Senador aliado diz que gestões do PT edificaram história do Brasil

Ao apontar incoerências e “equívocos” dos tucanos, senador Valadares destacou ações sociais e valorização da democracia nos últimos 10 anos.

:: Da redação21 de fevereiro de 2013 13:42

Senador aliado diz que gestões do PT edificaram história do Brasil

:: Da redação21 de fevereiro de 2013

 

Foram 10 anos que edificaram a história
do Brasil, voltados essencialmente para
o social e para a valorização da democracia

Os ataques desferidos pelo tucano Aécio Neves (MG) ao governo petista nessa quarta-feira (20) não tiveram resposta apenas dos parlamentares petistas. Inconformado com a manipulação dos dados ao sabor dos interesses da oposição, o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-PE) abandonou o discurso que faria em plenário sobre o tema desse ano da Campanha da Fraternidade da Igreja Católica e entrou no debate, lembrando uma grande contradição e o que chamou de equívoco dos tucanos. A contradição apontada foi o lançamento e, depois, a campanha pelo fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). E, ainda, o equívoco da privatização indiscriminada e, a venda, no pior momento, da empresa Vale do Rio Doce.

Ao afirmar que era importante reconhecer os avanços dos dois períodos FHC, Valadares lamentou que o mesmo governo que criou a CPMF para garantir mais recursos para a saúde pública tenha depois, já na oposição, atuado com firmeza para derrubar a taxação sobre movimentações financeiras. “O seu (dos tucanos) ministro da Saúde, que era um homem altamente acreditado, de bom conceito em todo o Brasil e aqui no Congresso Nacional, veio aqui para propor uma saída, uma fonte de recursos para melhorar a saúde do Brasil, e apontou como solução, a chamada CPMF”, lembrou, referindo-se ao empenho do então ministro Adib Jatene para criar uma fonte permanente de novos recursos para o setor.

O senador lembrou que, mesmo sendo da oposição na época, apoiou a iniciativa. E criticou quando depois, já no fim do governo Lula, os mesmos parlamentares tucanos tenham trabalhado para extinguir a Contribuição “foi derrubada pelo próprio partido que se havia beneficiado (dela), o PSDB, juntamente com o DEM, no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso”, recordou. Em seguida, disparou: “como as situações mudam, dependendo da conjuntura e do momento de quem governa! Fernando Henrique Cardoso governou e fez o que quis da CPMF, direcionando-a, inclusive, para outras atividades além da saúde. Lula queria direcioná-la, única e exclusivamente, para a saúde pública do Brasil, para a política de prevenção, para a política de atendimento nos hospitais e nos postos de saúde, para a compra de equipamentos e de medicamentos. Entretanto, depois de longos anos em que a CPMF vigorou no País, o partido que mais se beneficiou da CPMF, o governo do PSDB, o maior beneficiado dessa Contribuição, foi o que mais lutou por sua derrubada. E não havia nenhum desvio, já que o Presidente Lula a direcionou única e exclusivamente para a saúde, o que não aconteceu no governo anterior. E isso aí dava cerca de R$40 bilhões, o que era um plus  na receita da saúde. Quarenta bilhões de reais foram perdidos do dia para a noite!”, relatou Valadares, ressalvando que não defendia a eternização da CPMF, mas sua substituição por uma reforma tributária que colocasse a saúde pública como prioritária.

“Privatizações predatórias

Valadares também lembrou o que chamou de “privatizações predatórias feitas no governo FHC. E citou como exemplo o processo de venda da Vale do  Rio Doce. “A empresa que a comprou, que a adquiriu por preço de banana, da ordem de US$3 bilhões, ainda obteve financiamento do BNDES para comprar”, disparou, lembrando que hoje, a mesma empresa vale mais de US$100 bilhões.

“Agora, quero que apontem alguma privatização que foi feita no Governo da presidenta Dilma ou no Governo do presidente Lula que tenha causado tanto comentário como causou, na época, a venda da Vale do Rio Doce e também a venda de várias outras empresas, inclusive concessionárias do serviço público, distribuidoras de energia, sob a promessa de que tarifa ia baixar. O que aconteceu foi justamente o contrário, o preço da energia foi lá para cima e, agora, está baixando, porque o Governo Federal resolveu enfrentar as grandes empresas que não queriam o benefício da redução para as próprias empresas nacionais e para a população brasileira”, comparou, iniciando um bate-boca com o tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP). No final, Valadares seguiu atestando que a Vale “foi vendida de forma imprevidente, sem planejamento, sem visão de futuro”.

