Observatório da Imprensa condena relações da mídia com bicheiro

Texto de Luciano Martins Costa, do Observatório, alerta: reação corporativa da mídia irá contaminar noticiário sobre a CPMI.

:: Da redação9 de maio de 2012 13:49

Observatório da Imprensa condena relações da mídia com bicheiro

:: Da redação9 de maio de 2012

O jornalista Luciano Martins Costa assina hoje, no site Observatório da Imprensa, o texto “A imprensa e o bicheiro”, no qual alerta: a reportagem de capa da revista Carta Capital, comparando o magnata australiano Rupert Murdoch, dono do maior conglomerado de mídia do mundo, com Robert Civita, proprietário da Editora Abril, detonou a reação corporativa da mídia tupiniquim pelas penas do O Globo com o editorial “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”. “Os leitores podem estar certos de que essa questão irá contaminar todo o noticiário sobre o escândalo daqui para a frente”, diz Luciano Martins Costa.

Nenhum outro representante da grande imprensa foi flagrado pela Polícia Federal em relações tão estreitas com a organização criminosa de Carlos Cachoeira como o diretor da direção da revista Veja de Brasília, Policarpo Jr., escreve Luciano Martins Costa, lembrando os cerca de 200 telefonemas trocados entre Policarpo e integrantes da quadrilha. Essa evidência, ainda não explicada pela revista, diz ainda o artigo não impediu que o grupo Globo superasse “históricas divergências” para sair em defesa da Abril. “Praticamente todos os grandes órgãos da imprensa se utilizaram em alguma medida de sugestões e informações vazadas pelo grupo de Carlos Cachoeira durante os escândalos seguidos que fizeram a alegria das redações nos últimos anos”, aponta. Mas, adverte, que “a defesa da revista Veja, que alega ter apenas utilizado o bicheiro como informante eventual, não resiste à cotização com o senso comum: duzentos telefonemas representam um vínculo muito profundo e de plena confiança para se tratar apenas da relação eventual entre fonte e jornalista”.

(…)

“Que o grupo Abril tenha optado pelo suicídio ao permitir que sua principal publicação jornalística afundasse no jornalismo unilateral seria apenas uma opção de negócio. Mas a situação se torna mais interessante quando outros grupos de comunicação, ignorando seu dever de investigar as suspeitas de relações privilegiadas entre Veja e o bicheiro, tomam partido antes de iniciada a investigação.

“O que já não se pode negar é que o jornalismo declaratório e alimentado por vazamentos de informações acabou envolvido e manipulado por um bicheiro de quinta categoria.

É o fundo do poço, ou ainda há mais a ser escavado?”

Leia, nas íntegras:

A imprensa e o bicheiroObservatório da Imprensa

Roberto Civita não é Rupert Murdoch – Editorial – O Globo– 08/05/2012

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