Senador Jorge Viana quer que Demóstenes se explique da tribuna

“Peço ao senador Demóstenes para que ele volte à tribuna em respeito não à minha pessoa, mas a todos os que o apoiaram naquela ocasião, para que ele nos explique os novos fatos. Agora, suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira são de interesse nacional. Além disso, quem ocupa mandato popular tem de dar satisfação”, disse o senador Jorge Viana.

 

 

 

 

 

 

:: Da redação26 de março de 2012 13:36

Senador Jorge Viana quer que Demóstenes se explique da tribuna

:: Da redação26 de março de 2012

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As novas denúncias da imprensa no último final de semana, revelando outras surpreendentes relações do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, motivaram o pronunciamento do senador Jorge Viana (PT-AC), na tribuna do Senado, nesta segunda-feira (26/03). Viana, que foi um dos senadores do PT a dar aparte favorável ao senador goiano, no último dia 6 de março, dando-lhe um voto de confiança, acredita que, agora, diante das novas e graves denúncias noticiadas. “Demóstenes deve explicações não só aos senadores que nele confiaram quando foram publicadas as primeiras denúncias, mas também ao próprio Senado e ao povo brasileiro”.

“Peço ao senador Demóstenes para que ele volte à tribuna em respeito não à minha pessoa, mas a todos os que o apoiaram naquela ocasião, para que ele nos explique os novos fatos. Agora, suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira são de interesse nacional. Além disso, quem ocupa mandato popular tem de dar satisfação”, disse o senador Jorge Viana.

Viana frisa ainda que seu comportamento prudente acentua a clara diferença entre a reação do PT e de outros partidos, nas inúmeras ocasiões ocorridas nos últimos anos, quando parlamentares e integrantes de governos do PT também foram alvo de denúncias.

“Não vamos fazer com eles o mesmo que fizeram conosco. Queremos que o senador Demóstenes esgote todas as possibilidades para se explicar das graves acusações de que tem sido alvo nos últimos dias. Essa é a lição que queremos deixar. Vamos evitar os pré-julgamentos. Não acho adequado seguirmos nesse clima, em que questionamentos viram condenações”, completou.

Durante seu pronunciamento, Viana concedeu aparte ao senador Pedro Taques (PDT-MT), outro dos senadores que apoiaram Demóstenes Torres, dia 6 de março. “Estou aguardando explicações, a República está aguardando resposta. A nação brasileira se encontra aguardando essa resposta e não podemos esperar até que o Procurador-Geral da República instaure ou não um inquérito policial, um inquérito judicial em desfavor ao senador Demóstenes Torres”, disse ele. Logo após pronunciamento de Jorge Viana, o senador do PDT subiu à tribuna para pedir que Demóstenes dê explicações sobre as recentes notícias de seu vínculo com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. 

As denúncias
Demóstenes Torres vem tomando a atenção do noticiário político desde que começaram a vazar as primeiras informações sobre a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. O primeiro vazamento trouxe à tona que o bicheiro importou dos EUA um fogão e uma geladeira de luxo, para dar ao senador como presente de casamento. Mais: revelou que, durante cinco meses do ano passado, o senador e Cachoeira trocaram 298 telefonemas.

Em sua defesa no plenário, o senador goiano disse ser falta de educação perguntar o valor e a origem de presentes recebidos e que os telefonemas entre ele e o bicheiro tinham causa humanitária. Segundo Demóstenes as quase três centenas de telefonemas ocorreram porque o bicheiro dera início a um romance com a esposa de seu suplente, Wilder Morais – cabendo a ele o papel de intermediário.

A segunda leva de notícias sobre a proximidade entre o senador e o contraventor foi trazida há duas semanas. Cachoeira, que ainda se encontra na prisão federal de segurança máxima de Mossoró (RN), importou 15 aparelhos Nextel, aparentemente configurados para barrar grampos e gravações telefônicas. Segundo conclui o inquérito, para manter conversas protegidas sobre seus negócios.

O estratagema não funcionou. As gravações policiais, obtidas com autorização judicial, revelaram que o senador dirigia-se intimamente ao bicheiro como “professor”, e – revelação chocante – solicitou empréstimos para pagamento de frete e táxi aéreo, conforme revelou a edição impressa do O Globo da última sexta-feira (23/03). A mesma reportagem informou ainda que o inquérito encontra-se à disposição do procurador-geral desde 2009.

A revista Carta Capital trouxe acusações ainda mais graves contra Demóstenes Torres, na última edição. A publicação noticiou que a Polícia Federal identificou um pacto firmado entre o senador e o bicheiro, em vigor há seis anos, pelo qual 30% do lucro de Cachoeira foram aplicados em fundo para financiamento da planejada campanha de Demóstenes Torres ao governo de Goiás, em 2014. A quantia amealhada é estratosférica – R$ 170 milhões, estima o delegado Deuselino Valadares dos Santos, ex-chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, da Superintendência da Polícia Federal de Goiânia.

Pedido de investigação
O Partido dos Trabalhadores, juntamente com outros três partidos (PSB, PDT e PSol), na quarta-feira passada (21/03), protocolaram junto à Procuradoria Geral da República (PGR) um pedido de investigação sobre indícios de conduta ilícita de parlamentares na chamada “Operação Monte Carlo”.

À época, o líder do PT e do Bloco de Apoio ao Governo no Senado, Walter Pinheiro (BA), explicou que a representação foi o recurso encontrado para assegurar o estabelecimento do que é fato e do que é boato, já que as investigações estão protegidas por segredo de justiça e ainda no âmbito do Ministério Público e da Polícia Federal.

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