Indiciamentos

Relatório da Maioria cita Flávio Bolsonaro como suspeito de movimentar dinheiro de fraudes no INSS

Além do filho do ex-presidente, relatório pede 130 indiciamentos de envolvidos no esquema que fraudou aposentados e pensionista

Alessandro Dantas

Relatório da Maioria cita Flávio Bolsonaro como suspeito de movimentar dinheiro de fraudes no INSS

O relatório da Maioria parlamentar na CPMI do INSS vai pedir o indiciamento do senador Flavio Bolsonaro (PL), por participar e se beneficiar do esquema de descontos associativos fraudulentos. Conforme o texto construído pelos parlamentares do PT, o filho do ex-presidente dever responder pelo crime de organização criminosa.

As apurações apontaram a ligação do senador com a contadora do Careca do INSS (Antonio Carlos Camilo Antunes, um dos líderes do esquema), com movimentação financeira atípica, e indícios suficientes de lavagem de dinheiro. “Nenhum indiciamento está sendo pedido por nós sem uma comprovação categórica de participação no esquema”, afirmou o coordenador da bancada governista na CPMI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

O relatório demonstra que Letícia Caetano, irmã de Alessandro Caetano, sócio do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, mantém sociedade no escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro, que funciona na residência do senador, em Brasília.

As investigações da CPMI comprovaram que o governo Bolsonaro foi farto em medidas administrativas e legislativas que possibilitaram as fraudes. E parte dos recursos provenientes dos desvios foram parar nas campanhas do próprio ex-presidente e de aliados, com o seu ministro Onyx Lorenzoni, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. “Há uma conexão direta com o movimento eleitoral bolsonarista, que recebeu parte do dinheiro roubado”, explicou Pimenta. A bancada petista pede o indiciamento de Jair Bolsonaro pelos crimes de furto qualificado praticado contra idoso, organização criminosa, e improbidade administrativa.

O relatório da Maioria não deixou de incluir nos pedidos de indiciamento figuras do sistema financeiro que se aproveitaram das facilidades criadas pelo governo passado. Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, uma das instituições autorizadas a lucrar com empréstimos consignados até para quem recebia Benefícios de Prestação Continuada, deve responder por corrupção ativa, lavagem de dinheiro, organização criminosa, e gestão fraudulenta.

Também está na lista o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que comandava igreja em Belo Horizonte que recebeu emendas orçamentárias do presidente da CPMI, Carlos Vianna. Os crimes apontados são lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os indiciamentos passaram batido no relatório oficial, patrocinado exatamente pelo comando da Comissão.

“Uma das coisas que lamentamos são as ausências. Nós perguntamos por que o nome do senhor Onyx Lorenzoni, que foi ministro da Previdência no governo anterior e que recebeu contribuição para campanha, não aparece no trabalho do relator?”, questionou o líder do PT no Congresso, Randolfe Rodrigues (AP). Conforme o texto da Maioria, Onyx deve responder por furto qualificado praticado contra idoso, organização criminosa e improbidade administrativa.

Ao todo, o relatório da CPMI pediu o indiciamento de 130 pessoas, o aprofundamento das investigações pela Polícia Federal de mais 63 pessoas físicas e 7 jurídicas, além de nove sugestões de melhoria legislativa, para dificultar a repetição de fraudes.

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