Rio+20: transição para economia verde do Acre é destaque

Em palestra na Rio+20, o senador Jorge Viana ressalta pioneirismo do estado na adoção de programas de desenvolvimento sustentável.São caminhos bastante avançados que, no caso do Acre, queremos aprofundar: como usar melhor as florestas”.

:: Da redação19 de junho de 2012 03:00

Rio+20: transição para economia verde do Acre é destaque

:: Da redação19 de junho de 2012

viana2006O senador Jorge Viana (PT-AC) destacou, nessa terça-feira (19/06), durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que os estados do Acre e do Sabá, na Malásia, discutem há muito tempo algo que a Eco92 e a Rio+20 ainda tentam materializar. “Temos aqui duas experiências reais de transição para uma economia verde. São caminhos bastante avançados que, no caso do Acre, queremos aprofundar: como usar melhor as florestas”, afirmou o senador.

Durante o evento, os governos do Acre (Brasil) e de Sabá (Malásia), apresentaram suas políticas ambientais, conquistas e desafios para pessoas de vários lugares do mundo. O governador do Acre, Tião Viana, afirmou que o desenvolvimento sustentável no Acre é algo que já existe há 20 anos. “Conhecemos e definimos nosso território, fizemos o arcabouço jurídico e hoje temos para mostrar ao Brasil e ao mundo que é possível habitar, produzir e preservar. E, isso voltado a vários recursos da água à floresta”, contou.

Tião Viana declarou ainda que o Acre já tem uma experiência exitosa para mostrar e que hoje é necessário apenas construir uma política para escoar o que já existe. “Precisamos dar escala a essas atividades. Precisamos abrir os mercados aos nossos produtos, como o açaí, a pupunha, o cupuaçu e os nossos peixes. Mas sinto que os organismos internacionais estão esperando resultados, eles não querem ser responsáveis por este processo”, reclamou.

Informações do Governo do Acre mostram que o manejo florestal feito a partir de parcerias que envolvem comunidades, empresas e outras organizações não governamentais, tem aumentado o valor da renda média das famílias que vivem do extrativismo. De acordo com estimativas, a renda que era entre R$ 1,2 mil e R$ 3 mil foi elevada, nos últimos anos, para R$ 4 e R$ 6,5 mil, graças ao uso adequado da floresta. Além disso, há 10 anos, os indicadores de desmatamento estão reduzindo e o crescimento composto do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado bate a casa dos 71,1%.

Habitar, produzir, conservar

Durante o evento, a WWF lançou junto aos dois governos a publicação “Uma forma diferente de fazer negócios: primeiros passos na construção da Economia Verde no Acre, Brasil; e em Sabá, na Malásia”. A publicação mostra os resultados do manejo adequado das florestas. Produtos como madeira, borracha e castanha são utilizados como fonte de renda para comunidades inteiras, ao mesmo tempo em que existe a promoção da conservação da biodiversidade e a melhoria da qualidade de vida dos comunitários.

A secretária Geral da WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Britto, afirmou que o lançamento da publicação é uma demonstração de que as duas regiões, com características semelhantes e uma grande biodiversidade, mesmo que estejam muito distantes uma da outra, tem muito a trocar. Ela disse ainda que ao contrário do que vem ocorrendo na Rio+20, este trabalho mostra ações concretas e não apenas reafirmações e declarações genéricas.

“Não precisamos de palavras, mas de metas claras e objetivas. Existe um trabalho a ser feito e precisamos que as instituições vão lá e o façam. Para garantir água, energia e alimentos para todos é preciso ter metas e ações”, afirmou, fazendo referência ao rascunho do documento final da Conferência, considerado pouco ousado por ambientalistas e alguns representantes políticos.

Com informações do site do senador Jorge Viana

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