sader:Esse é um bom momento para se fazer um balanço do governo Lula, sobre governos que deram certo. É um processo que transformou tanto o Brasil e provavelmente vai continuar transformando, por isso necessita de reflexões sobre as transformações que foram feitas, por que foram feitas, por que não foram feitas. Os autores dos textos são pessoas que estão identificadas com esse processo, alguns com pontos de vista mais reflexivos, outros mais críticos mesmo.
 

Em que sentido essa entrevista inédita com o ex-presidente Lula se mostra mais reveladora? O que é mais surpreendente?

Ele está articulando agora uma visão mais global em relação ao governo. Não tem em particular nada que seja revelador, embora tenha aspectos muito importantes. Em geral ele está articulando sobre a transformação do que foi feito.
 

Qual sua avaliação sobre esses dez últimos anos de governo?

É um governo que deu certo, que tem se colocado como tema principal, priorizado políticas sociais, sempre passando por adaptações. O Brasil sempre foi conhecido como o país mais igual do continente mais desigual.
 

Em um trecho da entrevista, Lula diz que o melhor a se fazer, num certo momento do governo, era parar de ler jornal e assistir televisão. Você considera que foi uma decisão radical do ex-presidente?

Não, no momento foi importante. Tem gente que acaba sendo pautado pela mídia, acaba governando baseado na mídia. Se eles fossem representantes da maioria, ainda vá lá, mas eles são representantes da minoria. É um lobby privado.
 

Qual sua opinião sobre o tratamento que a imprensa deu ao governo Lula? E agora, ao governo Dilma?

É um tratamento equivocado. No começo, equivocaram as políticas que o Lula tinha implementado. Depois, acabaram tendo que se render a elas.
 

A presidente Dilma é uma sucessora à altura de Lula?

Como liderança popular é difícil, porque o Lula só tem páreo com Getúlio [Vargas]. Agora como estadista, governante, sim.
 

Como você vê a denúncia do chamado ‘mensalão’ e o julgamento no STF?

O que quer que tenham sido fatos concretos, eles foram superdimensionados. O maior caso de corrupção no Brasil não foi este, foram as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. Claramente é uma manipulação. Se não fosse isso, não haveria esse show midiático que o Supremo Tribunal Federal promoveu. E que acabou enfraquecendo. O STF escolheu um calendário eleitoral, uma coisa absurda, que acabou tirando sua credibilidade.
 

O que significaria, a seu ver, a inclusão do ex-presidente na acusação?

Tudo manipulação midiática. Eu faço uma denúncia qualquer sem fundamento, chega à mídia e ganha eco. Qual é a credibilidade que o [empresário] Marcos Valério tem pra falar de denúncias que ele próprio está sendo condenado?
 

Qual a expectativa para 2014?

Acho que a Dilma tem possibilidades ótimas de ser reeleita. Enfrentar problemas estruturais que até agora não foram resolvidos. Tem que fortalecer a auto-suficiência alimentar, a pequena e média empresa no campo, democratizar os meios de comunicação e, como um quarto ponto eu destacaria a democratização do processo eleitoral. A via vai ter que ser essa mesma que o PT apoia, com um referendo final com a população, não só com os que foram eleitos.

 

Com informações do Portal 247

Foto: Instituto Lula

 

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