Plebiscito: “Decisão de líderes da Câmara é um retrocesso”, afirma líder

:: Da redação9 de julho de 2013 21:56

Plebiscito: “Decisão de líderes da Câmara é um retrocesso”, afirma líder

:: Da redação9 de julho de 2013

Para os senadores Wellington Dias e Humberto Costa rejeitar o plebiscito contraria demanda da sociedade

 

“Eu lamento porque é uma resposta ruim que
está sendo adotada e contrária às manifestações
que chegam das ruas”

O líder do PT e do Bloco de Apoio ao Governo, senador Wellington Dias (PT-PI), classificou como um retrocesso a decisão tomada na tarde desta terça-feira (9) pelos líderes partidários da Câmara dos Deputados que, por maioria de votos, rejeitaram a realização do plebiscito da reforma política neste ano – PT, PCdoB e PDT foram votos vencidos. “Eu lamento porque é uma resposta ruim que está sendo adotada e contrária às manifestações que chegam das ruas”, afirmou.

O senado Humberto Costa (PT-PE) também lamentou a decisão. “Mais uma vez o Congresso Nacional, especialmente a Câmara dos Deputados, mostra uma total falta de sintonia com o que está acontecendo neste momento no País e confirma, claramente, que não está ouvindo as vozes das ruas que clamam por maior participação, mais democracia e quer que mude a cultura política do nosso País”, afirmou.

Para Humberto, ainda que a decisão dos líderes partidários da Câmara seja por não fazer o plebiscito, vale a pena insistir na ideia de promover a consulta popular neste ano, mesmo que as mudanças passem a valer a partir de 2016. “É preciso sinalizar para a sociedade que nós vamos mudar as regras do jogo; que vamos combater concretamente a corrupção e isso não é possível se nós não mudarmos o sistema eleitoral no Brasil”, disse ele.

Em cima do muro
Logo após a reunião de líderes da Câmara, em entrevista à imprensa, o deputado Henrique Fontana (PT-RS), relator do projeto de reforma

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 “É preciso sinalizar para a sociedade que nós
 vamos mudar as regras do jogo; que vamos
 combater concretamente a corrupção”

política na Câmara, defendeu a estratégia de lutar em duas frentes, a do plebiscito e a votação de seu projeto de reforma política que tramita há dois anos naquela casa. “A Câmara deve acelerar no grupo de trabalho as alternativas que serão votadas imediatamente. Nós devemos ouvir a CNBB, a OAB e entidades que estão sugerindo mudanças para a política brasileira. Devemos, também, aprovar um decreto legislativo fazendo um conjunto de perguntas à população suficiente para destravar os temas mais polêmicos da reforma”, afirmou – a Câmara irá criar um grupo de trabalho, embora já tenha existido uma comissão especial para estudar o assunto.

Durante a entrevista, um repórter da TV Bandeirantes perguntou a Fontana sobre a proposta de reforma política apresentada pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves, que pede o fim da reeleição, instituto criado em 1995 que favoreceu Fernando Henrique Cardoso e ainda foi objeto do escândalo da pasta cor de rosa, onde deputados teriam recebido dinheiro para apoiar a proposta.  “Eu acho irônica a fala do senador Aécio Neves até porque o meu projeto de reforma política prevê um referendo (consulta à população se concorda ou não com as mudanças) após a aprovação. Vamos aprovar as reformas e em setembro de 2013 fazer um referendo com a população que tem a última palavra. À época o PSDB não quis apoiar este projeto e não deu sua assinatura para votarmos. Mas agora passou a defender o referendo”, recordou.

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“Há um sinal evidente da sociedade que quer
mudanças na cultura política do nosso País,
e essas mudanças virão com uma reforma profunda”

Os dois movimentos defendidos por Henrique Fontana são votar o quanto antes uma nova lei eleitoral e o plebiscito. “Mas faço questão de aprovar campanhas políticas mais baratas e retirar o dinheiro das empresas das eleições. A democracia não pode ser financiada pelo poder econômico”, defendeu.

O deputado observa que em seu projeto está prevista uma participação direta mais intensa da sociedade na democracia por meio da assinatura digital. Neste caso, a população pode apoiar a tramitação de projetos de lei, emendas constitucionais, urgências para pautar projetos e ainda definir a ordem de votação no Parlamento. “Se não fizermos reforma a sociedade brasileira pode sepultar uma parte dos líderes políticos que hoje a representa. Há um sinal evidente da sociedade que quer mudanças na cultura política do nosso País, e essas mudanças virão com uma reforma profunda”, finalizou.

Marcello Antunes

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