Investigação

Trabalho da CPMI do INSS demonstra acerto de medidas de fiscalização do governo

Esquema de desvios foi descoberto e investigado pelos órgãos de controle por determinação do presidente Lula

Alessandro Dantas

Trabalho da CPMI do INSS demonstra acerto de medidas de fiscalização do governo

Os deputados Paulo Pimenta e Lindbergh Farias em reunião da CPMI do INSS

Parlamentares petistas na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontaram que os trabalhos do colegiado têm sido fundamentais para expor a engrenagem de um sistema que permitiu desvios milionários através de entidades associativas e sindicais nos últimos anos. E que o esquema só ficou claro porque os órgãos de controle do governo, Polícia Federal e Controladoria-Geral da União, tiveram liberdade de atuação.

“Essa investigação vai até o fim porque a Polícia Federal entrou. Se o Presidente fosse Bolsonaro, Vorcaro estava preso? Teria havido investigação do Banco Central? Não”, disse o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). O deputado disse que o banco Master, envolvido com a fraude no INSS, só foi liquidado por ação do presidente do BC, Gabriel Galípolo, nomeado por Lula.

“Esse caso do Master tem ramificação com a fraude bancária, com o INSS e o Ministério da Cidadania [do governo Bolsonaro]. Está tudo ligado. O Vorcaro tentou comprar o Banco Máxima em 2017. O Banco Central não autorizou. Só conseguiu comprar em 2019, com o Roberto Campos Neto [ex-presidente do BC]. A Polícia Federal não vai parar essa investigação”, garantiu o parlamentar.

As apurações até o momento apontam que o modelo de fraudes ganhou corpo a partir de 2017 e se expandiu significativamente entre 2019 e 2022, período em que fiscalizações foram afrouxadas. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) ressaltou que a comissão cumpriu o papel de revelar como o mercado ilegal de filiações funcionava, utilizando entidades de fachada para realizar descontos automáticos nos benefícios previdenciários sem o consentimento dos titulares.

“Apoiamos o trabalho da Polícia Federal, da CGU, nós conseguimos esclarecer para o Brasil a fraude do INSS. O Brasil já entendeu. Esse escândalo não seria possível, se não fossem as mudanças ocorridas em 2021 dentro do Governo Bolsonaro; jamais a fraude do INSS teria ocorrido, sem as mudanças que permitiram que as entidades-fantasmas pudessem receber autorização para roubar dinheiro dos aposentados e aposentadas”, disse Paulo Pimenta, frisando que o dinheiro foi devolvido pelo governo do Presidente Lula.

De acordo com o parlamentar, a atuação da CPMI não apenas identificou os operadores financeiros do esquema, como também serviu de suporte para as ações que o atual governo vem tomando. Pimenta destacou que, desde o início de 2023, o Ministério da Previdência e a Polícia Federal deflagraram operações que resultaram em prisões, afastamento de servidores e, principalmente, no ressarcimento de valores para mais de 4 milhões de beneficiários lesados.

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