Ele concluiu: “Fica registrado aqui: foram dez anos de Governo Lula e Dilma, dois Governos que edificaram a história do Brasil, voltados essencialmente para o social e para a valorização da democracia. Só falta a gente fazer uma reforma política. Se fizermos uma reforma política, nós alcançaremos um patamar lá em cima de melhor qualidade da representação popular”.

Giselle Chassot

Foto: Agência Senado

Veja a íntegra do discurso do senador Valadares

O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, na realidade, tenho um discurso escrito em homenagem ao tema Fraternidade e Juventude, que é o tema da Igreja Católica para este ano. Eu deixarei esse discurso, Sr. Presidente, para ler na sessão de amanhã ou na próxima semana, já que eu tenho o ano todo para ler esse discurso.
Peço, então, perdão à Igreja pelo fato de não ler este discurso, que não tem data marcada para ser lido, mas eu não poderia fugir da oportunidade de tratar de um assunto que hoje foi objeto de amplos debates nesta Casa, travados entre Líderes da oposição, como os Senadores Aloysio Nunes e Aécio Neves, e pelo lado do PT, o Senador Wellington Dias.
Foi uma pena que esse debate não pudesse ser estendido durante toda esta sessão. Eu até cheguei a pedir ao Presidente, a sugerir que ele permitisse aos Senadores que o quisessem apartear o Wellington Dias. Entretanto, ele se prendeu ao Regimento, e eu o respeito, já que Wellington Dias estava falando como Líder, e o nosso Regimento não permite apartes.
No entanto, Sr. Presidente, não poderia o PSB deixar no vazio um discurso em homenagem ao governo de Lula e ao Governo da Presidenta Dilma, que são governos sob a coordenação de um partido político, mas governos que tiveram o apoio de outros tantos partidos, a exemplo do nosso, o PSB, que aqui é representado pelo nosso Líder, o Senador Rollemberg. Infelizmente, por motivo de saúde, S. Exª não está presente a esta sessão. Já pediu licença e certamente passará uns 15 dias fora do Senado. O Senador Rodrigo Rollemberg merece as nossas homenagens, o nosso respeito, pelo que representa nesta Casa, como Presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, onde realizou um trabalho avançado em defesa do meio ambiente, da fiscalização e controle dos atos do Poder Executivo e também em defesa das propostas da sociedade, que giram em torno do consumidor.
Acho que o debate deveria cingir-se ao futuro do nosso País, mas somos uma Casa política.
A oposição tem que cumprir o seu papel de criticar aquilo que considera errôneo e apontar soluções para o futuro. E cabe ao Governo mostrar o quanto trabalhou em benefício do Brasil e as mudanças que poderão ocorrer até o final da gestão do atual Governo da Presidenta Dilma.
É verdade que todos os governos são exercidos por pessoas, que são humanas, que cometem erros e acertos. E, em função disso, eu pude presenciar – quando estive na oposição, enfrentando o governo Fernando Henrique Cardoso, por oito anos seguidos – que o PSDB não é infalível na sua ação governamental. E tenho certeza absoluta de que nem o Senador Aécio, nem o Senador Aloysio Nunes consideram o seu Partido isento do cometimento de falhas ou erros, que são humanos, são da natureza do ser humano.
Eu pude presenciar acertos. Por exemplo, eu penso que o Presidente Fernando Henrique Cardoso era um homem extremamente cordial, um democrata na melhor linha daquilo que nós consideramos como defensor das liberdades democráticas, dos direitos do cidadão – isso eu posso reconhecer – e, além do mais, extremamente honesto, qualidades que coincidem com as do Presidente Lula e da Presidente Dilma. São homens públicos do Partido do Governo que zelaram e zelam pela hombridade, pela seriedade e altivez na aplicação dos recursos públicos. Refiro-me ao Presidente Lula e à Presidenta Dilma.
Mas, voltando àquela época – falando daquele assunto que, por último, foi ventilado pelo Senador Aloysio Nunes, o setor de saúde –, recordo que, naquela época, lá pelos idos de 95, mais de 2.500 casas de saúde estavam vivendo um vexame, um verdadeiro caos, e todo o Brasil na época de Fernando Henrique Cardoso. O seu ministro da saúde, que era um homem altamente acreditado, de bom conceito em todo o Brasil e aqui no Congresso Nacional, veio aqui para propor uma saída, uma fonte de recursos para melhorar a saúde do Brasil, e apontou, como solução, a chamada CPMF.
Os Senadores do Governo não tiveram a iniciativa de apoiar aquela pretensão do ministro da saúde. E eu era da oposição. Mesmo sob o risco de perder uma eleição de Senador, de perder a popularidade, de não ser bem aceito pelos empresários, principalmente pelos grandes empresários, eu tomei a iniciativa de apresentar uma PEC que ficou conhecida como CPMF, e essa contribuição ficou conhecida como a emenda Jatene. Por quê? Porque quem tinha prestígio aqui no Congresso não era eu, era o ministro da saúde – eu era apenas um iniciante ainda no Congresso Nacional. O Ministro Jatene fez campanha na Câmara dos Deputados, fez campanha aqui no Senado e terminou apoiando a CPMF, que, ao final do governo do Presidente Lula, foi derrubada pelo próprio partido que se havia beneficiado, o PSDB, juntamente com o DEM, no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso.
