Investigações

Por iniciativa do PT, CAE vai ouvir ministros e diretor da PF sobre Operação Carne Fraca

A líder Gleisi Hoffmann defendeu que além de conhecer as providências para reverter a crise no setor de carnes, é preciso esclarecer se houve desvios na investigação
:: Cyntia Campos21 de março de 2017 14:31

Por iniciativa do PT, CAE vai ouvir ministros e diretor da PF sobre Operação Carne Fraca

:: Cyntia Campos21 de março de 2017

Os ministros da Agricultura, da Indústria e Comércio e da Justiça, além do diretor-geral da Polícia Federal, prestarão esclarecimentos ao Senado sobre as consequências econômicas das denúncias trazidas a público pela “Operação Carne Fraca”. Na manhã desta terça-feira (21), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou quatro requerimentos da senadora Gleisi Hoffmann (PR), líder do PT, convocando as audiências.

A investigação da PF, tornada pública na última sexta-feira (17), revelou um esquema de corrupção que liberava a comercialização de alimentos produzidos por frigoríficos sem a devida fiscalização sanitária. A fraude envolveria 40 empresas. O escândalo já está resultando em sérias consequências para a o setor, que emprega seis milhões de brasileiros. O País é o maior exportador de carnes do mundo, respondendo por 40% do comércio de aves, 20% da carne bovina e de quase 9% das suínas. “Obviamente, há outros países de olho nesse mercado” ressalta Gleisi.

Resistência dos governistas
Houve resistências da bancada governista na CAE, que queria ouvir apenas os ministros da Agricultura, Blairo Maggi, e da Indústria e Comércio, Marcos Pereira, sobre o que estaria sendo feito para reverter o estrago feito pela espetacularização da denúncia — países como China, Coreia e Chile já anunciaram a intenção de suspender importações da carne brasileira.

Coube à Bancada do PT, representada por Gleisi e pelo Líder da Oposição, Humberto Costa (PE), garantir que sejam ouvidos também Osmar Serraglio, o ministro da Justiça que cumpre o duplo papel de ser um dos investigados na Operação Carne Fraca, ao mesmo tempo em que chefia a Polícia Federal, responsável pela investigação. Serraglio seria um dos responsáveis pela indicação do ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, Daniel Gonçalves Filho, apontado como o chefe do esquema.

Espetacularização e vazamentos
Já a oitiva do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra, é essencial para que ele esclareça os possíveis desvios da operação, tais como vazamento de informações e espetacularização na investigação. “Temos um problema gravíssimo, que compromete a saúde pública, o interesse nacional, os trabalhadores, o bem-estar dos consumidores brasileiros. Defendo a investigação, mas não posso defender a quebra da economia nacional”, alerta a senadora.

Para Humberto Costa, é fundamental não sucumbir a teorias da conspiração, mas é impossível fechar os olhos para o fato de que há interesses muito fortes no sentido de tirar do Brasil o protagonismo no mercado mundial de carne. As notícias divulgadas na sexta-feira davam conta de uma verdadeira terra arrasada, generalizando para o setor como um todo as irregularidades encontradas em 40 empresas, com informações bombásticas, não confirmadas, que davam conta até da substituição da carne por papelão.

[blockquote align=”none” author=”Senador Humberto Costa (PT-PE), líder da Oposição”] “O Brasil teve as empresas de construção civil com uma das maiores expertises em obras pesadas. Hoje estão todas praticamente quebradas”[/blockquote]

Arbitrariedades
O senador criticou a arbitrariedade e o abuso de autoridade que está se tornando regra em investigações desse porte, sem que os agentes públicos sejam responsabilizados pelos danos que causam não só a cidadãos, mas a setores econômicos inteiros.

A paralisia das empresas, decorrente da Operação Lava Jato, por exemplo, retirou R$142,6 bilhões da economia em 2015. Isso equivale a uma retração do PIB de 2,5%, resultando em R$22,4 bilhões de queda na massa salarial e a extinção de 1,9 milhão de empregos, entre diretos e indiretos. “O Brasil teve as empresas de construção civil com uma das maiores expertises em obras pesadas. Hoje estão todas praticamente quebradas”, registrou Humberto. Para o senador, é preciso discutir também os métodos que estão sendo utilizados para investigações no Brasil.

Exportadores e Contag
Além dos quatro requerimentos apresentados por Gleisi, a CAE também aprovou os convites propostos pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), da Oposição, para que sejam ouvidas as entidades representantes dos exportadores de carne e dos trabalhadores e pequenos produtores, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Com a aprovação das oitivas, agora está nas mãos do presidente da CAE, Tasso Jereissati (PSDB-CE) marcar a data das reuniões. Caso seja confirmada a presença do ministro Blairo Maggi na Comissão de Agricultura, nesta quarta-feira (22), a sessão deverá ser convertida em audiência pública conjunta dos dois colegiados.

 

Reprodução autorizada mediante citação do site PT no Senado

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