Para BC, bancos terão que se adaptar a juros e spreads menores

Banco Central diz que o novo cenário apresenta desafios às instituições financeiras e que a redução dos juros básicos favorece queda da inadimplência.

:: Da redação2 de outubro de 2012 20:58

Para BC, bancos terão que se adaptar a juros e spreads menores

:: Da redação2 de outubro de 2012

Na avaliação sobre o sistema financeiro, divulgada nesta terça-feira (02/10), o Banco Central afirma que as instituições financeiras terão que se adequar ao novo cenário brasileiro de menores spreads e queda dos juros. Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do primeiro semestre deste ano, a redução das taxas impõe desafios aos bancos. Desde agosto do ano passado, a redução da Selic vem colaborando para a queda no comprometimento da renda dos clientes bancários, pois contribui para a redução dos pagamentos de juros.

A taxa básica de juros da economia brasileira, fixada pelo BC, recuou de 12,5% ao ano para 7,5% ao ano, uma forte queda de cinco pontos percentuais. “Merece destaque a atuação dos bancos públicos em favor da redução das taxas de juros no semestre, com reflexos no ritmo de concessões do segmento e nos ganhos de participação desses bancos em relação aos demais”, avaliou o Banco Central.

“Estamos em um processo de queda dos juros, mas ainda não observamos nada em termos de rentabilidade dos bancos. A gente acredita que com taxas mais baixas, há um estímulo maior ao mercado de crédito. Mais pessoas se dispõem a pegar crédito com taxas de juros mais baixas. A gente imagina que o mercado vai se adaptar, investir em sua principal modalidade, que é o mercado de crédito”, declarou o diretor de Fiscalização do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles.

Inadimplência
O Banco Central reforçou em sua análise que, apesar da inadimplência de ter registrado elevação no primeiro semestre deste ano, influenciada pelos financiamentos de veículos contraídos por pessoas físicas e pelas operações com recursos livres para pessoas jurídicas, a tendência pé de queda no “médio prazo”.

“No médio prazo, o crescimento da massa salarial, a recuperação da atividade econômica e a transmissão da redução da taxa básica de juros para as taxas cobradas pelos bancos tendem a melhorar a capacidade de pagamento das famílias e das empresas e a reduzir a inadimplência, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do mercado de crédito brasileiro”, avaliou a autoridade monetária.

Solidez
Em seu relatório, o BC ainda atestou a solidez do sistema bancário, que se encontra preparado para enfrentar eventuais choques. Publicação semestral que descreve a evolução recente do sistema financeiro nacional (SFN), o relatório revela esta segurança “em todos os cenários analisados, inclusive nos que envolvem choques abruptos ou extrema deterioração da situação macroeconômica”.

Segundo o BC, os riscos para a estabilidade financeira global continuaram altos e ressalta, no entanto, que o quadro não compromete a liquidez disponível no mercado doméstico, que permitiu a expansão da carteira de crédito e o crescimento dos ativos líquidos do SFN.

O relatório do BC destaca, contudo, que o crescimento da massa salarial, a recuperação da atividade econômica e a transmissão da redução da taxa básica de juros para as taxas bancárias tendem a melhorar a capacidade de pagamento das famílias e das empresas, de modo a contribuir para a redução da inadimplência.

Com agências online

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