Como as situações mudam, dependendo da conjuntura e do momento de quem governa.
Fernando Henrique Cardoso governou e fez o que quis da CPMF, direcionando-a, inclusive, para outras atividades além da saúde. Lula queria direcioná-la, única e exclusivamente, para a saúde pública do Brasil, para a política de prevenção, para a política de atendimento nos hospitais e nos postos de saúde, para a compra de equipamentos e de medicamentos. Entretanto, Sr. Presidente, depois de longos anos em que a CPMF vigorou no País, o partido que mais se beneficiou da CPMF, o governo do PSDB, o maior beneficiado dessa Contribuição, foi o que mais lutou por sua derrubada. E não havia nenhum desvio, já que o Presidente Lula a direcionou única e exclusivamente para a saúde, o que não aconteceu no governo anterior. E isso aí dava cerca de R$40 bilhões, o que era um plus a mais na receita da saúde. Quarenta bilhões de reais foram perdidos do dia para a noite!
Então, se essa crise da saúde se avolumou e se agravou, muito se deve a isso, sem dúvida alguma. Agora, eu acho que a CPMF não poderia eternizar-se. O melhor seria fazer uma reforma tributária e colocar, nessa reforma tributária, a saúde pública como prioridade, como sempre ocorreu com a educação – João Calmon que o diga na fase em que ele apresentou uma emenda constitucional colocando a educação como prioridade.
Existem os índices que são obrigatórios para Estados e Municípios e pela própria União.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Isso já foi um avanço.
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Inclusive, fui relator.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – É claro!
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Quinze por cento vão para os Municípios; para os Estados, 12%; e a União fica dependendo do crescimento da inflação do ano anterior.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – V. Exª me permite um aparte?
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Vou só terminar esta parte do pronunciamento, Senador Aloysio.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – É claro!
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Então, Senador Aloysio, a reforma tributária não veio depois da queda da CPMF, nem durante sua vigência. Daí por que essa fonte alternativa foi criada para socorrer os Estados e os Municípios que precisavam de recursos para tocar a saúde.
Eu concedo o aparte a V. Exª.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – V. Exª lembrou um episódio que, realmente, honra a biografia parlamentar de V. Exª, que já é tão rica e extensa. V. Exª foi o relator da matéria e era de oposição. A emenda foi inspirada pelo Ministro da Saúde na época, o Ministro José Serra, e é uma emenda que, realmente, colocou a saúde num patamar mais alto. Mas precisamos avançar mais, comprometendo também receitas da União, do financiamento à saúde, receitas que vêm declinando; as despesas vêm declinando no financiamento global da saúde. Quanto à CPMF, Senador Valadares, V. Exª retoma o discurso sobre ter sido oportuna ou não a queda da CPMF. O fato é que isso ocorreu, mas não nos esqueçamos de que a carga tributária do Brasil só fez aumentar, de modo que o fato de os recursos advindos da CPMF terem sido suprimidos não deixou o Tesouro da União desassistido em matéria de arrecadação tributária. Pelo contrário, hoje, já estamos com um índice de comprometimento de PIB de 35% na arrecadação. Muito obrigado.
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Esse índice elevado praticamente já foi encontrado pelo governo do Presidente Lula.
Há outro fato. Quando se fala em privatizações, a gente se lembra das privatizações predatórias feitas no governo Fernando Henrique Cardoso. Como exemplo, basta que nos lembremos de uma só, a venda da Vale do Rio Doce. A empresa que a comprou, que a adquiriu por preço de banana, da ordem de US$3 bilhões, ainda obteve financiamento do BNDES para comprar. Hoje, essa empresa vale mais de US$100 bilhões. A Vale do Rio Doce produz minério de ferro no nosso País. As privatizações são muito criticadas hoje neste debate, mas, se houve alguma ação predatória, isso ocorreu não agora, ocorreu no passado.
Eu falei – V. Exª estava conversando com o Senador, com nosso Colega – da Vale do Rio Doce, que foi vendida, Senador, por US$3 bilhões. O dinheiro foi tomado emprestado do BNDES, na época. Quanto valeu, no mesmo ano, a Vale do Rio Doce? Cem bilhões de dólares!
Agora, quero que apontem alguma privatização que foi feita no Governo da Presidenta Dilma ou no governo do Presidente Lula que tenha causado tanto comentário como causou, na época, a venda da Vale do Rio Doce e também a venda de várias outras empresas, inclusive concessionárias do serviço público, distribuidoras de energia elétrica, sob a promessa de que a energia elétrica ia baixar. O que aconteceu foi justamente o contrário, o preço da energia elétrica foi lá para cima e, agora, está baixando, porque o Governo Federal resolveu enfrentar as grandes empresas que não queriam o benefício da redução da energia elétrica para as próprias empresas nacionais e para a população brasileira.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Permite-me fazer um aparte?
