Alessandro Dantas

Beto Faro: fim da 6x1 equipara o Brasil às Nações mais desenvolvidas do mundo
14 de outubro de 2026: um dia histórico para as trabalhadoras e trabalhadores do Brasil! Nesse dia, por iniciativa de membros dos Partidos de esquerda, e graças ao trabalho incansável de articulação política do presidente Lula, o Senado aprovou “em definitivo” a Proposta de Emenda Constitucional que extinguiu a escala de trabalho 6×1, automaticamente implantando a escala 5×2.
De fato, foi uma conquista estruturante histórica para a sociedade brasileira que eleva de forma significativa o Brasil na equiparação às Nações mais desenvolvidas do mundo, em especial, na dignidade e na proteção ao trabalho.
Com a aprovação da PEC as trabalhadoras e os trabalhadores do nosso país terão redução na jornada das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução no salário.
Assim, além dos maiores cuidados à saúde física e mental dos trabalhadores, estes terão mais tempo para o descanso, com ganhos de produtividade para as empresas; condições para a qualificação, tempo para o lazer e maior atenção à família. Uma vitória gigante, em especial, das famílias, da saúde pública e da economia brasileira.
Devemos admitir que, no jogo político, essa conquista da sociedade brasileira somente foi possível graças à engenhosidade do presidente Lula. Em sintonia com o presidente do Senado, Lula cuidou para que a votação da matéria fosse pautada às vésperas do segundo turno das eleições. Com isso, a extrema direita liderada por Flávio Bolsonaro, radicalmente contrária à PEC, seria (e foi) forçada a votar a favor da matéria temendo perder votos.
Sim, PL e demais Partidos que apoiam Flavio Bolsonaro, votaram a favor, mas exalando ódio, com os dedos no nariz, anunciando, sem cerimônia, que revogarão a emenda constitucional caso o ‘enganoso’ vença as eleições. O líder do PL na Câmara dos Deputados Sóstenes Cavalcante em entrevista à Rede Jovem Pan logo após a votação anunciou que Flávio Bolsonaro irá articular a derrubada dessa conquista do Brasil.
Em absoluto, nenhuma novidade, vindo do porta-voz daqueles que conspiram contra os interesses nacionais, à luz solar; cujo candidato teve a coragem de convidar o governo americano para integrar o seu grupo de transição; que já prometeu ao presidente Trump entregar nossas terras raras e tudo o mais. Enfim, deve-se levar a sério o porta voz do candidato cujo pai “destruiu” os programas sociais entre tantas desgraças lançadas a este país e ao povo brasileiro.
Também não surpreende, ainda que impressione até pela falta de criatividade, a coincidência dos argumentos utilizados contra o fim da escala 6×1, com aqueles utilizados pelos antepassados das atuais elites de extrema direita contra todas as conquistas históricas da sociedade brasileira, desde o período colonial.
Em sínteses os conservadores propagam que a escala 5×2 será uma tragédia para a economia brasileira, a produtividade, custo de produção, fechamento em massa de empresas, desemprego, informalidade, blá, blá blá; enfim, o caos.
Com variantes das épocas, são os mesmos argumentos usados pelos escravocratas contra a abolição. Igualmente foram explorados pelas elites contra a aprovação do salário mínimo em 1941, e em todos os momentos sobre o aumento real para o salário. O cardápio do “fim do mundo” da mesma forma foi disseminado por ocasião da instituição, em 1962, do 13º salário; e, também, nas reações ferozes do patronato e das elites observadas com a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1º de maio de 1943.
Em suma, os personagens e os argumentos para o terrorismo econômico nesses momentos de grandes conquistas democráticas e sociais, são os mesmos; o que muda apenas é o tempo histórico.
Mas, no caso das reações à escala 5×2, afora a imanência reacionária, parece haver um certo delay cognitivo, pois o PL e seus aliados, não percebem os efeitos das transformações estruturais, em curso, com os avanços do universo digital e da inteligência artificial, com profundos impactos no mundo do trabalho, nos paradigmas de produção e consumo e no estilo de vida das sociedades modernas.
Só não desafio o PL e seus aliados a terem a coragem de derrubar a Emenda Constitucional aprovada porque Lula continuará presidente do Brasil.



