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Réu confesso, crime 5: Omissão como palavra de ordem

Para implementar a “imunização de rebanho”, Bolsonaro se cercou de assessores omissos. Relatório do TCU aponta falta de ação adequada de Braga Netto e Pazuello, este último investigado pela PF
:: Agência PT de Notícias4 de maio de 2021 14:35

Réu confesso, crime 5: Omissão como palavra de ordem

:: Agência PT de Notícias4 de maio de 2021

“É simples assim: um manda e o outro obedece”, diz o general Eduardo Pazuello. Ao seu lado, Jair Bolsonaro ri feliz da vida, não deixando dúvidas sobre qual dos dois manda ali (veja no vídeo abaixo). A felicidade do atual presidente também revela que, finalmente, ele tem um ministro da Saúde disposto a obedecer o mandamento número um de sua gestão da pandemia: não fazer nada que atrapalhe o novo coronavírus a se espalhar o mais rapidamente possível.

Para ser bem sucedido em sua assassina estratégia de “imunização de rebanho”, Bolsonaro precisava de assessores omissos. E o caso de Pazuello é o mais emblemático. Após assumir o Ministério da Saúde, o general assinou o protocolo recomendando o uso de cloroquina; voltou atrás na decisão de comprar doses da Coronavac; ignorou a oferta de outras vacinas e depois questionou “pra que essa ansiedade?”; cancelou a compra de insumos hospitalares; deixou de agir para evitar a falta de oxigênio em Manaus… A lista é enorme.

Resultado: Pazuello viu, ao longo de sua gestão, o número de mortes por Covid-19 saltar de 15 mil para 280 mil e deixou o ministério acusado de crimes, com investigação pela Polícia Federal aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), por omissão no caso da falta de oxigênio em Manaus. Além disso, relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) também apontou omissões de Pazuello, citando entre os erros do ex-ministro a falta de testes em massa e falhas na distribuição de kits de intubação e medicamentos.

Braga Netto
Pazuello, evidentemente, não foi o único a se omitir no governo. Outro relatório do TCU recomendou a abertura de um processo para averiguar a conduta do ministro da Defesa, general Braga Netto, na época em que ele estava à frente da Casa Civil e coordenou o Comitê de Crise do governo. Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo, o documento aponta “graves omissões” do general, incluindo a de “não ter contribuído da forma que seria esperada para a preservação de vidas”.

A omissão de figuras centrais do governo Bolsonaro é outro ponto que a CPI da Covid pode investigar mais a fundo e que certamente preocupa o Planalto. Na tabela em que listou os crimes do Executivo na pandemia, e que deu origem a esta série Réu confesso, a Casa Civil anotou, no item 20: “Gen Pazuello, Gen Braga Netto e diversos militares não apresentaram diretrizes estratégicas para o combate à Covid”.

Sim, “diversos”. Apesar de Bolsonaro ser o principal autor do crime contra a vida de brasileiros, ele contou com a complacência de muitos, que, como Pazuello e Braga Netto, concordaram com a estratégia de imunização de rebanho. São, ao lado do atual presidente, responsáveis por centenas de milhares de mortes que teriam sido evitadas se o governo não tivesse colocado os interesses econômicos à frente da preservação da vida.

 

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