Na mídia: Falcão pontua definições da reunião da direção do PT

:: Da redação23 de julho de 2013 18:43

Na mídia: Falcão pontua definições da reunião da direção do PT

:: Da redação23 de julho de 2013

 

“Não considero o plebiscito questão liquidada”

O encontro do Diretório Nacional do PT, realizado no último sábado (20/07) deu origem a um documento que ainda está sendo revisado, para posterior aprovação dos dirigentes do partido.

Na última segunda-feira (22/07), entretanto, partes do documento ainda não concluído vazaram para a imprensa, abrindo margens para interpretações e conotações que não correspondem  ao que efetivamente foi debatido.

Para dirimir eventuais dúvidas originadas pelo vazamento do documento, e tentar corrigir os erros que sua repercussão começa a produzir nos jornais desta terça-feira, o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, concedeu entrevista ao repórter Cristian Klein, do Valor Econômico, pontuando alguns dos temas debatidos no encontro.

Nos parágrafos seguintes, estão os temas apontados e o que é atribuído a Rui Falcão, seguindo a mesma ordem da publicação da reportagem.

Candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos

Primeiro esta possibilidade não está posta ainda, mas o que nós vamos estabelecer – e já estabelecemos – é que em todos os Estados haverá pelo menos um palanque para a candidatura da Dilma. Pelo menos um. Em outros lugares, pode ter dois, três. Nunca um Estado sem palanque”. (…)

“Não é por causa de Eduardo Campos – podemos ter palanque com ele lá, com o Cid Gomes…”

Participação do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, numa eventual candidatura de Eduardo Campos

“O governador me procurou para dizer que, mesmo que Eduardo Campos seja candidato – não fui eu que o procurei, foi ele que me procurou – vai ter palanque para a Dilma lá.”

“Não disse que vai apoiar a Dilma, mas que a Dilma vai ter palanque. (…) Ele não fará palanque para ninguém. Porque ele vai estar comprometido com o PT, com o PMDB e tal.”

Pré-candidatura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo do Estado de São Paulo

O diretório estadual quer ter uma definição de candidaturas até 10 de agosto. Vai realizar inclusive encontro em Bauru, nos dias 8 e 9. (…) Tudo estava encaminhando para que o ministro Padilha fosse o nosso candidato, pela qualidade dele e pelo tipo de adesão que ele já conquistou em São Paulo. Com as manifestações, houve uma espécie de interrupção, não só da definição de São Paulo mas também do movimento de consolidação de alianças em outros Estados.”

Influência do programa Mais Médicos na candidatura do ministro Alexandre Padilha

O Mais Médicos já está em andamento. Longe de ser um fator que impedisse a candidatura do Padilha, pode ser um fator que reforce. Porque o famoso debate de que ele precisaria de uma marca… esta seria uma marca.”

Influência das manifestações de rua sobre as candidaturas do PT

“Não estamos retomando com outras candidaturas. Por exemplo: o pessoal parou de falar da candidatura do senador Lindbergh Farias, se vai retirá-la, se não vai retirá-la… Nós sempre falamos que é uma candidatura para valer. Irreversível. O que as manifestações afetaram a candidatura Lindbergh? Afetaram positivamente. No caso do Padilha, nem positivamente, nem negativamente.”

Influência dos protestos no PT

“Acho que nos levou a fazer uma reflexão maior sobre as nossas formas de contato com a população, de que a gente deveria estar cada dia mais junto dos movimentos sociais, porque nós os consideramos nossa linha de frente e nossa retaguarda estratégica. Eu fiz um esforço muito grande para estar mais presente nas atividades dos sem-terra. Fui, há cerca de um mês, a uma reunião da coordenação deles de todo o país, aqui em Guararema. Pedi que a presidenta os recebesse, e ela os recebeu. Tenho mantido contatos sistemáticos com a direção da CUT. Com a Juventude do PT também temos nos reunido com mais frequência. Estamos apoiando a realização da segunda Jornada de Lutas da Juventude, prevista para 28 de agosto a 7 de setembro. Deu uma boa sacudida no PT com relação a isso aos movimentos sociais.

As manifestações tornaram o PT mais mobilizado para os movimentos sociais.”

Críticas da base aliada sobre o distanciamento da presidenta Dilma Rousseff e reflexos das manifestações

“Depois das manifestações, a presidenta iniciou uma série de contatos e audiências, com vários setores da sociedade, com os partidos políticos e com o próprio PT também. Se reclamação pudesse haver, seria ao período anterior. Não agora, que os contatos têm sido diários. Na sexta-feira mesmo (19/07), ela esteve com o movimento negro, com setores empresariais, mas já havia recebido o pessoal do campo, dos movimentos dos sem-terra, de moradia, de juventude, da comunidade LGBT, a coordenação da bancada do PT, os presidentes dos partidos.”

“Ela, como sempre, ouviu e passou a ouvir mais ainda. E nos disse, agora na carta ao diretório nacional, que além de ouvir é preciso fazer.”

Financiamento para grandes empresas brasileiras enfrentarem os grandes conglomerados estrangeiros

“Não sou eu quem escolho. Isso é uma política do BNDES e tem outras empresas bem-sucedidas. (…) O fato é que estamos com a economia, comparativamente a outras, bem situada; a inflação neste mês tem curva de declínio; a geração de empregos continua firme; a valorização do dólar, se por um lado, poderia funcionar como fator de pressão sobre a inflação, por outro lado, abriu caminho para dar mais competitividade nas nossas exportações. Então, o que está mais na ordem do dia é viabilizar estes cinco pactos que a presidenta apresentou ao país: a estabilidade fiscal, a melhora na saúde, educação e mobilidade urbana e o cerne, que é o pacto contra a corrupção e a favor da reforma política via plebiscito. Essa é a questão hoje que mobiliza o país e atende à famosa voz das ruas.”

Plebiscito para a reforma política

“Não considero a questão liquidada. Temos a possibilidade do decreto legislativo, com 171 assinaturas, os prazos são viáveis, e você pode colocar, seja pelo Congresso, seja por iniciativa popular, que o plebiscito consulte a população se ela quer ou não a Constituinte exclusiva.”

Constituinte

“Na nossa proposta de emenda [à Constituição] por projeto de iniciativa popular, que está na praça desde 1º de maio, um dos itens é a convocação de uma Constituinte exclusiva. O ex-presidente Fernando Henrique, em 1998, propôs uma Constituinte exclusiva – depois foi dissuadido – para as reformas tributária, política e do Judiciário. Itamar propôs também. Então, você não convoca Constituinte só em momentos de ruptura.”

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