Desastre planejado

Governo Bolsonaro cortou 16% do orçamento da Educação em 2019

Cortes atingiram investimentos e custeio, como bolsas de estudo, manutenção de universidades e hospitais-escola
:: Cyntia Campos31 de janeiro de 2020 14:37

Governo Bolsonaro cortou 16% do orçamento da Educação em 2019

:: Cyntia Campos31 de janeiro de 2020

No primeiro ano do governo Bolsonaro, o orçamento da Educação sofreu um corte de 16%. É o que revela o resultado final das contas do governo, divulgado na última quinta-feira (30) pelo Tesouro.

Os cortes atingiram as chamadas despesas discricionárias — investimentos e custeio —, como bolsas de estudo, manutenção de universidades e hospitais-escola, por exemplo. Segundo o Tesouro, o baque orçamentário na Educação foi de R$ 3,22 bilhões, só na área de investimentos.

Além disso, a desastrosa gestão no Ministério da Educação — que trocou de titular da Pasta no começo de abril, aos três meses de governo — impediu que fossem usados até mesmo recursos disponíveis. Nada menos do que R$ 4,5 bilhões do Orçamento do MEC deixaram de ser gastos em 2019 por trapalhadas administrativas

Leia mais: Educação: cai o desastrado, entra um gerente de banco 

Crime premeditado
“Acabar com a educação é um crime premeditado por Bolsonaro e seus ministros”, resume o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Um exemplo é a “balbúrdia” registrada no Enem, “consequência do descaso e desrespeito do governo com o futuro dos milhões de estudantes”.

Para Humberto, a história de sucesso do Enem, construída ao longo de mais de duas décadas, especialmente nos 13 anos de governos do PT, está em risco com Bolsonaro e seu ministro da Abraham Weintraub “o pior ministro da Educação de todos os tempos, que tem pouco conhecimento sobre a língua portuguesa. Bolsonaro, Enem passou de exame para vexame”.

Mais uma demissão
Em pouco mais de um ano de governo Bolsonaro, o MEC já viu cair um ministro, um presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e agora vai ter que trocar o Secretário de Educação Superior do MEC. Arnaldo Barbosa de Lima Junior pediu demissão nesta quinta-feira, alegando “motivos pessoais”, em meio ao furacão que sacudiu a credibilidade do Enem 2020.

A demissão mais ruidosa no MEC, porém, foi mesmo a do primeiro titular da Pasta, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, discípulo do astrólogo Olavo de Carvalho. Em apenas 98 dias no cargo, ele colecionou desastres, como o pedido para que alunos do ensino médio e fundamental fossem filmados cantando o Hino Nacional e declamando o slogan de Bolsonaro (“Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”) e a declaração classificando os brasileiros como “canibais que roubam até os assentos dos aviões quando viajam”.

Sem graça
Como no universo de Bolsonaro nada é ruim que não possa piorar, Vélez foi substituído por Abraham Weintraub, que abriu uma verdadeira guerra contra as universidades públicas—acusadas de serem antros de “gente nua, drogas e balbúrdia”.

No que parece ser uma obsessão em ser engraçado — sem sucesso —, Weintraub vem se notabilizando pela longa fila de comentários infelizes no Twitter. Um deles já lhe rendeu uma advertência do Conselho de Ética da Presidência da República, na última terça-feira (28), por falta de decoro. Por unanimidade, o Conselho acatou uma representação do PT contra uma postagem de ministro comparando os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff à cocaína encontrada em um avião da comitiva de Bolsonaro.

 

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