Caso do "mula"

Zarattini: permanência de Padilha “tornou-se insustentável”

Deputado defendeu a demissão após denúncia de que o melhor amigo de Temer e ex-assessor especial da Presidência, José Yunes, entregou a ele um “pacote” com dinheiro proveniente de caixa dois
:: Fernando Rosa24 de Fevereiro de 2017 16:33

Zarattini: permanência de Padilha “tornou-se insustentável”

:: Fernando Rosa24 de Fevereiro de 2017

O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), cobrou nesta sexta-feira (24) a imediata demissão do ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Segundo ele, a permanência de Padilha se tornou insustentável após a denúncia feita pelo jornalista Lauro Jardim, de que o melhor amigo de Michel Temer e ex-assessor especial da Presidência da República, José Yunes, entregou a Padilha um “pacote” com dinheiro proveniente de caixa dois. De acordo com o jornalista, o montante foi entregue a Yunes pelo doleiro Lúcio Funaro, operador do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Padilha, “braço-direito” de Temer, pediu licença do cargo na quinta-feira (23) alegando problema na próstata.

A revelação de Yunes foi feita em delação espontânea prestada ao Ministério Público e confirmada em entrevista ao jornalista. O ex-assessor de Temer decidiu falar depois que apareceu nas delações da Odebrecht. De acordo com o delator Cláudio Melo Filho, executivo da empresa, Michel Temer e Marcelo Odebrecht acertaram em 2014 o pagamento de uma propina de R$ 11 milhões ao PMDB. Desse total, cerca de R$ 4 milhões foram entregues no escritório de Yunes, em São Paulo. O dinheiro saiu do departamento de propinas da empreiteira e ajudou a bancar a eleição de Cunha para a Câmara.

Segundo depoimento de Yunes, o doleiro Lúcio Funaro contou durante o encontro que estava financiando 140 deputados para garantir a eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados. Uma vez eleito presidente, Cunha passou a sabotar o governo da presidente eleita Dilma Rousseff e aceitou um pedido de impeachment sem crime de responsabilidade, abrindo espaço para que Temer chegasse ao poder.

“Eu não saberia avaliar o problema de saúde dele (Eliseu Padilha) mas de uma coisa eu tenho certeza: ele tem que sair do ministério já. São tantas irregularidades e ilegalidades que não tem mais sentido a permanência dele na Casa Civil. Temer tem que demitir Padilha imediatamente, uma vez que ele operou recursos ilegais provenientes de propina”, afirmou Zarattini. (Leia nota do líder do PT aqui)

Na mesma linha de raciocínio, o deputado Bohn Gass (PT-RS) destacou que não discute a licença do ministro para o tratamento de saúde, mas defende uma investigação rigorosa sobre a denúncia. “Do ponto de vista humanitário, desejo que ele se recupere rápido. Mas sobre a denúncia em que ele é acusado, espero uma investigação rigorosa. Afinal, não é qualquer pessoa que faz a acusação, é simplesmente o ex-assessor pessoal e melhor amigo do atual presidente”, observou.

Pelo Twitter, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) ressaltou que a denúncia de José Yunes tem o poder de “estragar o carnaval de muitos golpistas que imaginaram um feriado tranquilo”. Segundo ele, “com a nomeação de um aliado de Cunha para o Ministério da Justiça (Osmar Serraglio), Temer achou que as coisas ficariam mais calmas”. Em Brasília, circulavam rumores de que Cunha ameaçava delatar Temer e ministros caso o governo não o livrasse da prisão.

Sobre o escândalo gerado pela confissão do ex-assessor de Temer, Paulo Pimenta disse que “Bezerra da Silva vai ser hit do carnaval no Planalto”, reproduzindo refrão de um grande sucesso do sambista. “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão. Entenderam porque Serra fugiu ontem? ”, disse o parlamentar, também se referindo ao pedido de demissão de José Serra do ministério das Relações Exteriores.

Assim como Padilha, o senador tucano alegou problema de saúde e da mesma forma que o ministro licenciado da Casa Civil, José Serra também é delatado na Lava Jato. O senador do PSDB é acusado de ter recebido US$ 23 milhões em contas na Suíça, proveniente de propina paga pela Odebrecht.

Texto de Héber Carvalho.

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