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Petróleo na margem com emprego no centro, por Beto Faro

Estratégia conjunta prioriza capacitação profissional e defesa da geração de empregos locais diante das perspectivas da nova fronteira energética brasileira

Alessandro Dantas

Petróleo na margem com emprego no centro, por Beto Faro

Os brasileiros têm motivos para otimismo com as perspectivas da prospecção e muito provável exploração de petróleo na margem equatorial. Mais motivos ainda para esperanças com o futuro têm os paraenses com as possibilidades adicionais de ocorrência de minerais estratégicos, e mesmo, de óleo e gás, na região do Marajó. Aguardemos, torcendo, com a devida prudência, os resultados da atualização do mapa geológico do Marajó atualmente em execução pelo Serviço Geológico Brasileiro, com financiamento da Petrobras.

Quanto à margem equatorial brasileira, a ANP considera promissoras as chances de ocorrência de grandes reservas de petróleo nessa área, com estimativas que chegam a até 30 bilhões de barris de óleo equivalente. Confirmadas tais estimativas, que são encorajadas pela similaridade geológica da margem equatorial no Brasil, com Guiana/Suriname, cuja exploração vem produzindo resultados extraordinários, não seria exagero apostarmos em um ‘pré-sal turbinado’, no Norte do país.

Nesse contexto, o planejamento estratégico se impõe para anteciparmos as condições institucionais, técnicas e operacionais para a exploração -no nível mais elevado de sustentabilidade-, dessa provável e robusta economia. Mais ainda, para uma exploração com a máxima internalização local dos seus efeitos e assim pondo fim à história de espoliação das nossas riquezas para ganhos e proveito externo.

Com tal preocupação, e com a mediação do nosso mandato, o governo do Pará deverá firmar protocolo de cooperação com a Petrobras até o final de junho. No caso, a parceria, tendo como ponto focal pelo Estado, a Secretaria de Assistência Social e Trabalho, visa habilitar trabalhadores, técnicos e gestores locais para suprir, em grande escala, a demanda por mão de obra por esse empreendimento gigantesco.

Portanto, uma iniciativa oportuna e meritória em defesa da nossa economia e da nossa população que já foi objeto de matéria pelo jornal O Liberal. Na semana passada participamos de reunião entre as partes, na unidade da Petrobras, em Brasília, onde os termos desse Acordo de cooperação foram delineados.

Ainda não é possível estimar com segurança a amplitude dos empregos diretos e indiretos, em todas as esferas de habilitação, a serem mobilizados por esse projeto. No entanto, pelo perfil dos elos dessa cadeia, milhares de empregos serão demandados.

Estimativas indicam que a cada R$ 1 bilhão investido na cadeia produtiva do petróleo, são criados cerca de 25 mil novos empregos diretos, indiretos ou induzidos. Estima-se que nos próximos cinco anos, somente a Petrobras aportará 15 bilhões de Reais em investimentos na exploração de petróleo na margem equatorial.

São inúmeras as atividades econômicas relacionadas à cadeia produtiva do petróleo e gás que a partir dessa ação do governo do estado e Petrobras poderão se transformar em fonte de grandes oportunidades para a nossa população, em especial, na geração de empregos de qualidade em todos os níveis de especialização.

Na fase de exploração temos desde a pesquisa geológica e sísmica para a localização de reservas até a perfuração de poços exploratórios. Nessa fase obviamente a Petrobras e empresas subcontratadas, no geral, para atividades de alta complexidade tecnológica, controlam o processo. Todavia, no entorno, há um emaranhado de atividades complementares e de apoio para o êxito operacional dessa fase.

Da mesma forma, com a extração, ou produção propriamente dita, haverá leque colossal de atividades com efeitos econômicos “pra trás” e “pra frente”. A qualificação da mão de obra, entre outras demandas, será ainda mais desafiadora, todavia irrevogável, se a classe política da região se unir para exigir o refino dessas eventuais ocorrências gigantes de petróleo na própria região.

Enfim, o nosso mandato estará nessa empreitada e louvo a iniciativa do governo do Pará e do governo federal por meio da Petrobras para priorizar o emprego local na economia do petróleo da margem equatorial.

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