Retroescavadeiras do PAC 2 garantem açudes e escoamento da produção

:: Da redação23 de agosto de 2012 13:56

Retroescavadeiras do PAC 2 garantem açudes e escoamento da produção

:: Da redação23 de agosto de 2012

No primeiro semestre de 2012, para fortalecer a agricultura familiar brasileira, foram entregues 1.275 retroescavadeiras a 1.299 municípios de 26 unidades da Federação (a exceção é o Distrito Federal). A ação, feita dentro do eixo Transportes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2), beneficia mais de 60 milhões de pessoas, entre as quais 3,5 milhões de famílias de agricultores familiares que vivem em municípios com até 50 mil habitantes e que ficam situadas fora de regiões metropolitanas.

Em um primeiro momento, foram investidos R$ 211 milhões na compra de máquinas que já foram entregues. Das 1.275 retroescavadeiras, 135 foram para a região Norte, 505 para o Nordeste, 275 para o Sudeste, 227 para o Sul e 133 para o Centro-Oeste. Agora, o governo federal vai universalizar a ação e atender todos os municípios brasileiros de até 50 mil habitantes e que estão fora de regiões metropolitanas. Serão doadas outras 3.591 retroescavadeiras e 1.330 motoniveladoras.

Estradas vicinais

Agricultores familiares de municípios que receberam as primeiras retroescavadeiras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2) contam agora com estradas vicinais em melhores condições para escoar seus produtos. “Havia uma grande necessidade de recuperar as estradas. Áreas ficavam alagadas quando chovia e o acesso a algumas propriedades, impossibilitado”, relata o agricultor familiar Antônio Redondo, 59 anos, morador de Trindade do Sul, a cerca de 400 quilômetros de Porto Alegre (RS). “Com a chegada do equipamento, o tempo de transporte diminui e qualquer veículo entra nas propriedades sem dificuldade”, diz Redondo.

O primeiro lote de retroescavadeiras foi entregue ainda em dezembro do ano passado, quando 126 municípios gaúchos foram contemplados com 114 máquinas. Antônio conta que os benefícios da doação são ainda maiores para produtores de laticínios, como é o caso dele. “O caminhão que busca o leite nas unidades não tem resfriamento, ele apenas mantém a temperatura do produto. Então, quanto menos tempo o leite levar para chegar à cooperativa para ser pasteurizado, melhor”, explica. Segundo o agricultor, a mudança na estrutura das vias, a partir do uso da retroescavadeira, é visível. “Algumas estradas foram reabertas, outras ampliadas”, comenta.

Antônio criou os quatro filhos com recursos provenientes da atividade agrícola. Atualmente, ele integra o Movimento do Pequeno Agricultor de Trindade do Sul (MPA). Em uma área de 8,5 hectares, planta milho, soja e cria gado e suínos. “O nosso sustento vem mesmo é da venda do leite”, assegura. A agricultura garante à família de Antônio uma renda mensal de R$ 1,5 mil.

Açudes para enfrentar efeitos da seca

As estradas vicinais de Jaguarão, município gaúcho localizado no extremo sul do País, também estão mais acessíveis, diz a agricultora Claudete Ferreira Dutra Moraes, 42 anos, da Comunidade de Charqueadas. “Além de melhorá-las, as máquinas são usadas para abrir açudes, o que ajuda a enfrentar a seca. A água armazenada é utilizada nas plantações e serve para matar a sede dos animais”, relata. Claudete, que é filha de agricultores, mora com a família em uma área de sete hectares adquirida por meio do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Logística – Gerente de laticínios da Cooperativa Mista de Pequenos Agricultores da região Sul (Coopar), em São Lourenço do Sul (RS), Fábio Bender afirma que com a chegada da retroescavadeira ao município, a 200 quilômetros de Porto Alegre, os reparos nas estradas vicinais passaram a ser feitos com maior regularidade. “Antes, demorava muito para fazer a recuperação”, explica.

A cooperativa para qual Fábio trabalha conta com 2,8 mil cooperados. Desses, 500 são produtores de leite, inclusive ele. A venda do alimento, de acordo com o gerente, é responsável por 40% do faturamento da Coopar. “Produzimos, em média, 80 mil litros de leite por dia”. A retirada do produto das unidades produtivas é feita por rotas. Cada rota atende cerca de 50 produtores e demora de cinco a sete horas para ser concluída. “Quando a estrada está ruim, dificulta o acesso do caminhão à propriedade, o que atrapalha a rota em umas duas horas”, conta.

O cadastramento para participar do processo de aquisição pode ser feito pelas prefeituras até 18 de setembro no portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário 

http://www.mda.gov.br/portal/

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