Plenário

Rogério alerta que impacto do conflito no Oriente Médio pressiona combustíveis no Brasil

Senador afirmou que perda de controle sobre setor estratégico agravou alta dos preços, cobrou investigação sobre privatizações realizadas no governo Bolsonaro

Daniel Gomes

Rogério alerta que impacto do conflito no Oriente Médio pressiona combustíveis no Brasil

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou nesta quarta-feira (8/4), em plenário, que os efeitos do conflito no Oriente Médio já começam a pesar no bolso dos brasileiros, e que parte desse impacto poderia ter sido evitado. Segundo o parlamentar, um dos principais fatores que agravam a atual situação foi a privatização da BR Distribuidora durante o governo de Jair Bolsonaro. A empresa, que era subsidiária da Petrobras responsável pela distribuição de combustíveis, hoje opera como Vibra Energia, sendo totalmente privada.

“De todas as atrocidades cometidas, uma das mais inconsequentes foi a privatização da BR Distribuidora. Nós abrimos mão de um instrumento essencial para proteger o consumidor brasileiro”, declarou.

Carvalho destacou que a privatização comprometeu a capacidade do Estado de influenciar o mercado em momentos de crise, especialmente em um setor estratégico como o de combustíveis. Citando o professor Geraldo de Souza Ferreira, da Universidade Federal Fluminense, o senador reforçou a importância do controle público: “O petróleo e seus derivados são fundamentais para a segurança energética. Uma empresa pública tem função social; já a privada visa o lucro”. Para o parlamentar, essa mudança reflete uma diretriz clara dos governos Temer e Bolsonaro. “A função social deu lugar à busca cega do lucro”, afirmou.

Ele também alertou para o cenário internacional, destacando que o preço do barril de petróleo saltou de cerca de 60 para até 120 dólares em poucos dias, mantendo-se elevado. Em contraste, a Petrobras possui custo médio de produção de aproximadamente 7 dólares por barril no pré-sal, evidenciando alta competitividade. “Ou seja, temos uma empresa eficiente na produção, mas abrimos mão da coordenação na distribuição e comercialização”, pontuou.

Retomada das Fafens e redução da dependência externa
Ainda em seu discurso, Rogério Carvalho comentou sobre a importância da retomada das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafens), especialmente na Bahia e em Sergipe, como parte de uma estratégia para reduzir a vulnerabilidade externa do país, revelando que, durante governos anteriores, unidades estratégicas foram desativadas, comprometendo a produção nacional, “já no atual governo, houve uma mudança”. “No governo do presidente Lula, retomamos as operações das Fafens da Bahia e de Sergipe, além da reativação da unidade do Paraná e da perspectiva de conclusão da fábrica no Mato Grosso. Isso significa que o Brasil pode voltar a produzir entre 2 milhões e 2,5 milhões de toneladas de fertilizantes”, celebrou.

Assim, o senador esclareceu que o consumo nacional gira em torno de 7 milhões de toneladas, o que evidencia o tamanho da dependência externa construída nos últimos anos. “Estávamos com toda essa capacidade produtiva invernada, terceirizada ou vendida. Agora estamos recuperando um setor estratégico. Fertilizante é segurança alimentar, é soberania nacional”, expôs.

Dependência externa e aumento de preços
O senador ressaltou, ainda, que o Brasil enfrenta uma vulnerabilidade estrutural: a capacidade de refino gira em torno de 2 milhões de barris por dia, enquanto o consumo chega a cerca de 2,6 milhões. Com isso, de acordo com ele, o país depende da importação de combustíveis, especialmente diesel, do qual cerca de 25% vem do exterior.

“Em um cenário de crise geopolítica, essa dependência pressiona ainda mais os preços internos. Também dependemos de fertilizantes e, em menor escala, de gasolina. Isso amplia o impacto econômico sobre toda a cadeia produtiva”, explicou.

Além disso, Rogério Carvalho enfatizou que o Brasil já opera sob regime de liberdade de preços desde a Lei nº 9.478/1997, e que a existência da BR Distribuidora não representava intervenção direta, mas sim um mecanismo de equilíbrio. “O que nós tínhamos era a capacidade de suavizar crises. Atuávamos de forma indireta. A BR detinha 30% do mercado e estava presente em mais de 7 mil postos. Em momentos críticos, podíamos reduzir margens e segurar preços”, revelou.

“O próprio ex-ministro Paulo Guedes chamava isso de ‘sentar em cima do preço’. Sabiam que não havia apoio popular e evitaram o Congresso”, disparou.

O senador também relacionou a privatização da distribuição à venda de refinarias, afirmando que ambas impactam diretamente o consumidor final. “Quando se vende a distribuição, perde-se presença na ponta. Quando se vende o refino, perde-se força na origem. No fim, o preço sobe na bomba”, denunciou.

Investigação, soberania e responsabilidade
Por essa razão, o senador Rogério defendeu a atuação do Congresso e de órgãos de controle para investigar possíveis irregularidades no processo de privatização. “Existem cláusulas leoninas, fragilidades apontadas pela Controladoria-Geral da União e suspeitas de contorno ao controle legislativo. Precisamos analisar tudo com lupa”, sugeriu.

Ele também citou questionamentos sobre a venda da Refinaria Landulpho Alves, destacando dúvidas sobre precificação e timing da operação. Para o senador, o resultado dessas decisões é claro: “Menos capacidade de coordenação, menos proteção em tempos de crise e mais poder para agentes privados repassarem aumentos sem compromisso com o interesse nacional”.

Ao final, ele reforçou a necessidade de proteger a população, lembrando que “nós tínhamos soberania energética. “Bolsonaro vendeu. Tínhamos poupança para momentos de crise. Ela foi queimada. O povo brasileiro não pode pagar pela irresponsabilidade e pela ganância de alguns gestores”, concluiu.

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