Na mídia: Governo tem expectativa positiva em relação à economia

Matéria “BC retoma tom otimista e vê avanços no curto prazo”, do Valor Econômico diz que, para o governo, medidas levarão ao crescimento 4% em 2013.

:: Da redação17 de julho de 2012 14:15

Na mídia: Governo tem expectativa positiva em relação à economia

:: Da redação17 de julho de 2012

Analistas brigam com os números sobre o PIB

A análise imediatista sobre os rumos da economia está provocando uma verdadeira briga entre economistas/analistas de contas públicas com os números da vida real da economia. Nesta terça-feira (17/07) o jornal O Globo brindou seus leitores com uma manchete alarmante e imediatista sobre como o mercado – ele mesmo – vê o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB): “Boletim do BC já aponta PIB abaixo de 2% este ano”. Se a matéria alerta para um crescimento menor, pelo menos abordou uma projeção na linha oposta, também divulgada ontem e que vem do Fundo Monetário Internacional (FMI): o Brasil deve crescer este ano 2,5% – o Focus estima abaixo de 2% – e para o ano que vem o FMI estima que enquanto as economias do mundo vão encolher o Brasil deve crescer mais. Nessa linha, realista, o contraponto veio do Valor Econômico, cuja manchete é totalmente diversa da manchete de O Globo: “BC retoma tom otimista e vê avanços no curto prazo”.

A matéria que pode ser lida na íntegra, de autoria da jornalista Claudia Safatle, mostra que o BC – e não o Boletim Focus – retomou o tom otimista porque o conjunto de estímulos monetários, fiscais e pontuais adotado nos últimos meses levará a economia brasileira a um crescimento anualizado de 4% no último trimestre do ano, 1% acima do crescimento a ser verificado no terceiro trimestre. Com a inflação dentro do centro da meta, de 4,5%, Claudia Safatle observa que a inadimplência inicia uma rota de queda e os juros mais baixos associados à desvalorização do câmbio – e um novo pacote de investimentos a ser anunciado em agosto pela presidenta Dilma -, formam o elenco de iniciativas que garantirá um crescimento do PIB de 4% em 2013.

Também a manchete do Estado de S. Paulo “Aumento de despesas do governo dobra no semestre” pinta um cenário negativo, principalmente vindo do economista Mansueto Almeida. O aumento das despesas foi puxado basicamente pela conta de aposentadorias, pela política de reajuste do salário mínimo. A comparação das despesas do governo com os investimentos do PAC é quase alegórica e o próprio economista, numa corrente contrária, faz um elogio: “o gasto de custeio cresce por causa de políticas bem intencionadas, não é por causa de roubo ou de gastos excessivos com passagens aéreas”, disse Mansueto. Segundo o jornal, os gastos com viagens, aliás, caíram quase R$ 170 milhões em relação aos gastos de 2011.

Ao comparar o aumento das despesas com os investimentos do PAC, o leitor comum dos jornais é induzido a se confundir. Isto, porque há duas formas de interpretar as contas públicas. Uma, como a que foi utilizada pelo Estadão, dá um tratamento de despesa para os investimentos do governo no Programa Minha Casa Minha Vida. Outra, usada pelo governo, entende que o dinheiro empregado na construção de moradias que serão ocupadas pelos brasileiros que engrossavam as estatísticas do déficit habitacional é um investimento, na sua abrangência, social. Daí a discrepância. Quanto ao imediatismo sobre a previsão do mercado, recomenda-se esperar os efeitos das medidas anticíclicas a partir de agora.

Marcello Antunes

Confira matéria do jornal Valor Econômico, de autoria da jornalista Claudia Safatle

BC retoma tom otimista e vê avanços no curto prazo

Por Claudia Safatle | De Brasília

Na avaliação do governo, o mercado está com um prognóstico inflado da taxa de inflação para o primeiro trimestre do próximo ano, de 1,8% conforme pesquisa do Banco Central. Essa seria uma das razões para a projeção do IPCA estar em 5,5%, um ponto percentual acima do centro da meta, para 2013.

Apesar de a expectativa do BC, no cenário de referência para 2013, projetar um IPCA de 4,9% para uma taxa Selic de 8,5% ao ano, a variação do IPCA não deve escapar da meta no ano que vem e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que começaria os dois primeiros trimestres em 4,6%, convergiria para o patamar de 4% nos trimestres seguintes, fechando o exercício muito próximo a essa performance.

O cenário externo continuará desinflacionário, as economias maduras vão crescer muito pouco em 2013 sobre uma base pequena de 2012, mas não se espera mais um acidente de percurso ou um evento dramático na zona do euro. O risco está se diluindo. Para a desaceleração da China, a estimativa é de pouso suave e crescimento ainda no patamar de 7%.

Nesse sentido, o BC coloca menor peso na crise externa hoje do que no seu balanço de risco do ano passado e dos primeiros meses deste ano. A grande incógnita é como o governo americano resolverá, em 2013, um problema fiscal que tem a dimensão de cerca de 4% do PIB e que terá que ter uma resposta do Congresso no início de 2013.

Para o governo brasileiro, a retomada do crescimento do país está contratada e o que ocorre é uma maior lentidão nos efeitos das medidas tomadas desde o ano passado, velocidade que teria sido afetada pelas imensas incertezas externas.

Com taxas de juros reais bem mais baixas, desvalorização do câmbio, pleno emprego, crescimento da massa salarial, novas concessões de serviços públicos para o setor privado e redução da inadimplência a partir do último trimestre deste ano, há um novo mix de política macroeconômica e chances reais de a economia brasileira começar a entrar num ciclo de retomada da expansão da atividade. Esse ciclo – e vigorando um novo mix de política macroeconômica – seria puxado pelo aumento moderado do consumo – possível a partir da diminuição das taxas de inadimplência – e do investimento.

Com a taxa Selic na casa dos 7%, avaliam fontes do governo, abrem-se novas oportunidades no mercado de capitais, sobretudo para colocação de papéis de renda fixa do setor privado. Discute-se, também, a desindexação da indústria de fundos DIs para algo na linha de taxas de juros flutuantes.

Valor Econômico 

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