O que nos motiva é o projeto de país que construímos até aqui, diz Gleisi

:: Da redação29 de fevereiro de 2016 17:39

O que nos motiva é o projeto de país que construímos até aqui, diz Gleisi

:: Da redação29 de fevereiro de 2016

Gleisi: “Nem Dilma, nem o governo, nem o PT tem direito a radicalizações ou rupturas”Nesta semana, em seu artigo, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) analisa o papel de um governante eleito após o processo eleitoral e aponta que, apesar de um governante eleito governar para todos, um candidato e um programa de governo saem vitoriosos.

Porém, no Brasil, segundo Gleisi, dificilmente se ganha as eleições, principalmente tratando-se da Presidência da República, com apenas um partido.

“Daí a importância das alianças, que agregam ideias coincidentes, não hegemônicas ou idênticas. Isso quer dizer que no governo essa coalizão vitoriosa também irá se manifestar e disputará, entre si, o programa de governo vitorioso, puxando-o mais para um lado do que para o outro”, disse.

A senadora aponta que o governo da presidenta Dilma tem, e sempre teve, lado. O lado da inclusão social.

Apesar da situação atual, Gleisi avalia que, nem Dilma, nem o governo, nem o PT tem direito a radicalizações ou rupturas. “Temos o governo mais longevo da história recente, e isso exige de todos nós maturidade. Devemos, mais do que ninguém, saber para quem governamos, assim como também devemos saber que um governo, para avançar, faz mediações”, avaliou.

Além disso, a senadora avalia que, apesar do massacre e desconstrução midiática que tem sofrido, o presidente Lula continua com visão política clara: “Esse governo é nosso! E nós temos responsabilidade de ajudar, discutir, de compartilhar e encontrar saídas… Vamos divergir o que tiver que divergir, falar o que tem que falar! Dilma tem que ter certeza de que, por mais que tenha discordância, o lado dela é esse”, destacou.

Confira a íntegra do artigo:

Para quem se governa?

Nas democracias, após o processo eleitoral, o governante eleito deve governar para todos, sem dúvida alguma. Entretanto, como as eleições são um processo de escolha entre candidatos e programas, um sai vitorioso. É esse que deve dar a linha ao governo, estabelecer suas prioridades. Caso contrário, não teríamos uma disputa eleitoral e sim uma formatação consensual.

Numa disputa eleitoral dificilmente se ganha, principalmente tratando-se de presidência da República no Brasil, com um único partido. Daí a importância das alianças, que agregam ideias coincidentes, não hegemônicas ou idênticas. Isso quer dizer que no governo essa coalizão vitoriosa também irá se manifestar e disputará, entre si, o programa de governo vitorioso, puxando-o mais para um lado do que para o outro.

Assim, torna-se mais necessário ainda ter consciência do que foi a linha mestra que deu vitória nas urnas, para não ficar à deriva das disputas internas, estimulando a oposição a querer interferir nos rumos do governo e fortalecer suas posições.

O governo da presidenta Dilma tem, e sempre teve, lado. A inclusão social é sua marca. Os programas do presidente Lula foram ampliados e aprofundados, como mostra o Brasil Carinhoso, o aumento de famílias beneficiadas pelo Bolsa-Família, as creches, o Pronatec, o Mais Médicos. Na economia, as medidas desenvolvimentistas adotadas no primeiro mandato de seu governo, foram aprofundadas.

Essas medidas, mais tarde chamadas de Nova Matriz Econômica, criticadas e desacreditadas pelo sistema e pela mídia, dão a dimensão do compromisso da presidenta com a ampliação das mudanças pelas quais o Brasil passou. A direção era para juros baixos, desvalorização cambial para fortalecimento da indústria nacional, crédito barato puxado pelos bancos públicos, política fiscal expansionista e medidas para garantir a reindustrialização (tarifa nas importações, investimentos em infraestrutura, concessões, benefícios tributários).

Foram importantes os passos que a presidenta deu à esquerda. Ela explicitou o confronto com o setor financeiro e tomou medidas de grande impacto, avaliando a crise econômica dos Estados Unidos que se espalhava pela Europa. Isso é muito bem avaliado no artigo de André Singer, publicado em julho de 2015: “Cutucando onças com varas curtas”, na Revista Novos Estudos.

Embora avançado, o programa não conseguiu trazer o apoio das forças progressistas, inclusive o apoio de nosso partido, o PT. Todos os dias as críticas cresciam, principalmente na comparação do jeito de governar entre Dilma e Lula. Houve momentos em que realmente parecia que o partido fazia mais críticas que a própria oposição. Por inabilidade política do governo, da presidenta e do partido, as coisas começaram a se deteriorar rapidamente. E chegamos aonde chegamos.

Nem Dilma, nem o governo, nem o PT tem direito a radicalizações ou rupturas. Temos o governo mais longevo da história recente, e isso exige de todos nós maturidade. Devemos, mais do que ninguém, saber para quem governamos, assim como também devemos saber que um governo, para avançar, faz mediações.

Dentro de toda essa confusão política em que estamos metidos, a voz mais sensata continua sendo a de Lula. Apesar do massacre e desconstrução midiática que tem sofrido, continua com visão política clara: “Esse governo é nosso! E nós temos responsabilidade de ajudar, discutir, de compartilhar e encontrar saídas… Vamos divergir o que tiver que divergir, falar o que tem que falar! Dilma tem que ter certeza de que, por mais que tenha discordância, o lado dela é esse!”

 

Sem confrontos e queda de braços. O que nos motiva é o projeto de país que construímos até aqui, a responsabilidade para com o povo brasileiro. O PT e as forças progressistas têm de dar sustentação ao governo, e a presidenta Dilma tem de conduzir seu governo, ainda que fragilizada politicamente, baseada no programa que lhe deu a eleição! Tem de governar para o povo, não para o “mercado”!

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