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Se é para comparar, vamos comparar!
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Vamos!
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – E vamos melhorar! Vamos comparar e melhorar! Isso é importante.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Mas vamos comparar! Senador Valadares, permita-me, mais uma vez, fazer um aparte?
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Com muito prazer.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – O Governo do PT, durante dez anos – está completando dez anos –, teve a faca e o queijo na mão para apurar qualquer tipo de irregularidade que pudesse ter havido nas privatizações do governo Fernando Henrique. Teve a faca e o queijo na mão, tudo! O que apurou? Nada! Por quê? Porque não houve irregularidade. Não houve irregularidade. Se nós não tivéssemos feito as mudanças que foram feitas, imagine o que seria a telefonia no Brasil hoje! Imagine o senhor o que seria a telefonia com as vinte…
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Eu não falei na telefonia.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Mesmo a Vale do Rio Doce se transformou numa grande empresa.
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Eu falei da Vale do Rio Doce, que foi dada de mão beijada.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Não! A Vale do Rio Doce, que era uma empresa encalacrada…
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Está certo! Mas por isso a gente deveria vendê-la do jeito que foi vendida?
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Hoje, a Vale do Rio Doce é uma grande e forte empresa multinacional, que explora minérios e que recolhe tributos para o Brasil sendo muito mais produtiva do que era no passado.
O Sr. Armando Monteiro (Bloco/PTB – PE) – Senador Valadares, deixe-me só meter uma pequena colher nessa questão da Vale que acho que está escapando à análise dos companheiros.
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Senador Armando, estou às ordens.
O Sr. Armando Monteiro (Bloco/PTB – PE) – É que, nesse período, desde a privatização, os preços de minérios no mundo decuplicaram.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Eu ia dizer isso exatamente.
O Sr. Armando Monteiro (Bloco/PTB – PE) – Eu vou repetir: os preços decuplicaram. Isso significa dizer que uma tonelada de minério, que era vendida a um preço em torno de US$15, de US$18, chegou a atingir US$160 no mercado internacional. Todos os ativos da área de mineração no mundo se valorizaram na mesma proporção, porque foi o fator China que passou a demandar e tal. Então, querer comparar…
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Senador Armando, mas um governo que tem planejamento estratégico,…
O Sr. Armando Monteiro (Bloco/PTB – PE) – Não, permita-me…
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – …sabendo que aquilo é um minério, e que apoia a industrialização no mundo inteiro…
O Sr. Armando Monteiro (Bloco/PTB – PE) – Mas me permita…
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Sabendo que existe um país como a China, que estava crescendo…
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Mas o minério é brasileiro. O minério é da União. O minério é da União!
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Mas espere aí! O Brasil vende à China…
O Sr. Armando Monteiro (Bloco/PTB – PE) – Permita-me dizer que o Brasil tem…
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – O Brasil vende à China o minério, como V. Exª sabe.
O Sr. Armando Monteiro (Bloco/PTB – PE) – O Brasil tem um excedente fantástico nessa área e não deixaria de exportar para usufruir dessa nova situação do mercado internacional. Agora, o que quero dizer a V. Exª é que todas as empresas de mineração tiveram uma extraordinária valorização, em decorrência dessa circunstância. Então, não acho que seja razoável comparar o preço de venda da Vale à época com o preço da Vale hoje.
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – É claro! Na época, foi vendida a Vale de forma imprevidente, sem planejamento, sem visão de futuro. O Brasil e o mundo não estavam parados, estavam crescendo.
Ora, já tivemos aqui a companhia siderúrgica que foi criada pelo Presidente Getúlio Vargas. Ele dizia que, no dia em que o Brasil aproveitasse esse ferro e o transformasse em aço, o Brasil seria outro. Ora, nós aproveitamos o ferro existente em Minas Gerais para uma siderúrgica que, depois, realmente, foi vendida, inclusive na época do Fernando Henrique Cardoso.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – E o Brasil é produtor de aço.
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Eu não vou entrar no mérito, porque eu não estudei essa questão da siderúrgica de Minas Gerais. O que, na época, foi muito debatido aqui foi essa questão da Vale do Rio Doce.
Mas lhe vou contar algo: eu não sou fazendeiro, mas vamos supor que eu o fosse e tivesse uma fazenda. “Fazenda, hoje, não está dando dinheiro, o gado também não está dando dinheiro. Quer saber de uma coisa? Vou vender isso aí para o Senador Aloysio por preço de banana!” Aí, a lei do mercado não para. Num determinado momento, o mercado está em processo de involução.

