Reforma agrária

Paulo Rocha lamenta despejo de assentados em Marabá

“Denunciaremos toda forma de violência contra os camponeses”, afirma o senador
:: Alessandra Gondim19 de dezembro de 2017 11:26

Paulo Rocha lamenta despejo de assentados em Marabá

:: Alessandra Gondim19 de dezembro de 2017

O senador Paulo Rocha (PT-PA) criticou o despejo, ocorrido na última semana, de 300 famílias de trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terra que residiam no acampamento Hugo Chaves, localizado no município de Marabá, no Pará.

“Denunciaremos toda forma de violência contra os camponeses que estão fazendo a reforma agrária acontecer e exigimos que os governos respeitem e protejam os excluídos da terra”, disse.

Apesar da decisão do Tribunal de Justiça do Pará, por meio da Vara Agrária de Marabá, em prosseguir com o despejo das famílias, os trabalhadores afirmam que não vão desocupar a área. A decisão pela tentativa de manutenção da ocupação foi tomada durante audiência realizada na última quarta-feira (13) no Fórum da Comarca de Marabá.

“Vamos continuar apoiando a luta dos trabalhadores que desejam conquistar um pedaço de terra para viver e produzir”, afirmou o senador.

O dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Ulisses Manaças, diz que a organização apresentou novos elementos para provar que as terras da fazenda Santa Tereza, local do acampamento Hugo Chaves, pertencem à União.

Apesar disso, o juiz decidiu arquivar o processo. “Infelizmente o juiz manteve a mesma posição autoritária, antidemocrática e sem considerar os fatos”, ressalta o representante do MST.

Líderes do MST também denunciam que, antes do despejo, no dia 10, pistoleiros aterrorizaram a vida de homens, mulheres e crianças com disparos de tiros em direção ao acampamento e ateando fogo na vegetação que cerca o local ocupado pelas famílias nos últimos cinco anos.

Existe um processo junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ao Instituto de Terras do Pará (Iterpa) visando a regularização da área que é localizada em terreno público, o que transformaria o acampamento em um assentamento de fato e de direito.

“Eles vivem do que plantam. Com essa decisão de despejo, perderam o pouco que tinham. Nós apoiamos as famílias desalojadas pois, em tese, as terras ocupadas são em área pública que deveriam ser destinadas à reforma agrária. A justiça precisa avaliar essa situação com imparcialidade”, afirma Rose Bezerra, agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

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