Padilha: financiamento, gestão e mais profissionais são desafios do SUS


Para Padilha, trabalho do senador Humberto
Costa na comissão especial pode ser a saída
para o financiamento do setor

Os três maiores desafios do Sistema Único de Saúde (SUS) são as fontes de financiamento, a questão da gestão e a oferta de profissionais dispostos a entrar e permanecer na rede pública. Esses profissionais, além de conhecer a realidade do povo brasileiro, precisam estar dispostos a estar onde sejam necessários, já que a concentração de médicos nas grandes cidades é infinitamente maior que no interior do País.
A avaliação é do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou, nesta quarta-feira (24), de audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, onde fez um balanço das ações da Pasta desde 2011. Para Padilha, um dos mais grave problemas é a questão do financiamento, que, ele espera, deve ser resolvida com as soluções que virão da comissão especial relatada pelo senador Humberto Costa (PT-PE).
Sobre os problemas com a oferta de profissionais, Padilha disse que formar um profissional voltado para as necessidades da população e da saúde pública requer tempo. Também há dificuldades com a rede de saúde pública. O ministro diz que isso pode ser solucionado com a formação de uma parceria entre as entidades filantrópicas, que têm dívidas significativas com o SUS.  “Poderíamos encontrar uma forma de trocar essas dívidas por mais atendimentos”, sugeriu. Além disso, Padilha defendeu a incorporação ao SUS de médicos formados no exterior. Segundo ele, a relação médico/paciente no Brasil é

humberto

  Duas atuações de Humberto Costa foram
  apontadas como fundamentais para o setor:
  financiamento e a melhoria da gestão dos SUS

pequena: há 1,8 médicos para cada grupo de mil habitantes, mas essa relação é infinitamente menor em regiões remotas. Na Argentina, o número é de 3,6 médicos para cada mil habitantes e no Uruguai, 3,7. Dados do Conselho Federal de Medicina, apresentados pelo ministro, apontam que 1,79% dos profissionais que atuam no Brasil atualmente foram formados em outros países. Segundo Padilha, nos Estados Unidos, de cada quatro médicos que atuam no país, um foi formado fora. No Canadá, esse número é de 17,9%. Na Inglaterra, o número sobe para 37%. “Nós precisamos avançar em programas de intercâmbio como outros países fazem […] Esta Casa [Senado] precisa discutir formas de atrair médicos formados no exterior para atuar nas áreas que precisamos”, disse Padilha. O ministro da Saúde disse que a internação compulsória de dependentes químicos, só em casos extremos Padilha falou dos principais avanços de sua Pasta, como ter atingido as metas do milênio para mortalidade materna e infantil muito antes do prazo estipulado e o aumento significativo no número de transplantes feitos pela rede pública e a cobertura vacinal. Disse que é preciso estar atento ao aumento do número de acidentes de carro e motos que demandam muito do orçamento do SUS e defendeu um detalhe aprofundado sobre a Lei de Responsabilidade Sanitária que está em debate no Congresso Nacional, de autoria do senador Humberto Costa.
Internação compulsória Sobre a polêmica que se formou em torno da necessidade ou não da internação compulsória para dependentes de drogas, como o crack, o ministro da Saúde disse que entende a internação como uma espécie de saída emergencial. “Internação simples e isoladamente não resolve a questão”, sentenciou. Para ele, existe uma lei que permite que pacientes sejam internados, ainda que contra sua vontade, em casos muito específicos: quando ele coloca sua própria vida ou a vida de terceiros em risco.
“Sou a favor desse tipo de internação, como já está previsto na Legislação, mas desde que sejam atendidas as exigências de que a família seja informada, o Ministério Público saiba a tempo e haja uma necessidade real dessa medida extrema”, disse.
Giselle Chassot
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