(Soa a campainha.)

O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – O mercado não é favorável, mas, amanhã, ele pode ser favorável. Então, foi uma imprevidência vender por aquele preço.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – V. Exª considera que foi uma imprevidência ter privatizado a Embraer, por exemplo?
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Eu não vou dizer que continuasse uma…
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – A Embraer era um mico e se transformou numa grande empresa nas mãos do governo!
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Espere aí! V. Exª falou o tempo todo, Senador Aloysio, e, com a maior educação, eu o ouvi. Eu sei que V. Exª quer me interromper como tática, como estratégia política, que considero legítima.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP. Fora do microfone.) – Desculpe-me, apenas é o seu discurso que me estimula.
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Obrigado. S. Exª está me dizendo que é o meu discurso que o estimula.
Então, Senador Aloysio, para terminar minha fala, porque meu tempo já foi esgotado, engrandecido com os apartes que recebi dos Senadores Armando e Aloysio Nunes, aproveito esta oportunidade para, em nome do PSB, enaltecer os Governos do Presidente Lula e da Presidenta Dilma. Ambos, dando continuidade a um trabalho concatenado, integrado, conseguiram beneficiar quase 40 milhões de brasileiros que viviam abaixo da linha de pobreza. Só nesses dois últimos anos, como acentuou Wellington Dias, 19,5 milhões de pessoas saíram da situação de miséria, e apenas 700 mil, pelo último projeto da Presidenta Dilma, receberão o afluxo do Governo, o atendimento do Governo, para que saiam da miséria.
Portanto, Sr. Presidente, ao terminar este meu discurso, eu não poderia deixar de reconhecer os grandes avanços que foram feitos nesses dois governos, também sem deixar de reconhecer que, em alguns momentos, o governo de Fernando Henrique Cardoso foi bom. Eu estava aqui e presenciei, votei em muitos projetos do Presidente Fernando Henrique Cardoso. Fui contra apenas a reeleição, que, inclusive, desencadeou um processo de desconfiança, porque um governo que estava em andamento, ele próprio, encaminhou a sua sucessão. Do ponto de vista ético, do ponto de vista da história de Fernando Henrique Cardoso, isso não deveria ter acontecido, porque, depois que aconteceu, muitas acusações surgiram na mídia, que depois não foram comprovadas, de que dinheiro foi dado a parlamentares para votarem na reeleição.

(Soa a campainha.)

O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Infelizmente, houve esse fato, esse noticiário, que foi desencadeado pela mídia e que não foi provado, mas, onde há fumaça, há fogo.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Aí não há, não!
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Olhe, o povo, quando fala, ou é ou está para ser.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Aí não há, não! Desculpe-me, Senador.
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Segundo a gente conhece lá em Sergipe, quando o povo fala, ou é ou está para ser.
O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Não, não, não! Pelo amor de Deus! V. Exª é um homem corretíssimo. Por favor, aí não!
O SR. ANTONIO CARLOS VALADARES (Bloco/PSB – SE) – Agradeço a V. Exª, Sr. Presidente.
Fica registrado aqui: foram dez anos do Governo do Presidente Lula e da Presidenta Dilma, dois Governos que edificaram a história do Brasil, voltados essencialmente para o social e para a valorização da democracia. Só falta, Sr. Presidente, a gente fazer uma reforma política. Se fizermos uma reforma política, nós alcançaremos um patamar lá em cima de melhor qualidade da representação popular.
Agradeço a V. Exª.

 

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