Para Gabrielli, quem deve ser punido é o criminoso, não a Petrobras

Gabrielli questiona o total dos desvios que vem sendo noticiado: “onde estão os R$ 4 bilhões?”“São os gestores que estão presos, não a empresa. Empresa corrupta não é pessoa física”. Assim o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, define como devem ser tratadas as denúncias de desvios e corrupção que vem assolando a principal empresa brasileira, numa fase de seguidas dificuldades que, enfatiza Gabrielli, vai passar. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, publicada nesta segunda-feira (02 de fevereiro), ele dia ainda que o enfraquecimento da  Petrobras pode levar à sua destruição ou aquisição por outra companhia, não deixando de observar que a mídia julga e condena antecipadamente as pessoas citadas  no inquérito da operação Lava Rápido, da Polícia Federal e que, independentemente de indícios ou “da raiva que a gente tem dos criminosos”, eles têm direitos. ‘As pessoas são inocentes, em princípio. Isso é constitucional”, afirmou.

:: Da redação2 de Fevereiro de 2015 17:15

Para Gabrielli, quem deve ser punido é o criminoso, não a Petrobras

:: Da redação2 de Fevereiro de 2015

Ele negou a corrupção generalizada da empresa e disse que o fato de algumas pessoas terem, efetivamente, desviado recursos e se beneficiado de seus cargos não significa que a empresa não é confiável.

Veja os pontos mais importantes da entrevista:

  • Desvios: Gabrielli considera que é impossível contabilizar quanto foi desviado efetivamente para pagamento de propina e quanto efetivamente foi pago para prospecção ou intermediação legal de negócios.  O índice de 3% dos contratos, para ele, é uma estimativa mal feita. “Onde estão os tais R$ 4 bilhões?”, questiona, garantindo que não há como chegar a esses valores.
  • Visão estratégica:As ações da Petrobras não são tão sujeitas a ingerências políticas quanto a mídia faz parecer. O que influencia de fato as ações e investimentos da empresa é a visão de mercado. Foi isso que determinou a escolha por projetos de refino visando à exportação, entre 2007 e 2008. “Depois o mercado cresceu tanto que não dava mais para exportar”, explicou.
  • Paulo Roberto Costa: “É um dissimulado, uma pessoa extremamente fria, porque fazia isso e ninguém sabia”. Segundo Gabrielli, não tem como descobrir se os procedimentos internos da Petrobras foram ou não seguidos.
  • Influência política: “Quando eu cheguei na Petrobas, ela já estava constituída”.
  • Atualização dos preços: Gabrielli defende que a política de não repassar para os preços dos combustíveis a volatilidade do mercado é correta. Mas diz que isso é muito diferente de adiar a correção desses preços para o longo prazo.
  • Futuro: O anúncio de que os investimentos da Petrobras serão reduzidos em 2015 vai impactar a curva de produção. A consequência, segundo ele, é que deve haver dificuldades para se assegurar os 30% do pré-sal. “Isso é uma discussão de governo, não da Petrobras, porque a velocidade que vai ser colocada nos leilões é do governo”.
  • Parceira com a Astra: A associação com a Astra para  a aquisição de Pasadena se justifica pela importância do valor que uma trading adicionaria ao projeto.
  • Corrupção: Para Gabrielli, a corrupção na Petrobras não é uma generalizada e, sim, individual. “Eu não posso dizer que a Petrobras é uma empresa corrupta. Esse cálculo que foi feito de impairment [avaliação individual dos ativos], não pode ser confundido com a corrupção. É outra coisa. O que houve foi variação de mercado, variação de taxa de desconto, de taxa de câmbio, preço do petróleo, preço dos derivados, custo dos investimentos, tem uma série de coisas misturadas aí nesses números”.

 

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