Necropolítica pública

Não temos um ministro, mas um “omisso da Saúde”, critica Humberto

Senador observou que o país assiste à volta de doenças que estavam fora da realidade ou controladas, como o sarampo
:: Assessoria do senador Humberto Costa18 de setembro de 2019 16:24

Não temos um ministro, mas um “omisso da Saúde”, critica Humberto

:: Assessoria do senador Humberto Costa18 de setembro de 2019

Enquanto o governo planeja cortar bilhões de reais do orçamento da saúde em 2020, com reflexo direto na vida diária da população, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), cobra um posicionamento do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Nesta quarta-feira (18), o senador afirmou que Mandetta tem sido absolutamente omisso diante dos cortes e também da “necropolítica” implementada por Bolsonaro.

Apesar de ressaltar que considera o ministro um “profissional experiente”, Humberto avalia que ele tem feito uma gestão pífia, sofrível e apagada em meio ao governo que agride a saúde pública todos os dias.

“A redução de recursos na área é uma política de Estado desse governo para estrangular o SUS e forçar a população a buscar a rede privada por meio de caros planos de saúde. Sem dinheiro público, ambulâncias do Samu deixam de circular, faltam leitos nas UTIs, o fornecimento de remédios é interrompido, cirurgias são suspensas e o programa de vacinação é desmontado”, lamentou.

O parlamentar observou que o país assiste, incrédulo, à volta de doenças que há anos estavam fora da realidade ou absolutamente controladas. Ele citou o surto violento de sarampo, com mais de 3 mil casos confirmados. “E o que faz o governo? Corta em R$ 400 milhões os investimentos em compra e distribuição de vacinas. É um crime, especialmente contra as crianças”, disparou.

O líder do PT no Senado lembrou de várias medidas anunciadas pelo governo que não receberam qualquer crítica do ministro da Saúde, como a liberação recorde de agrotóxicos, os decretos presidenciais que liberam armas e munições, a alteração de regras de trânsito que fragilizam a segurança nas estradas, a possível diminuição do imposto do cigarro, a explosão do número de casos de infectados com HIV e o sumiço de remédios de distribuição gratuita.

“Antigamente, se falava em ‘o ministro’ da Saúde. Agora, temos ‘o omisso’ da Saúde. Ele perdeu diversas chances de criticar essa necropolítica do governo. E ainda deve ser premiado com uma demissão”, declarou Humberto.

O senador fez questão de lembrar que o caos na saúde pública é consequência, também, da aprovação da chamada PEC do Fim do Mundo, que impôs um teto aos gastos públicos. Ele observou que os apoiadores da medida diziam que não haveria redução à saúde.

“Hoje, resultados trágicos estão aí para que quem votou por aquela nefasta proposta possa conferir o imenso mal feito aos brasileiros. E, com Bolsonaro, a saúde pública no país vai perder mais bilhões de reais. Para o ano que vem, estão previstos R$ 113 bilhões à área, uma queda real de 5% em comparação com três anos atrás, antes da PEC. Isso significa uma intensificação no quadro de caos em que já vive a nossa população”, comentou.

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