Bancada do PT

Revisão dos acordos EUA-Cuba é retrocesso injustificável

Bancada repudia a atitude do governo golpista que mantêm-se em silêncio cúmplice, revelando, dessa forma, sua opção pela subserviência às novas diretrizes intervencionistas e retrógradas do governo Trump.
:: Da redação17 de junho de 2017 12:20

Revisão dos acordos EUA-Cuba é retrocesso injustificável

:: Da redação17 de junho de 2017

A Bancada do PT no Senado vê com extrema preocupação e grande desapontamento a decisão de governo Trump de rever os acordos de reaproximação entre os EUA e Cuba, firmados pelo governo Obama, com o apoio do Papa Francisco e da maior parte da comunidade latino-americana e mundial.

Tais acordos tinham posto fim, na prática, ao grotesco, ilegal e inútil embargo que os EUA impuseram a Cuba por mais de 50 anos, impondo grande sofrimento ao povo cubano. Ao fazê-lo, a administração de Barack tinha colocado em novo patamar mais respeitoso não apenas as suas relações com Cuba, mas as suas relações com toda a América Latina.

Entretanto, a revisão, ainda que parcial, de tais acordos pelo governo Trump faz retroceder a política norte-americana para a nossa região aos tristes tempos da Guerra Fria, quando o poder imperial norte-americano interveio, inclusive no Brasil, para destruir democracias progressistas e implantar ditaduras amigáveis aos seus interesses.

Trata-se, assim, de um retrocesso injustificável, que desaponta o mundo civilizado e obtém o aplauso de somente uma ínfima minoria de imigrantes cubanos de Miami. Observamos que, em seu discurso francamente reacionário e retrógado, que faz ecos a pronunciamentos feitos na década de 1960, Trump menciona a Venezuela, como um perigo, junto com Cuba, às “liberdades” no hemisfério americano, o que sinaliza o regresso a novas intervenções no continente.

A Bancada salienta, a esse respeito, que o governo golpista parecer estar se aliando ao governo dos EUA em sua nova política intervencionista no nosso continente. Assim, o governo ilegítimo acertou a realização de exercícios militares na Amazônia com os EUA, algo inédito em nossa história militar. Esse convite a uma superpotência estrangeira, que não faz parte da Bacia Hidrográfica da Amazônia, representa um ponto fora da curva na tradição de afirmação da soberania nacional numa região estratégica para o país e revela intenção geopolítica de dividir os países da América do Sul, isolando a Venezuela e outros países “bolivarianos” e destruindo todos os esforços em prol da integração regional, plasmados no Mercosul e  na Unasul.

Por último, a Bancada repudia a atitude do governo golpista, que, ante esse retrocesso chocante, mantêm-se em silêncio cúmplice, revelando, dessa forma, sua opção pela subserviência às novas diretrizes intervencionistas e retrógradas do governo Trump.

 

Brasília, 17 de junho de 2017,
Lindbergh Farias (RJ)
Líder da Bancada do PT no Senado

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