Democracia

O porvir com um eventual Bolsonaro II, por Beto Faro

Alessandro Dantas

O porvir com um eventual Bolsonaro II, por Beto Faro

Beto Faro alerta para riscos à democracia e aos direito sociais com escalada da extrema direita

Concluído o primeiro turno das eleições de 2026, a extrema direita ascendeu a uma posição de hegemonia política no Brasil jamais observada em tempos de democracia. Em decorrência, afora os múltiplos cenários sombrios, o Brasil passará a estar sob riscos extremos para a democracia, especialmente com a eventual vitória da extrema direita, também para a presidência da República.

Torcendo ardorosamente para que não aconteça, com tal desfecho para a presidência, seria iminente um novo desmanche das políticas sociais e de transferência de renda, bem assim, o retorno da exclusão histórica das minorias étnicas, da classe média baixa e das faixas mais pobres da população.

Cantando vitória antes do tempo, Flavio Bolsonaro e ‘entourage’ já anunciaram que o “correntão” será acionado de imediato. Já comunicaram o “tesouraço” traduzido em um corte gigantesco nos gastos do governo estimado em 250 bilhões de Reais.

Faria uma pergunta aos eleitores bolsonaristas: tudo bem que o ‘tesouraço’ tenha os pobres como alvo? Alguém medianamente informado acreditaria que a tesoura atingiria as benesses públicas bilionárias aos ricos e às classes políticas dominantes?

Além disso, o “tesouraço” é uma inspiração; uma réplica da ‘largada’ do governo do descerebrado e aloprado presidente do nosso vizinho do extremo sul que dentre outros inúmeros desastres conseguiu a proeza de colocar 38.2% da população argentina em condições de pobreza e de extrema pobreza. Nessa toada o governo de extrema direita na Argentina, exaltado por Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, colocou 44,5% das crianças de até 14 anos daquele país amigo, em situação abaixo da linha da pobreza. Uma tragédia social num país que entre o final do século XIX e o início do século XX foi tido como um dos mais ricos do mundo.

Também já anteciparam que, na melhor das hipóteses, o salário mínimo e benefícios previdenciários serão corrigidos pela inflação, portanto, sem ganhos reais como ocorre no governo Lula.

Em vídeo, Flávio Bolsonaro anunciou ‘privatização terra arrasada’ ao declarar que esse programa, de interesse do capital estrangeiro, ‘torrará’, pelo menos, 95% das empresas públicas e sociedades de econ0mia mista. Atentem para o que acontece no Brasil com os preços dos combustíveis após a privatização da BR Distribuidora no Bolsonaro1!

Todos sabemos que após décadas em tramitação no Congresso, o esforço hercúleo do presidente Lula fez viabilizar a reforma tributária que passa a entrar em vigor no próximo ano. Com a reforma, a cesta básica passa a ter imposto zero e não haverá mais desigualdade tributária de gênero. À medida que também com a reforma, os muito ricos e especuladores passarão a pagar impostos, alguém duvida dos propósitos de Flavio Bolsonaro com as anunciadas mudanças num regime tributário que sequer entrou em execução? Para compensar os benefícios aos poderosos alguém também tem dúvidas sobre quem pagará a conta?

Populações indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos, pescadores artesanais, agricultores familiares: o que esperar de um eventual Bolsonaro II? De plano, a extinção do MDA; depois, ‘de volta para o passado’ de exclusão!

Os minerais críticos e terras raras serão explorados e industrializados como base de um passaporte para o futuro do Brasil como já está desenhado no governo Lula, ou seremos o quintal, com uma mina, para os Estados Unidos?

Não tenham dúvida: todo o esforço do Brasil no enfrentamento da crise climática, incluindo os compromissos do país no âmbito do Acordo de Paris será jogado no lixo. A boiada voltaria a passar tangida por grileiros e latifundiários e reinaugurado novo ciclo de devastação da Amazônia. Sobretudo, para quem é comprometido com a resistência democrática no Brasil, o que você prefere? A suposta redemocratização do Brasil com a reforma constitucional de Flávio Bolsonaro, que tem como ídolo e referência o coronel Carlos Brilhante Ustra, o mais célebre torturador da ditadura de 64, ou a atual “ditadura fake” do Lula que foi encarcerado pelo regime militar por sua luta pela democracia?

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