Síntese do governo provisório é uma crise atrás da outra, aponta Jorge Viana

:: Da redação30 de maio de 2016 21:27

Síntese do governo provisório é uma crise atrás da outra, aponta Jorge Viana

:: Da redação30 de maio de 2016

Viana lembra que a crise da vez é o ministro da Transparência, apanhado em conversas sobre como conter a Lava JatoEm menos de 15 dias, o governo provisório de Michel Temer se vê diante de outra crise, desta vez envolvendo o ministro da Transparência, Fabiano Silveira, apanhado em conversas nada republicanas, sobre como conter a Operação Lava Jato. Para o senador Jorge Viana (PT-AC), primeiro vice-presidente do Senado, sua permanência no Ministério fica insustentável a cada minuto, tanto é que na tarde desta segunda-feira (30) editoriais de jornais denunciaram a impropriedade da postura do ministro. “Temer reuniu o que há de pior na montagem do governo provisório”, afirmou Viana.   O senador, em discurso, apontou que os integrantes do governo provisório são os maiores inimigos de Michel Temer. Isto, porque o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, ainda manifestou sua contrariedade com os rumos que o governo ilegítimo está seguindo e do qual ele é sócio majoritário. “Não vejo horizonte para o governo provisório de Temer, mas também quem trabalha pelo quanto pior melhor defende a permanência do governo Temer”, disse Viana.   O caso emblemático de Fabiano Silveira, o segundo ministro que deve deixar o governo provisório – o primeiro foi Romero Jucá, ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão -, repercutiu em todos os cantos do Brasil, já que superintendentes da Controladoria Geral da União (CGU), órgão extinto, mas responsável pelo zelo da moralidade no serviço público, entregaram seus cargos em protesto à manutenção de Fabiano no ministério da Transparência.   Viana relatou que, pela manhã, outros 200 servidores da CGU entregaram seus cargos e, num ato de repúdio, promoveram uma lavagem nos corredores e na calçada onde fica o prédio da Controladoria em Brasília. Jucá e Fabiano foram gravados por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que é investigado pela Lava Jato. O primeiro traçava uma estratégia de que a melhor saída para obstruir a Operação seria o impeachment de Dilma e, o segundo, traçava uma forma de evitar as investigações. Em março, quando as gravações foram feitas, Fabiano era integrante do Conselho Nacional de Justiça.   “Sérgio Machado foi líder do PSDB no Senado. Não é qualquer pessoa. Ele conhece os segredos do PSDB, como conhece e é parte dos segredos do PMDB. Achava que a crise do governo Temer viria mais pela Câmara, que ainda vai vir, certamente. Com Eduardo Cunha como uma onça em um canto e o pessoal cutucando, quando ele reagir ou tiver um encontro com a Justiça, eu acho que o governo Temer não se sustenta”, disse o senador.   Viana observou que as manifestações crescem todos os dias e elas tendem a se multiplicar, sem que sejam articuladas. As manifestações, disse ele, são espontâneas. “São coisas verdadeiras que vêm da sociedade. Eu acho que, em quinze dias, já ficou claro que a presidenta Dilma veio das urnas. Foi eleita e o PSDB não se conformou com o resultado das eleições; tentou derrubar o resultado das urnas no TSE, desistiu e se associou a um golpe”, destacou.   O senador esclareceu que Sérgio Machado não foi nomeado por Lula como tenta mostrar a mídia. Ele foi nomeado pelo PMDB e o modelo de governar dividindo os espaços do governo foi um desastre. “Temos que assumir. Já não era mais o nosso governo. Não éramos nós que nomeávamos o presidente da Transpetro. Não era. Era só o ato formal feito pela presidenta. E foi isso que ruiu”, disse. Viana acrescentou que o Senado tem a responsabilidade de trabalhar para que a democracia seja restabelecida no Brasil e que o golpe seja derrotado. “O pior é a permanência deste governo ilegítimo, de ministros que caem toda semana. O Brasil não aguenta, a economia não aguenta, a sociedade brasileira não aguenta”.