Regina Sousa critica projeto fundamentalista que prevê a “Escola Sem Partido”

:: Da redação3 de agosto de 2016 17:10

Regina Sousa critica projeto fundamentalista que prevê a “Escola Sem Partido”

:: Da redação3 de agosto de 2016

Regina: “Nós lutamos muito para ter uma geração contestadora, que fale, lute e agora vem esse projeto que estimula nossos estudantes a não pensar”Durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH), nesta quarta-feira (3), os senadores Paulo Paim (PT-RS) e Regina Sousa (PT-PI) teceram duras críticas ao movimento conservador conhecido como “Escola Sem Partido”. O encontro discutiu a importância de um projeto (PLS 325/2015) que prevê a obrigatoriedade da manutenção de exemplares de estatutos como o da Criança e do Adolescente (ECA) e do Idoso nas escolas do País.

Para a senadora Regina Sousa, o projeto em discussão na CDH, apresentado pelo senador Donizeti Nogueira (PT-TO) e relatado pela senadora Ângela Portela (PT-RR), é uma importante ferramenta que vai no caminho oposto ao que se propõe na “Escola Sem Partido”.

“A escola sem partido está se propondo a formar uma geração que não estará acostumada a pensar, apenas a obedecer. Nós lutamos muito para ter uma geração contestadora, que fale, lute e agora vem esse projeto que estimula nossos estudantes a não pensar”, destacou.

Segundo Regina, a colocação de exemplares desses estatutos nas escolas fará com que os jovens tenham ferramentas acessíveis que estimulem o pensamento e a discussão de temas importantes da sociedade. “Infelizmente, alguns fundamentalistas desejam o retorno daquilo que o Paulo Freire chamava de educação bancária. Joga-se conhecimento na cabeça do menino, mas não o ensina a pensar”, criticou.

O senador Paulo Paim elogiou a iniciativa do colega Donizeti Nogueira e propôs que o texto da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) também seja disponibilizado nas escolas brasileiras municipais, estaduais, federais e privadas. De acordo com o senador, é importante que os alunos conheçam o texto de uma lei tão importante e “que está sendo tão atacada”.

Para Paim, é um absurdo querer proibir que os alunos tenham a oportunidade de debater questões relacionadas a política no ambiente escolar. “Não venham me dizer agora que não se pode mais discutir política nas escolas. Discutir a CLT significa discutir política. Discutir Estatuto do Idoso significa discutir política. Ou não significa? Me assusta o conservadorismo que estamos tendo nesse País, o retrocesso histórico”, enfatizou.

O PLS 325/2015 ainda prevê multa à escola que não cumprir o que exige o projeto, a realização de seminários sobre os temas relacionados a inclusão, combate à discriminação, por exemplo.

Tramitação
Após aprovação na Comissão de Direitos Humanos (CDH), caso não haja recurso para votação em plenário, o projeto seguirá para análise na Câmara dos Deputados

Conheça a íntegra do PLS 325/2015 

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